Sou paulistano, mas moro em Ribeirão há três anos. Vim porque quis, fico porque gosto da cidade, não tenho planos de curto prazo de me mudar. Meu filho nasceu aqui, é ribeirão-pretano. Eis tudo.
Mas deixem-me dizer. O povo aqui é muito ruim de direção, por zeus. Ribeirão-pretanos dirigem mal à beça, envolvem-se em acidentes frequentes e terríveis, são uns navalhas absolutos.
Atropelam gente, abrem a porta do carro sem olhar quem vem, estacionam no meio de duas vagas, trafegam pelo meio de duas faixas, fazem filas infindáveis na cancela do shopping quando há vaga na do lado.
Não sei o que se passa, se há alguma substância entorpecente no aquífero Guarani. Alguma razão há de haver. Eu, agora que tomo água do Guarani, levo buzinaços e ouço xingamentos quando vou a São Paulo visitar a família. Vejo que estou me tornando um braço duro de antologia.
Mistérios que calam fundo na alma das gentes.

Ribeirão-pretano se confunde ao fazer baliza na Nove de Julho


