A piada de português do século é o novo acordo ortográfico da língua portuguesa. Qual foi o argumento para empreendê-la? Os documentos internacionais (?), que não tinham como ser redigidos num padrão único, tadinhos.
Pois bem, por conta disso pentelharam a vida de, sei lá, 250 milhões de pessoas, que agora têm de ler e escrever de um jeito que não estavam acostumadas, tudo para que o coitado do documento internacional (quem é ele, meu deus, quem é ele?) possa estar de acordo com uma única norma, dos Açores a Guiné-Bissau.
Agora, sempre que sou obrigado a ler ou escrever a palavra "ideia" sem acento, me deprimo profundamente, sinto falta de ar, dores nas juntas e dispepsia. Depois desse momento de desespero, vem a catatonia. Me pego absorto, com o olhar longe, tomado pela profundíssima certeza de que a vida não vale a pena. E todo esse incômodo graças à maldita ideia (ah!) que um dia tiveram esses "acadêmicos embuçados", como bem disse o Ruy Castro.
Veja bem, meu amigo, a dimensão do chiste, porque ainda há outro argumento: o de que os livros impressos em Portugal, por exemplo, chegavam aqui numa ortografia diferente da nossa, que horror.
Qual a solução para esse terrível problema, ó pá? Mudar a ortografia de todos os países e de quebra tornar totalmente obsoletos todos os livros já impressos até hoje. Penso na minha querida biblioteca, formada nos últimos 25 anos, e as lagrimas me afogam.
Vamos nos acostumar? Claro que vamos. Isso é realmente importante? Claro que não, há mais estrelas no universo do que grãos de areia em todas as praias da Terra.
Mas, caraca, não nos saiu cara demais a piada de português do século?

Boteco antenado já respeita as novas regras e convida o inventor da reforma ortográfica a experimentar a linguiça, assim, bonitinha e já sem trema


