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Postado por Adriano Quadrado em 08 de Agosto de 2010 às 02:47

 

eu faço meu escândalo quietinho...

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Calor de aleijar camelo*

Postado por Adriano Quadrado em 06 de Agosto de 2010 às 11:13

 

Absolutamente todas as pessoas a quem informei que me mudaria para RP (aka Big Black Creek) me avisaram que aqui faz um calor saariano. Todas. Dezenas delas. Algumas, aliás, que nunca estiveram aqui, que não obstante garantiram ser um calor de matar. Pois bem, é quente mesmo. Neste inverno, enquanto SP (aka Primeiro Comando da Capital) bate os dentes, RP sua a sunga igual ao seu Ariano meninote ainda em Nossa Senhora das Neves (aka João Pessoa, aka Johnny Dude).

Aqui em RP, os próprios pretanos continuam a me dizer sem parar que o calor é de derreter piche. Não aguento mais gente falando do calor, que o calor isso e aquilo, que vou me arrepender dos meus pecados, que vou sonhar com a Sibéria etc e tal. Bem lhes lembro que, apesar de paulistano, já morei em Natal e Salvador, que sou cabra afeito ao mormaço e ao suor, mas não adianta. Me pedem que espere pra ver o verão chegar.

Sempre achei, porém, que era falta de assunto dessa moçada toda, porque falar de meteorologia é a pala suprema da carência de mote pra assuntar. Continuei sustentando que aqui nem faz tanto calor, insisti que era boiolice geral e irrestrita. Até semana passada.

Vinha eu andando pela ilha da Avenida Independência quando a velha Hilde, a douda polaca do bairro, colou em mim para pedir trocados e reclamar do calor invernal. Dei fumo à velha, mas pedi que parasse com essa conversa sobre famoso calor destas plagas, que não acreditava naquilo, que era frescura das grandes. Aí a velha, diria Nelson Rodrigues, de olho rútilo e baba bovina, me pegou pelo colarinho e soltando perdigotos na minha face disse no sotaque rouco:

- Meu filho, aqui em Ribeirão faz um calor de aleijar camelo!

Suando, sob o sol inclemente desse veranico dos diabos, fugi da velha e corri pro bar da esquina tomar uma Fors Cola. Fui me acalmando e pus as ideias em ordem enquanto o pulso amainava. Disse a mim mesmo novamente que não é possível que faça tanto calor assim em RP. Eis que entra um colega do Rio, como eu migrado pra cá, senta-se à mesa e rouba um gole da minha Fors. Já sem muita convicção, conto a ele minha teoria sobre o calor imaginário e absurdamente inflacionado deste povo, achando que ele, carioca, concordaria comigo e diria ser pinto o verão de RP. Mas qual. Com a expressão seriíssima, ele me conta:

- Cara, eu gosto de morar em Ribeirão. Mas o que é sinistro aqui é o calor. Esse calor de matar bode, de entristecer hipopótamo que faz nesta terra. Você vai ver. É muito pior que o Rio. Mil vezes pior. Aqui não chega a 40 graus como lá, mas a sensação de calor é insuportável. Aqui é um buraco sem vento, parece o inferno. Você vai ver quando o verão chegar. Eu sempre digo. Se aqui fizesse os 42 graus que faz no Rio, morria todo mundo.

Pedi a conta. Corri pra casa deprimir no ar condicionado. Ainda quero achar que é só boiolagem e falta de assunto. O tempo dirá.
 

 

* Este texto, com esta mesma imagem, postei no meu blogue pessoal (que não existe mais, mas que ficava no endereço quadrado.com) há exatos quatro anos. Esse tempo depois e o calor anda sumido...

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o retrato de cid quando jovem

Postado por Adriano Quadrado em 06 de Agosto de 2010 às 03:17

 

O que pode ser mais careta e coroa do que as chamadas cheias de gírias "jovens e descoladas" da rede Globo? Sabe quais, né?, aquelas assim: A galerinha vai armar altos lances para conquistar essa tremenda gata! ou então Vão rolar altos papos e muita azaração nesse jogo que é a maior adrenalina!... Aliás, por que a rede Globo acha que o mundo é o Rio? Azaração de cool é whola.

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Duas

Postado por Adriano Quadrado em 04 de Agosto de 2010 às 17:45

 

Coitado do meu blogue, mais uma vez. Desde o último post, o Chico já deve ter reencarnado. Então, pra tirar as aranhas, vamos com duas versões sobre o tema carpe diem, uma galhofeira, pelo genial Larte, outra séria, do livro Um Curso em Milagres, assim:

1)

2)

Podes imaginar o que significa não ter cuidados, preocupações, ansiedades, mas apenas ser perfeitamente calmo e sereno o tempo todo? No entanto, é para isso que serve o tempo, para aprender só isso e nenhuma outra coisa.

(UCEM, p. 319)

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O filme do Chico

Postado por Adriano Quadrado em 10 de Maio de 2010 às 18:07

 

Chico Xavier, o filme, ultrapassou a marca dos 3 milhões de espectadores. Eu, um deles, não concordo com as críticas que leio. Há nelas sempre aquele tom de reprovação quando falam das pessoas rezando com os olhos úmidos durante a sessão, do cinema que se transforma em igreja. Temos essa ideia ingênua de que, no mundo laico, estamos à parte das "rezas". Tudo é, porém, sempre o mesmo campo de experiências para a consciência. A oração no filme do Chico e as emoções ruins que nos brotam na sessão de A Hora do Pesadelo, digamos, são o mesmo fenômeno em frequências diferentes, faixas diferentes sintonizadas pela mente. Mas ninguém critica o Pesadelo. Ninguém acha que aquelas emoções são uma reza a sua maneira e que, assim como as orações, têm consequências.

Má vontade à parte, a verdade é que o filme é bom e vem cumprindo sua função muito bem. A história de Chico na tela é o lembrete sobre o homem que até outro dia morava ali em Minas realizando o milagre de ser altruísta numa terra de egoísmo, independentemente da religião ou do ateísmo que o espectador professe. A função do filme é justamente esta - ele serve para que as pessoas se lembrem do médium, fiquem curiosas sobre ele, busquem novas informações, questionem o próprio materialismo e, se for o caso, sejam convertidas ao espiritismo ou reconduzidas a sua velha religião esquecida. Senão, ao menos para que possam se lembrar de como se reza um Pai Nosso, depois de tanto tempo. Não é pouco.

Comigo foi assim. Depois do filme, fiquei com vontade de ler - e já estou terminando - o livro no qual foi baseado. Lendo-o, entendo como Chico foi quem, em grande medida, fez do Brasil o país do espiritismo. Lendo-o, me envergonho de minha vidinha besta, de meus muxoxos e esperneios, de meus desejos idiotas e do fato de não ajudar ninguém. Vendo um, lendo outro, vislumbro a estatura espiritual de Chico Xavier, entendo mais sobre sua missão evangelizadora, os 400 e tantos livros que foi incumbido de escrever. Sou inspirado pelo médium que tocou incontáveis vidas - aqui e no outro mundo - e ainda tocará, agora graças também ao filme que fizeram sobre ele.

 


PS - ah, sim, também graças ao filme descobri a histórica entrevista dada pelo médium em 1971 ao programa Pinga-Fogo. Abaixo, trecho muito engraçado do Chico falando de seu medo de avião, quando foi repreendido pelo guia espiritual Emmanuel. Afora a graça, é um dos exemplos de sua tocante humildade. Vale o clique.

 

 

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