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Ribeirão Preto, 08 de Setembro de 2010

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Tecos de e-mail (reloaded)

Postado por Adriano Quadrado em 06 de Novembro de 2009 às 10:59

 

Esta é velha. A primeira vez em que a brincadeira "tecos de e-mail" foi publicada foi em 1997, num site experimental chamado Jimi Hendrix de Almeida, feito em parceria com amigos. Depois, em 2002, eu repeti a brincadeira no site quadrado.com (hoje fora do ar).
 
O lance era pegar trechos de e-mails efetivamente trocados com diversas pessoas, pinçar esses trechos mesmo, fora do contexto, e colocá-los na sequência. O resultado seria uma colagem de frases divertidas, inusitadas, mesmo que isso não fizesse sentido.
 
Os fragmentos de e-mail abaixo são parte dessa segunda encarnação da brincadeira, portanto com mensagens trocadas até 2002. A grande maioria dos textos abaixo foram redigidos por mim, em e-mails reais enviados a amigos. E relê-los me fez pensar que não troco mais e-mails tão divertidos como antes... snif. Mas vamos lá.
 
 
 
O Rajneesh é o cara que hoje é conhecido como Osho, um guru aí que pregava a desrepressão de todos os instintos, a soltura de todas as frangas. Assim como o Reich, psicoterapeuta alemão que escreveu "A Função do Orgasmo", e que, naquele email à lista, eu brinquei que havia inspirado o Robby Rosa (do Menudo) a escrever "Não se reprima".
 
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Explicando: no mundo imaginário e encantado do Julio, e só nele, as lanchonetes do McDonalds fazem hambúrguer de minhoca.
 
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É estranho, já que ninguém tem piedade de vacas, frangos e outros bichos que são criados para serem mortos. Na porrada. Na faca. Ninguém tem nojo de comer salsicha, linguiça, buchada de bode, ostra, arraia, cavalo, cação, porco, javali, jacaré, chouriço, rã. Aaaahh!!
 
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Não sei se a serotonina dá barato ou se vc esqueceu que o ano 2000 foi bissexto, mas teu calendário tá um dia adiantado. Só sei que o Chico pegou uma labirintite bacteriana de tanto fuçar em bibliotecas atrás de informações sobre a civilização Lemuriana.
 
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Confraria Aquariana é um grupo secreto que... bem, é secreto e eu não posso dizer nada pra quem não tenha nascido entre 21 de janeiro e 20 de fevereiro. Sorry, periferia.
 
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Recebemos, mas o cara, como se sabe, tem uma memória de peixe, com duração de 30 segundos. Ela funciona como uma caixa preta de avião, regravando informações novas sobre velhas, portanto não exisitiria qq possibilidade de ele se lembrar de algo ocorrido há duas semanas. Eu, por exemplo, nem fico preocupado do cara se chatear com isso que estou dizendo agora, pois, 30 segundos após ele ler o email e ficar com raiva, tudo será apagado e ele seguirá sua toada pelas águas frias do mar da consciência.
 
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O Filipe fez aniversário ontem mas estava incomunicável. Ele foi pra Ubatuba pegar uma cor e sintonizar-se com as energias telúricas, segundo me informou sua mãe.
 
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Já o "minhoca" eu inventei ontem mesmo pra designar uma "burrice cândida". Acho que tem tudo a ver. Acho que é porque o bichinho é totalmente inocente.
 
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Seu Tiolício e Dona Sastilácia eram cebolistas.
 
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A última vez que encontrei o nobre vovô, eu estava saindo do consultório da minha ex-dentista, na Consolação, e o Brandão estava cachaçando na Casa do Padeiro. Falei oi e perguntei: "pô, começando a beber tão cedo?", ao que o bom velhote respondeu: "Não, não. Tou esticando a balada de ontem a noite. Que horas são?" Eram 10 e meia da manhã. Da segunda-feira.
 
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Nessa sexta, vamos ao Rigas comer pizza de cupuaçu com gabiroba e queijo de baleia. Se quiser mando uma fatia por sedex. E pinta aí em julho pra gente dividir uma mezza-jacaré, mezza-flores silvestres.
 
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Eu assisti o Quills (que aqui se chama Os Contos Proibidos do Marquês de Sade). Achei mezza-bocca. Já o Crouching Tiger Hidden Dragon é do peru. Fui ver duas vezes de tão legal que eu achei. Mas, na verdade, acho que essa é uma posição polêmica, já que a platéia do cinema vaiava todas as vezes que os caras voavam. Não entendo isso. Pô, deixa o cara voar, é ou não é?
 
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Não acho que deveríamos ligar para o que o público espera. O público, aliás, é um mito. É que nem saci. É que nem o "leitor" da Folha. Isso não existe. É lenda.
 
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Furdunços, também acho que estamos dando muita trela pra esses vovôs. Pau neles! Deixemos que o P.A. ataque a primeira música quando só houver na platéia um faxineiro surdo e um eco medonho. Sim, porque essa, como diz o Guto, é a realidade.
 
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Caríssimo Alê Árvore, é uma alegria receber nesta lista de discussão uma das lendas vivas do mundo dos apelidos. Mais ainda se este mito toca comigo na impagável banda "Os Substantivos".
 
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Desenqueine que a vida engueine.
 
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Paulão está mais para "O Rock em Debate" ou, se pans, "A Influência da Música Pop Anglo-Saxônica dos Sessentas na Confluência Juvenil do Terceiro Mundo".
 
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O Grande Arquiteto colocou o sinal do céu. Não sei pq, mas colocou. Para nós que estamos presos na ilusão desse mundo, a paradinha zodiacal é mesmo de zoar.
 
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Falando nisso, Fabão, não aconselharia chamar ela ou qq outra mina para a banda. Já tive essa experiência e, acredite, não é bom. Sempre rola uma tensão sexual entre a mina e um ou mais fulanos da banda. Rolam namoros/rolos eventuais. Daí que a banda vira coisinha de casal, com ciuminho e estressinho. É uma lástima, believe me. Quando o casalzitcho está bem, rola um lance de "superindivíduo", um monstro formado por duas cabeças, oito membros e dois sexos, um bicho que, por ser "super", resolve tomar conta da banda como faria o casal se estivesse escolhendo um chalezinho "supergracinha" pra passar uma lua de mel. Quando estão mal, a coisa azeda e o som fica uma merda.
 
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Naquela época também, eu ainda não havia iniciado minha vida romântico-sexual, por causa da timidez excessiva e tb por falta de hormônios, acho, que chegaram com força um pouco mais tarde. Por isso, conheci as meninas bem pouco e muito superficialmente. Tive alguns amores platônicos. E não foram fracos, não. Tinha algumas musas, em silêncio. E muitas outras atrações pré-adolescentes. Aquelas calças de abrigo (e depois as jeans) eram ótimas.
 
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Não, Rodrigão. Na verdade, ela já foi, mas acabou entrando numa "dobra tíltica do tempo", a mesma do Tico Terpins, quando diz que "hoje é o passado do futuro".
 
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É mais ou menos assim: as mensagens que seriam mandadas no dia 9 de agosto (o que significa hoje, para nós, menos para a Cássia) escaparam do "buraco negro do tempo" do futuro e chegaram pra Cássia antes, tipo comecinho de agosto do "frame" temporal deslocado em que ela está vivendo. Daí que ela respondeu essas mensagens antes de ir pro Nordeste em 5 de agosto de 2001, coisa que realmente ela fez.
 

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Isso vem de um tronco do Jnana Yoga chamado "Tilt Yoga". O tilt, no caso, vem das máquinas de flipper que dão um tranco quando vc balança demais as bichinhas. O objetivo do iogue no tilt yoga é pensar numa coisa "tíltica" (como a história do "som de palmas batidas por uma mão só" ou do "tão rápido que fechou a gaveta e ainda deu tempo de jogar a chave dentro") e ficar pensando nisso até dar tilt no "célebro" e, nessa hora, transcender.
 
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Causídicos, não tenho nada a ver com o pato (peixe?), mas vou meter o bedelho só por amor à redação de e-mails.
 
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Em muitos casos, acho que a criatividade ou a percepção mais aguçada é dada para certos indivíduos que, como indivíduos, como "pessoas humanas" (pra usar um clichê-pleonástico-esô), são uns manés.
 
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À luz da maturidade, posso reafirmar pra vocês: o Paul Dianno é bem melhor que o Bruce Dickinson. E assunto encerrado!
 
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E, pra não deixar de ser, segue mais uma listinha de velharias: Kikos Marinhos, carteira emborrachada da OP, Dudu França cantando Grilo na Cuca com uma regata preta da Adidas no programa Sílvio Santos, Baby Doc, Guerra das Malvinas com mísseis Exocet e caças C-Harrier, Jorge Mendonça, Esquerdinha, Baroninho e Rui Rei, Emmo correndo de Copersúcar, Luciano do Valle na Globo, Carioquinha, Marcel, Ubiratan e Oscar (esse ainda não desistiu, parece), Carlos Alberto Kirmair, Ricardo Prado, São Silvestre de noite, Passat Pointer, GP do Brasil em Jacarepaguá, José Maria Marin prefeito biônico substituto de Sampa (argh!!), a época em que apagão chamava blackout, programa TV Mix 2 com Astrid (meio-dia) e TV Mix 4 com Sérgio Groissman (de noite) na TV Gazeta, Arakén o showman, Djalma Jorge Show na Jovem Pan, febre do cubo mágico e seus imitadores (tipo aquele dos elos), Uri Geller entortando colher, casos fantasmagóricos do Fantástico, tipo "O morto que riu", Caso Verdade do Antoninho da Rocha Marmo, Vereda Tropical com Luquinha e Bertazo, cometa Halley, ioiô da Coca-Cola (dorminhoco, Torre Eifel, cachorrinho), álbum de figurinha do Governo do Estado que se trocava por nota fiscal, Garibaldo e aquele boneco gordo que ficava no barril: todo dia é dia, toda hora é hora de saber que esse mundo é seu, se vc for amigo e companheiro, com alegria e imaginação, vivendo e sorrindo, criando e rindo, será muito feliz e todos.... serão também tchubidju-bidju-bidju-tchubidju-bidju-bidju.
 
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Bem, voltando, esse "tchon, tchon, tchon, tchon" quer dizer que "tchun, tchun, tchun, tchun".
 
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A música do Lennon, talvez, seja menos radical. Ele ainda expressa algumas idéias do seu passado "crente", como na frase final "and the world will live as one", propondo a unicidade da filosofia hindu em vez da individualidade extremada da Igreja de Satã. Mas a música é satanista de maneira geral, assim como o mundo o é.
 
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Meu ego novo tem vergonha do meu ego antigo.
 
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O ego é assim. Ele nunca desiste, nunca se manca, nunca se toca e é sempre uma coisa triste e sem futuro.
 
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Eu acho que o livre arbítrio é um dos pilares da criação, mas também é um certo embuste.
 
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Como esse negócio não vai dar certo por muito tempo e eu terei de enfrentar a Mãe Terra em Transe no sábado, estava aqui pensando se vc não poderia fazer a caridade de fazer amor comigo na terça.

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  • Comentários
  • por Sergio Luiz Sant Anna, em 09 de Novembro de 2009 às 13:35 Cara, parece aqueles diálogos de filmes lisérgicos feitos pelo cinema novo. Teve um filme que assisti, mais ou menos na época em que o pequeno príncipe Ronnie Von despirocou e resolveu fazer dois álbuns lisérgicos, em que um cara bárbaro aparece em uma sociedade civilizada futurista baseada em um livro secreto chamado Oroz. E o negócio era pra lá de viajante até descobrir o livro que movia a fé e cultura da população futurista era "O Mágico de Oz".
  • por A. Pepe, em 06 de Novembro de 2009 às 23:48 Lol, Quadrado.
    Enquanto lia ri tanto q perguntaram-me se eu poderia contar a piada em voz alta.
    Entre outras, fiquei pensando, o que exatamente a expressão "do peru" quer dizer!? Qdo era criança, diziam que eu era do peru qdo eu bagunçava...
    bjs
  • por Evandro Alexandre, em 06 de Novembro de 2009 às 17:35 Me lembro de um programa em FM, que eu tinha no Sul de Minas, e fazíamos perguntas bizarras para o povão, nas ruas.

    Ao perguntarmos, na época, ao atual prefeito da cidade, o que ele achava da reabertura dos esfíncteres em todo o município, o mesmo nos respondeu:

    Sou totalmente à favor, e quando se falar em reabertura, podem contar comigo!
  • por Almanakut Brasil, em 06 de Novembro de 2009 às 17:28 "A fé move montanhas, mas eu prefiro dinamite."

    "Cultura enriquece. Pergunte ao dono de uma escola particular."

    "Não deixe que nada te desanime, pois até um pé-na-bunda te empurra prá frente."

    "Nossa casa será um hospício pois somos loucos um pelo outro."
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