Jornal A Cidade
Jornal A Cidade Fechar

Aguarde um momento...Carregando

Jornal A Cidade

Seu jornal. Sua cidade.

Ribeirão Preto, 16 de Maio de 2012

máx. 29ºC mín. 17ºC

Blogs e Colunistas \ Adriano Quadrado

RSS
Blog de Adriano Quadrado

Dalit

Postado por Adriano Quadrado em 21 de Julho de 2009 às 18:28


Outro dia vi matéria na TV sobre os intocáveis indianos. Mostrava em tom de crítica como os meninos sem casta não podiam ir à escola, coisas do gênero. De fato, a história é triste e vale a crítica. Duas observações a fazer, porém.
 
Primeira é que, no sistema de crenças dos hindus, existem a reencarnação, o karma e o dharma.

Eles acreditam que as ações (karma) da pessoa na vida anterior determinam as condições do nascimento da atual vida. Daí a pessoa nascer sacerdote, comerciante ou sem casta, podendo perfeitamente mudar de status em encarnações subsequentes.

Acreditam também que cada pessoa tem sua função e seu caminho na vida (dharma). E que cada um está certo a seu modo, em seu devido lugar, desempenhando o trabalho que lhe cabe, seja ele lavrador, guerreiro ou limpador de latrinas.

A filosofia está muito bem colocada no ótimo livro chamado Bhagavad Gita, o equivalente hindu ao novo testamento cristão. O texto é, da mesma forma, o relato dos ensinamentos de uma encarnação divina. Só que, em vez de Cristo, Krishna.

Isto posto, é claro, a teoria na prática é outra. Na Índia, os arianos, ao conquistar outros povos, colocavam o pessoal na canga para fazer o que ninguém queria fazer, como limpar latrina ou trabalhar de açougueiro.

Os dominados ficavam fora do sistema hindu-ariano e, portanto, não tinham casta. A ignorância, o preconceito e a superstição acabaram por tornar os sem casta e seus descendentes em intocáveis, verdadeiras aves do mau agouro.

A segunda e óbvia observação a se fazer é que ignorância, preconceito e superstição infelizmente são trecos muito democráticos e afligem a todos os povos, inclusive aos brasileiros.

Sempre levo meu filho para brincar no parque Luiz Carlos Raya, no Jardim Botânico. É o playground da burguesia que mora ali perto. No parque, só há gente branca e rica, crianças bem nutridas e bem vestidas, com brinquedos vários e caros.

Ali os dalits não entram. Ou melhor, entram, e novamente para fazer o serviço que ninguém quer fazer: limpar os banheiros, alimentar os patos, fazer a segurança.

Entram também como as babás acanhadas, vestidas de branco, que largam o filho em casa para cuidar dos bebês da burguesia. Cuidam dos bebês, mas não beijam as crianças. Beijo de dalit nem pensar. É sujo ou dá azar.

 

 Dalits em Jaipur, India. Foto: Thomas Schoch/GFDL

600

Termos de Uso

O 'A Cidade' não se responsabiliza pelas opiniões emitidas nos comentários. Todo o conteúdo publicado neste espaço é de responsabilidade do usuário. Não serão permitidos textos com ofensas, comentários preconceituosos, racistas, ofensivos, com palavrões ou qualquer termo que desrespeite a moral, os bons costumes, a lei ou o viole os direitos de terceiros.
O 'A Cidade' não revisa nem altera o texto publicado neste espaço, mas pode, sem aviso prévio, deixar de publicar ou excluir qualquer comentário que não respeite os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema da reportagem.
O 'A Cidade' se reserva o direito de, a seu próprio critério, armazenar as informações de usuários que se conectarem ao sistema de comentários, como forma de viabilizar eventuais identificações que se façam necessárias.

Limpar
Veja todos os posts publicados.
  • Comentários
  • por 1k2, em 22 de Julho de 2009 às 17:27 Vira e mexe aparece notícias sobre dalits conquistando direitos políticos, outro morre no hospital porque os médicos se recusaram a sujar as mãos com um "impuro". Tem um paralelismo bem sacado do Quadrado. Afinal, porque médico não quer atender em postinho e hospital público?
Busca Avançada