Postado por Adriano Quadrado em 28 de Dezembro de 2009 às 11:32
Agora os blogues têm dessas de categorias. Que inferno. O fulano, além da tarefa ingrata de manter um blogue (isto é, algo que ninguém lê), ainda fica queimando a pestana para enquadrar seus posts em categorias. Tudo culpa do sangue ruim do Aristóteles de Estagira, o primeiro caso crônico de transtorno obsessivo-compulsivo da história, ele e as malditas categorias-gavetinhas-virginianas dele, aquele fio dua égua. E eu boto este meu post em que categoria? Na categoria "Filósofos que sofrem de TOC", na categoria "Óteles, óteles, óteles, pau no couro do Aristóteles", ou na categoria "Blogue é fado"? Sugestões serão bem vindas.
Comentários (6) »
Postado por Adriano Quadrado em 28 de Dezembro de 2009 às 00:06
Relaxar ou tensionar os ombrinhos, eis a questã (sic). Porque, comparado com bichos e aranhas e sóis, passarinhos e flores e piupius, sempre serei um macaco.
Aí a verdade, me acho tão sofisticado mas não sou melhor que os animais sentados no zoo. A única hora em que me sinto bem é quando subo e desço do coqueiro, humpf... (não me sinto seguro neste mundo no more, nem quero morrer num cogumelo atômico, socorro).
Acho que sou muito bacana porque vivo minha vida como um bom homo sapiens. Acho que sou educado e civilizado porque sou um vegetariano. Mas —eis tudo, eis tudo— se tu topares ser minha moça-mico tudo se ajeitará: te esquento, me sanas, voilà.
E ouviremos a cançã (sic). E cantaremos juntinhos a letra da cançã. Chuque-chuque-baibai.
Comentários (0) »
Postado por Adriano Quadrado em 11 de Dezembro de 2009 às 00:05
Quando Sidarta tornou-se o Buda, conta a tradição, ele finalmente pôde se ver livre do que poeticamente foi chamado de o "construtor da casa", isto é, os resquícios de desejo e aversão, os condicionamentos mentais não superados que provocavam a sucessão de encarnações. A cada morte seguia-se um novo nascimento, um nova casa para apriosionar a alma, forjada a partir dos apegos e repulsas colecionados na vida anterior.
Anos depois de ter saído de seu palácio em busca do fim do sofrimento, Sidarta, agora Buda, cumpria finalmente a missão a que se propôs, de se libertar de todas as amarras, de todos os condicionamentos, de tornar impotente o construtor de casas. Assim segue a música, contando o que teria dito o Buda após a iluminação:
Tantos nascimentos tive neste mundo,
Buscando em vão pelo construtor desta casa,
Procurando e procurando,
Tomei novo nascimento, novo sofrimento.
Ó, construtor de casas, agora te vi,
Não podes mais erguer uma nova casa para mim.
Todas as vigas foram quebradas, a cumeeira foi despedaçada,
Minha mente está livre de todo o condicionamento do passado
E não tem mais qualquer desejo pelo futuro.
* O post anterior me inspirou a fuçar no velho hd em casa e achar este texto publicado em 5/12/05, num antigo blogue chamado yoga & meditação.
Comentários (0) »
Postado por Adriano Quadrado em 08 de Dezembro de 2009 às 17:56
Aí o povo diz que não devo dar moleza ao meu guri pra ele não ficar manhoso e infeliz quando crescer, com "baixa resistência à frustração". Finjo que sou brabo e brigo de brincadeirinha com ele. Na verdade, não ligo quando meu filho me dá um murro nos ovos, acho bacana e tudo, atitude afirmativa e o carvalho, mas não posso. Então penso em Buda, o cara mais mimado da história, que não se fez de rogado.
Diz a lenda que o pai do príncipe Sidarta mimou o filho pra estragar mesmo. No palácio, só gente jovem e bonita, rango à vontade, cerveja Guinness, baladas intermináveis, pamonha da lata e mulheres seminuas fazendo guerra de travesseiros de seda. Todo traço de velhice, doença e morte foram mantidos longe da vista do pequeno príncipe.
Mas ele, segue a lenda, certo dia conseguiu furar o bloqueio imposto pelo pai e foi além dos muros do palácio. Viu velho, doente e cadáver, todos pela primeira vez na vida, que ele descobriu ser ingrata. Largou tudo disposto a encontrar o remédio para o sofrimento e assim o fez, tornando-se talvez o homem mais perfeito a andar sobre a terra.
E eu vou cá ficar chateado com um peteleco nos ovos? Pô, deixa o moleque.

O Iluminado prestes a me dar um peteleco pelo post infame
Comentários (0) »