Quando Sidarta tornou-se o Buda, conta a tradição, ele finalmente pôde se ver livre do que poeticamente foi chamado de o "construtor da casa", isto é, os resquícios de desejo e aversão, os condicionamentos mentais não superados que provocavam a sucessão de encarnações. A cada morte seguia-se um novo nascimento, um nova casa para apriosionar a alma, forjada a partir dos apegos e repulsas colecionados na vida anterior.
Anos depois de ter saído de seu palácio em busca do fim do sofrimento, Sidarta, agora Buda, cumpria finalmente a missão a que se propôs, de se libertar de todas as amarras, de todos os condicionamentos, de tornar impotente o construtor de casas. Assim segue a música, contando o que teria dito o Buda após a iluminação:
Tantos nascimentos tive neste mundo,
Buscando em vão pelo construtor desta casa,
Procurando e procurando,
Tomei novo nascimento, novo sofrimento.
Ó, construtor de casas, agora te vi,
Não podes mais erguer uma nova casa para mim.
Todas as vigas foram quebradas, a cumeeira foi despedaçada,
Minha mente está livre de todo o condicionamento do passado
E não tem mais qualquer desejo pelo futuro.
* O post anterior me inspirou a fuçar no velho hd em casa e achar este texto publicado em 5/12/05, num antigo blogue chamado yoga & meditação.


