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Blogs e Colunistas \ Adriano Quadrado \ Setembro 2009

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Blog de Adriano Quadrado

Descubra por que você não existe*

Postado por Adriano Quadrado em 21 de Setembro de 2009 às 17:32

Na aula da última quarta (mestrado em jornalismo), discutimos mil cousas, várias sobre o quanto nada existe. Explico.

Contou-se lá a história de uma experiência que fizeram com uma planária. A planária, talvez você saiba, é um platelminto precariíssimo; um escargot comparado a ela é gênio. Segundo o cara que contava a história, a planária tem apenas dois, leia bem, dois neurônios. Se se chamam Tico e Teco, como os da loura burra, não se sabe. Sabe-se apenas que são dois. O bicho é tão básico que se você cortá-lo no meio ele se transforma em duas planárias.

Não obstante, o bicho é capaz de abstração simbólica, por incrível que pareça. A experiência foi pegar a protolesma e lançar sobre ela um flash luminoso, dando na seqüência um choque elétrico. O choque faz o bichinho estremecer, coitado. E assim foi se fazendo sucessivamente até que, uma hora, o bicho já começava a tremer só com o flash, mesmo sem dar o choque, como um cachorro Pavlov do mundo dos bichos asquerosos.

Isso quer dizer que a planária conseguiu substituir simbolicamente o choque pela luz do flash. Fez uma representação simbólica com apenas dois neurônios. O ser humano tem 100 bilhões, então daí já se começa a sentir o drama: vá pensando quantas representações simbólicas você consegue fazer.

Entretanto a questão não é nem quantas se pode fazer. A questão é que você faz representação em cima de representação, uma sobre a outra, sucessivamente, afastando-se cada vez mais do "real".

Um exemplo que o cara deu na lousa. No início você concebe as quantidades com "pauzinhos", assim pode fazer montinhos com um, dois ou três unidades, assim: I, II, III. Isso já é uma representação simbólica dos números naturais, mas você continua: 1, 2, 3, algo mais ambicioso semiologicamente falando. E assim segue, chegando a abstrações como um número ao quadrado, do tipo: 10². Até que uma hora se chega a signos para coeficientes como "delta", simbolizado como um triângulo. E dá-lhe representação sobre representação sobre representação.

É como a linguagem de máquina, composta de zeros e uns, sobre a qual há a BIOS, depois talvez o DOS, depois o Windows, depois os aplicativos, de forma que o programador nunca escreve o código com zeros e uns, mas com signos que depois serão traduzidos nas entranhas da máquina. O "real" é apenas o sinal 0 e o sinal 1. Aliás, estes também são signos. O real é só o passar ou o não passar da corrente elétrica pelo circuito, mais nada.

O homem constrói sua concepção de mundo sobre cadeias extremamente complexas de representações simbólicas. Isso não é tudo, pois elas se combinam e se cruzam entre si, muito além do ground zero do real. Tal é o que fazemos agora, eu transmitindo impressões ao seu cérebro através de um código simbólico de 23 símbolos gráficos, as letras do alfabeto usado no código lingüístico chamado português.

Então tudo o que você pensa é representação simbólica. O que você valoriza, curte, despreza, venera, inveja, almeja, ama, tudo, tudo é só uma cadeia vertiginosa de representações semiológicas entrecruzadas a se retroalimentar sucessivamente num processo infinito.

Assim as pessoas passam por "fases", ouvem um tipo de som, depois passam para outro. Andam com uma turma, depois acabam achando que aqueles colegas estavam com nada. Entram em seitas, depois saem achando tudo um sonho irreal. Isto porque tudo é construído sempre muito acima do "real". E ainda há gente que diz que talvez nem o mundo físico seja real, apenas um plano de sonho dentro das infinitas possibilidades da mente universal.

Ou seja, meu amigo, você não existe! Se isso é bom ou ruim, não sei. Há um modo otimista e outro pessimista de se olhar para a impossibilidade do real. Mas elas também serão sempre representações simbólicas.

* Post publicado originalmente no blogue quadrado.com às 21h20 de 29 de abril de 2004

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Loucuras inofensivas

Postado por Adriano Quadrado em 17 de Setembro de 2009 às 18:34

Edito a coluna do Morandini no jornal. No espaço, não cabem todas as notas que ele nos manda. Todo dia, então, guardo o que sobra num TXT e jogo na pasta "morão para domingo", notas que, como se imagina, serão publicadas na coluna extra do domingo. Esses TXTs sempre ganham nomezinhos engraçadinhos e/ou idiotinhas que crio para minha própria folgança e facécia. Neste momento, estão lá na pasta do desktop os seguintes ficheiros: "depois que mataram a jiboia sem acento.txt", "nananinanílson.txt", "nosocômio pouco meu pirão primeiro.txt" e "zie e zii.txt".

Nunca tomei remédio pra cabeça. So far.


 

 

PS - A coluna me é enviada diariamente pelo Play.

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5 pôsteres pra minha parede

Postado por Adriano Quadrado em 10 de Setembro de 2009 às 18:09

 

 

 

 

 

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Pelé*

Postado por Adriano Quadrado em 05 de Setembro de 2009 às 23:16

Assisti na semana passada ao documentário Pelé Eterno. O filme é excelente e Pelé, isso é que queria dizer, foi mesmo o melhor jogador de todos os tempos e não há ninguém de boa vontade que não chegue a essa conclusão ao assistir ao documentário. Os argentinos vão continuar dizendo que Maradona foi melhor, mas por pura fidelidade de fã, ou melhor, por argentinice congênita. Maradona foi estupendo, Pelé foi muito mais do que isso, a verdade ninguém cala.

Escrevo este post para notar como o tempo vai apagando as coisas. Pelé foi mesmo (bem) melhor do que Maradona (e do que todo o resto), mas como já ficou distante no tempo a gente vai perdendo a certeza. Eu mesmo, que menino de tudo só peguei Pelé no finalzinho do Cosmos, já começava a desconfiar que Diego talvez fosse melhor do que o brasileiro. Não é. Convenci-me pela eternidade ao assistir Pelé Eterno.

Não só pela extensão da carreira de sucesso Pelé, por ter feito muito mais gols e colecionado muito mais títulos (só campeão paulista ele o foi dez vezes). O cara era melhor, simplesmente.

O mais deslumbrante gol de Maradona, aquele contra a Inglaterra (Copa de 1986), quando ele driblou meio time inglês, é equivalente, por exemplo, ao "gol de placa" de Pelé, anotado no Maracanã. O tal "gol rua Javari", em que Pelé deu quatro chapéus seguidos antes de marcar, parece ter sido ainda mais impressionante, a julgar pela reconstituição digitalizada que vemos no filme.
 
E essa história de enfileirar chapéus e dribles por baixo das pernas, você constata pelo documentário, acontecia com uma freqüência surreal. Pelé metia a bola no meio das pernas dos zagueiros ou encobria seus oponentes em seqüência, enfileirava dois, três, jogo após jogo.

Era um demônio, tinha uma objetividade mortal, fazia gol de tudo quanto é jeito, cavava pênalti, dava porrada, fazia milagre, fazia chover. A facilidade com que o cara jogava era impressionante, vendo o filme você tem a impressão de que aquilo era coreografado. Ou, como disse um amigo, parecia um adulto jogando contra crianças.

Pessoalmente pude ver o auge de Maradona ao vivo na Copa de 1986 e tenho uma grande simpatia pelo argentino, tanto pelo talento quanto pelas loucuras dele. Foi um cracaço mesmo, tanto quanto outros o foram. Mas Pelé é de fato um caso à parte, bem acima de qualquer jogador que já existiu e que talvez venha a haver.

E, desculpe-me se tal discussão já deu nos ovos, mas digo isso só pra constar, só porque Pelé já ficou no tempo e porque hoje a gente só tem como avaliar o Edson mesmo, um velhote contraditório, um ser humano que tem seus problemas e defeitos como qualquer outro, Maradona que o diga.

Que isso não seja desculpa, entretanto, para deixarmos de relacionar a Pelé o aposto eterno de maior jogador de todos os tempos, assim na terra como no céu.

* Este post foi originalmente publicado às 12h36 do dia 8 de novembro de 2004 no finado blogue quadrado.com, com esta mesmíssima foto do Rei ninando a bola. E segue replublicado aqui só para provar que, ao contrário do que disse brincando no post anterior, não acho Maradona melhor que Pelé, por mais que tenha simpatia pelo Diego.

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Pra quem vou torcer

Postado por Adriano Quadrado em 04 de Setembro de 2009 às 18:48

Só dois comentários no último post, muito trágico isso. Vamos elevar o nível da polêmica, então, espicaçando o patriotismo da minha dupla de leitores.

Primeiro queria dizer que o hino nacional é chatinho, fanfarrão e muito, mas muito longo. Bobagem sem tamanho condenar quem não sabe de cor a letra. Tanta coisa boa pra se fazer na vida, vamos ficar decorando o hino?

Muito melhor seria condenar a malemolência e o jeitinho brasileiro. Mas o povo acha que não saber o hino de cor é feio e que dar um jeitinho é bonito. Minha sugestão é que o "Ordem e Progresso" da bandeira seja trocado por "Sorria, você está sendo filmado". Muito mais honesto.

Por fim, Maradona foi melhor que Pelé, é claro. Aliás, meu filho se chama Diego.

Agora adivinhe pra quem vou torcer neste sábado...

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