Jornal A Cidade
Jornal A Cidade Fechar

Aguarde um momento...Carregando

Jornal A Cidade

Seu jornal. Sua cidade.

Ribeirão Preto, 30 de Julho de 2010

Blogs \ Adriano Quadrado

RSS
Blog de Adriano Quadrado

Buda mimado

Postado por Adriano Quadrado em 08 de Dezembro de 2009 às 17:56

 

Aí o povo diz que não devo dar moleza ao meu guri pra ele não ficar manhoso e infeliz quando crescer, com "baixa resistência à frustração". Finjo que sou brabo e brigo de brincadeirinha com ele. Na verdade, não ligo quando meu filho me dá um murro nos ovos, acho bacana e tudo, atitude afirmativa e o carvalho, mas não posso. Então penso em Buda, o cara mais mimado da história, que não se fez de rogado.

Diz  a lenda que o pai do príncipe Sidarta mimou o filho pra estragar mesmo. No palácio, só gente jovem e bonita, rango à vontade, cerveja Guinness, baladas intermináveis, pamonha da lata e mulheres seminuas fazendo guerra de travesseiros de seda. Todo traço de velhice, doença e morte foram mantidos longe da vista do pequeno príncipe.

Mas ele, segue a lenda, certo dia conseguiu furar o bloqueio imposto pelo pai e foi além dos muros do palácio. Viu velho, doente e cadáver, todos pela primeira vez na vida, que ele descobriu ser ingrata. Largou tudo disposto a encontrar o remédio para o sofrimento e assim o fez, tornando-se talvez o homem mais perfeito a andar sobre a terra.

E eu vou cá ficar chateado com um peteleco nos ovos? Pô, deixa o moleque.

 


O Iluminado prestes a me dar um peteleco pelo post infame

Comentários (0) »

Gerações

Postado por Adriano Quadrado em 25 de Novembro de 2009 às 11:43


Nicolau Quadrado era lenhador de camisa xadrez, derrubava árvores com o punho português e cuspia os sebos extras dos salpicões que levava nos bolsos. Atrás dos montes fazia o frio danado de antes do aquecimento. Mas Nicolau, com algo da Rússia nos sobrolhos, não se embuçava. Enfezou para câmera na única imagem que veio de si ao Brasil.

Manuel Quadrado costurava na singer, fazia desenhos de moças com caracóis nas orelhas e era um seriíssimo comedor de tremoços, conhecido em toda a Ibéria. Era assim uma espécie de Winston Churchill dos pobres de Pinelo. Achava que a relação cossanguínea não era má. Dava paulada nos filhos ou assim o parecia. Morreu tomando café.

António Quadrado era artista incompreendido. Estudioso de Kant, quis plantar árvores e as plantou, mas elas por vezes tinham sede. Cozinhava carneiros, búfalos, t-rexes e cachalotes sem se assombrar. Seu bicho de pelúcia era um cachorro de estimação com nome do deus grego pai de Esculápio. Morreu depois de vencer (e rir à farta de) dezesseis cânceres, pois não pôde com o décimo sétimo tumor.

Adriano Quadrado foi cônscio plantador de amendoim a partir da segunda década do século 21. Costumava mofar os minducas para ter alucinações ao comê-los. Passou seus últimos anos cantando o nome de Hari, chegava a ver a face do Senhor nas verrugas vermelhas que tinha infinitas no peito, mas nunca deixou de lado a malícia. Esclerosou cedo, diziam os detratores, mas qual. Vangloriava-se de ser o mais modesto homem do mundo. Morreu aos 87 do coração.

Diego Quadrado levava jeito de ser o Narada brasileiro, só que o sacaneavam pela baixa estatura. Viveu na praia por longos anos e tomava cocos com fascínio e diligência. Vagou por desertos chupando xiquexiques quando o aquecimento global pegou. Tinha saudade do frio sentido pelo trisavô. Velho, já de fralda geriátrica, fazia mijar de rir a criançada com suas histórias sobre tremoços, amendoins, t-rexes e salpicões. Morreu de mahasamadhi em 2097.

Comentários (5) »

Deus não está nem aí

Postado por Adriano Quadrado em 23 de Novembro de 2009 às 20:42


De saudade, andei ouvindo no youtube velhas músicas dos Raimundos. Depois encontrei links de depoimento do Rodolfo, que virou evangélico. Por fim, li texto e vi vídeo sobre show dele com o Catalau, ex-Golpe de Estado, hoje pastor.

Há entrevistas de ambos, agora mais gordinhos e com jargão dos cristãos renascidos: derrotar potestades, glorificar o nome, transformar vidas.

A impressão é a de que houve mudança total, mas no fundo -- aí vem a tese -- é sempre o mesmo velho ego com uma estratégia diferente de sobrevivência. As conversões acontecem porque a mente muda de tática. Antes o projeto de ego era o de pop-star doidão, agora é o do "servo do Senhor". O homem é o mesmo.

Não vou negar que possa haver conforto e crescimento espiritual na igreja do Raimundo e do Catalau. Não sei das alegrias e experiências que tiveram na religião. Apenas digo que a transformação não é tão grande quanto se quer vender. Senão, basta ver os jovens pulando e batendo cabeça na plateia como qualquer show normal -- ou "do mundo", como diz o crente.

Lá está a mesma fúria vital que vem das tripas de qualquer homem e dizer que aquilo na verdade é para "tranformar um palco de morte num altar de vida" não muda muita coisa.

O cara é crente, como poderia ser punk, emo ou gavião da fiel. São estratégias de sobrevivência do ego e, no fundo, ele está mesmo a fim de azarar a moça ao lado, seja qual for o cenário. Se o xaveco vai partir de Esaú ou Hendrix é só detalhe.

Agora, evidente, os caras pararam de tomar montes de drogas e isso, sim, faz bastante diferença. Para vida, para a saúde, para a sanidade mental. Nesse sentido, a conversão fez muito bem a Rodolfo e Catalau.

Arrisco a dizer que largar o vício químico seja o grande barato da conversão. Em uma das entrevistas, Rodolfo diz que não aguentava mais ter que representar o personagem doido do cantor raimundo, com as drogas e a panca de pop-star toda que fazem parte do pacote.

Ele hoje está livre disso, mas no lugar tem que carregar o novo personagem crente e ficar se justificando, tentando convencer os outros de que foi uma boa, de que ele não pirou no fanatismo. Ainda se escora, agora na regilião, afinal custa carregar-se sem muletas seja elas quais forem.

O problema é que a vida de pop-star também tinha sua graça -- pelo menos é mais honesta com os humores que vêm das tripas -- e ficar nessa cantilena judaico-cristã dum deus mau-humorado como Javé também tem seu preço. Precisam acreditar que fizeram a escolha certa, então têm de converter os outros para convencer a si mesmos disso. Mas não duvido que a nova vida sem vício lhes pareça uma bênção.

Só não consigo achar que o "Rei Jesus" esteja ali de olho, "operando na vida daquela pessoa", preocupado em ganhar a corrida contra o chifrudo. Também não acho que o pé na jaca seja uma coisa tão feia e condenável assim, uma obra do mal. Jaca e religião surgem ambas da mesma dança do universo.

Ao contrário do que pensa o ego em suas estratégias de sobrevivência, nossa historinha de vida não tem a menor importância e Deus não está nem aí para ela.

Comentários (5) »

Ifá

Postado por Adriano Quadrado em 16 de Novembro de 2009 às 11:39

 

Quando atravessou o portal da realidade-geleia, Tanidíase era moça de dezessete anos, coitada. Não pelo tempo de vida, claro, mas pelo nome: Tanidíase. Um certo som de moléstia infecciosa no nome, um desgosto, um dessabor de falar essa palavra esquisita.

Num domingo, nasceu para ser registrada Tanidíase de Oliveira Spuns. O Spuns por si só já era um caso à parte, por causa do mulher-colher, mas a bronca mesmo era com o Tanidíase, jeito, som de coisa estranha, absolutamente sem razão. Preferia ser chamada de Dani. Era perguntar seu nome e ela dizia Dani. O problema é que era frequente alguém dizer "adoro Daniela", ou então perguntar "Daniela ou Daniele?", e aí a confa constrangedora se instalava.

"Poxa, meu nome nem é Daniela, é Tanidíase", dizendo quase como pedindo desculpas, encolhendo os ombros e apertando os olhos, como quem espera por uma paulada nas costas. Pobre Tani, digo, Dani.

A senhorita Spuns compartilhava sua sina com outros dois irmãos: Claustério e Mofagom. Mas, sabe como é, homem tem direito de ser estranho. É, homem pode se vestir mal e ter pança, sempre haverá alguém que o queira assim mesmo. Mas mulher não. Mulher sempre tem de andar bonita, cheirosa, bem vestida, cabeluda, feliz. Sempre tem de ter nomes que despertem felicidades, sons como Renata, Paula, Flávia, Lucila, Cristina. Então os irmãos Claustério e Mofagom se constrangiam, mas nem tanto, mesmo porque o primeiro era chamado de "Piu" e o segundo de "Louro", como se fossem dois pássaros da fauna tropical, pois pareciam mesmo uns passarinhos na leveza de cabelitchos esvoaçantes.

E se alguém perguntasse "por que Piu?", o menino-sanhaço dizia "porque sim, ué", com a despreocupação autossuficiente que os machos da espécie são treinados a demonstrar. Só que a senhorita Spuns desgraçadamente não desfrutava da mamata: ensinaram-lhe que mulher tinha de se justificar.

Uma coisa ela adorava fazer: inventar nomes gozadinhos. Havia, na verdade, duas coisas que ela adorava fazer: "campeonato de cabelo" com as amigas e inventar nomes esquisitos para os soldadinhos do irmãos Piu e Louro. O campeonato de cabelo, elas faziam quando se empamonhavam. Eram todas cabeludas e, quando chapadas, ficavam em frente ao espelho da cômoda da mãe da Clarinha bolando penteados malucos. Ganhava o que provocasse mais risadas nas meninas. O outro passatempo era solitário e secreto. Abria o velho baú de brinquedos dos irmãos e ficava conversando com os bonequinhos, inventando nomes para eles, palavras bem diferentes e engraçadas: Tidó, Mitufo, Tadisleu, Minotauro Jones, Fulipamanacã, Tat-Sum-Dum, Camicase dos Pobres, Milho Chicago, Bisgotinho, Tendeiro de Dona Mufá, Minuto Secreto, Pimbum Dourado, Sagiquinho, Dodão e também Alberico, disparado o nome mais comum de todos.

Dani era mesmo uma mulher muito inteligente, criativa e sensível. Gostava muito de morar dentro de seus pensamentos e sonhos, sendo para ela um choque voltar ao mundo onde as pessoas a chamavam de Tanidíase. Era como uma pancada violenta. O nome, quando dito pelas pessoas que o estranhavam, isto é, quase todo mundo, provocava um peso, uma pressão na nuca, na medula. Era horrível. Mas no mundo dela, onde os bonecos tinham nomes mais estranhos ainda, tudo estava bem e a salvo da sanha gozadora de Alessandras, Pedros, Marianas, Mários e Andreias, pessoas que tinham a sorte de ter um nome ordinário.

Um momento transformador na vida da jovem Spuns foi quando ela descobriu os nomes dos orixás do candomblé. Eram tão lindos, absolutamente maravilhosos, sonoros, coloridos e saborosos: Iansã, Ogum, Ogunjá, Xangô, Oxumaré, Tempo, Oxalá, Iemanjá e, principalmente e acima de todos, Ifá, o nome do jogo de búzios da Umbanda. Como era lindíssimo esse: Ifá.

Ela repetia com toda a intensidade dentro de seu coração e de sua mente: Ifá, Ifá, Ifá. Que maravilhoso esse som! Como ela adorou tudo aquilo, como quis morar na nação iorubá dos sons perfeitos.

Mas sempre tinha de voltar para o mundo dos sons comuns, onde estranhamente se chamava Tanidíase. Por isso, acabou optando por Dani mesmo. Muitas vezes passava batido, nem todos lhe diziam que gostavam de "Daniela" e ela não precisava encolher os ombros esperando pela paulada.

Se era bonita ou feia, não se permitia tanto conjeturar, pois o nome Tanidíase a dominava por completo com uma força tirana, sólida de aço eterno. Há força no nome. Aprendera que o mundo todo fora criado depois que o Criador moveu seus lábios. O som Tanidíase moldou-lhe, portanto, a vida e as experiências fundamentais da sua existência. Até o dia em que tudo isso mudou.

Foi como o nada, o inesperado, algo que poderia nem ter acontecido, mas que aconteceu. Foi ouvindo o álbum branco dos Beatles, bem na música Rocky Racoon, que ela entrou no mundo da realidade-geleia.

A música contava a história de uma menina que tinha três nomes. E naquela hora o tempo prendeu o fôlego:

Her name was Magill
And she called herself Lil,
But everyone knew her as Nancy

Quando Dani escutou isso, ah, ela voou. Entendeu que aquilo era um déjà-vu que tinha anzol no passado, na cabeça do Paul, através de um esquema quântico qualquer que permitiu a ela, antes de ter nascido, entrar na cabeça dele e soprado a moral da história, no caso da sua própria história: a da menina dos nomes.

Quando entendeu isso, houve um estalo no tempo, como as vigas de madeira que se ajeitam na madrugada de uma velha casa. As paredes começaram a brilhar de forma diferente aos olhos da jovem Spuns. Todo o mundo parecia que começava a se liquefazer. Começou a virar geleia, tudo: parede, armário, cd player, espelho, cômoda, cama, porta-retrato, luzes, chão, ar.

Dani então percebeu que poderia moldar a realidade como quisesse, nada havia que não fosse inteiramente modelável, como geleia, como os infinitos sons dormentes na língua do Criador. Aí, feito o feiticeiro Juan, ela parou o mundo e mudou seu nome, portanto sua história.

Decidiu se chamar Ifá.

Comentários (7) »

Tecos de e-mail (reloaded)

Postado por Adriano Quadrado em 06 de Novembro de 2009 às 10:59

 

Esta é velha. A primeira vez em que a brincadeira "tecos de e-mail" foi publicada foi em 1997, num site experimental chamado Jimi Hendrix de Almeida, feito em parceria com amigos. Depois, em 2002, eu repeti a brincadeira no site quadrado.com (hoje fora do ar).
 
O lance era pegar trechos de e-mails efetivamente trocados com diversas pessoas, pinçar esses trechos mesmo, fora do contexto, e colocá-los na sequência. O resultado seria uma colagem de frases divertidas, inusitadas, mesmo que isso não fizesse sentido.
 
Os fragmentos de e-mail abaixo são parte dessa segunda encarnação da brincadeira, portanto com mensagens trocadas até 2002. A grande maioria dos textos abaixo foram redigidos por mim, em e-mails reais enviados a amigos. E relê-los me fez pensar que não troco mais e-mails tão divertidos como antes... snif. Mas vamos lá.
 
 
 
O Rajneesh é o cara que hoje é conhecido como Osho, um guru aí que pregava a desrepressão de todos os instintos, a soltura de todas as frangas. Assim como o Reich, psicoterapeuta alemão que escreveu "A Função do Orgasmo", e que, naquele email à lista, eu brinquei que havia inspirado o Robby Rosa (do Menudo) a escrever "Não se reprima".
 
***
 
Explicando: no mundo imaginário e encantado do Julio, e só nele, as lanchonetes do McDonalds fazem hambúrguer de minhoca.
 
***
 
É estranho, já que ninguém tem piedade de vacas, frangos e outros bichos que são criados para serem mortos. Na porrada. Na faca. Ninguém tem nojo de comer salsicha, linguiça, buchada de bode, ostra, arraia, cavalo, cação, porco, javali, jacaré, chouriço, rã. Aaaahh!!
 
***
 
Não sei se a serotonina dá barato ou se vc esqueceu que o ano 2000 foi bissexto, mas teu calendário tá um dia adiantado. Só sei que o Chico pegou uma labirintite bacteriana de tanto fuçar em bibliotecas atrás de informações sobre a civilização Lemuriana.
 
***
 
Confraria Aquariana é um grupo secreto que... bem, é secreto e eu não posso dizer nada pra quem não tenha nascido entre 21 de janeiro e 20 de fevereiro. Sorry, periferia.
 
***
 
Recebemos, mas o cara, como se sabe, tem uma memória de peixe, com duração de 30 segundos. Ela funciona como uma caixa preta de avião, regravando informações novas sobre velhas, portanto não exisitiria qq possibilidade de ele se lembrar de algo ocorrido há duas semanas. Eu, por exemplo, nem fico preocupado do cara se chatear com isso que estou dizendo agora, pois, 30 segundos após ele ler o email e ficar com raiva, tudo será apagado e ele seguirá sua toada pelas águas frias do mar da consciência.
 
***
 
O Filipe fez aniversário ontem mas estava incomunicável. Ele foi pra Ubatuba pegar uma cor e sintonizar-se com as energias telúricas, segundo me informou sua mãe.
 
***
 
Já o "minhoca" eu inventei ontem mesmo pra designar uma "burrice cândida". Acho que tem tudo a ver. Acho que é porque o bichinho é totalmente inocente.
 
***
 
Seu Tiolício e Dona Sastilácia eram cebolistas.
 
***
 
A última vez que encontrei o nobre vovô, eu estava saindo do consultório da minha ex-dentista, na Consolação, e o Brandão estava cachaçando na Casa do Padeiro. Falei oi e perguntei: "pô, começando a beber tão cedo?", ao que o bom velhote respondeu: "Não, não. Tou esticando a balada de ontem a noite. Que horas são?" Eram 10 e meia da manhã. Da segunda-feira.
 
***
 
Nessa sexta, vamos ao Rigas comer pizza de cupuaçu com gabiroba e queijo de baleia. Se quiser mando uma fatia por sedex. E pinta aí em julho pra gente dividir uma mezza-jacaré, mezza-flores silvestres.
 
***
 
Eu assisti o Quills (que aqui se chama Os Contos Proibidos do Marquês de Sade). Achei mezza-bocca. Já o Crouching Tiger Hidden Dragon é do peru. Fui ver duas vezes de tão legal que eu achei. Mas, na verdade, acho que essa é uma posição polêmica, já que a platéia do cinema vaiava todas as vezes que os caras voavam. Não entendo isso. Pô, deixa o cara voar, é ou não é?
 
***
 
Não acho que deveríamos ligar para o que o público espera. O público, aliás, é um mito. É que nem saci. É que nem o "leitor" da Folha. Isso não existe. É lenda.
 
***
 
Furdunços, também acho que estamos dando muita trela pra esses vovôs. Pau neles! Deixemos que o P.A. ataque a primeira música quando só houver na platéia um faxineiro surdo e um eco medonho. Sim, porque essa, como diz o Guto, é a realidade.
 
***
 
Caríssimo Alê Árvore, é uma alegria receber nesta lista de discussão uma das lendas vivas do mundo dos apelidos. Mais ainda se este mito toca comigo na impagável banda "Os Substantivos".
 
***
 
Desenqueine que a vida engueine.
 
***
 
Paulão está mais para "O Rock em Debate" ou, se pans, "A Influência da Música Pop Anglo-Saxônica dos Sessentas na Confluência Juvenil do Terceiro Mundo".
 
***
 
O Grande Arquiteto colocou o sinal do céu. Não sei pq, mas colocou. Para nós que estamos presos na ilusão desse mundo, a paradinha zodiacal é mesmo de zoar.
 
***
 
Falando nisso, Fabão, não aconselharia chamar ela ou qq outra mina para a banda. Já tive essa experiência e, acredite, não é bom. Sempre rola uma tensão sexual entre a mina e um ou mais fulanos da banda. Rolam namoros/rolos eventuais. Daí que a banda vira coisinha de casal, com ciuminho e estressinho. É uma lástima, believe me. Quando o casalzitcho está bem, rola um lance de "superindivíduo", um monstro formado por duas cabeças, oito membros e dois sexos, um bicho que, por ser "super", resolve tomar conta da banda como faria o casal se estivesse escolhendo um chalezinho "supergracinha" pra passar uma lua de mel. Quando estão mal, a coisa azeda e o som fica uma merda.
 
***
 
Naquela época também, eu ainda não havia iniciado minha vida romântico-sexual, por causa da timidez excessiva e tb por falta de hormônios, acho, que chegaram com força um pouco mais tarde. Por isso, conheci as meninas bem pouco e muito superficialmente. Tive alguns amores platônicos. E não foram fracos, não. Tinha algumas musas, em silêncio. E muitas outras atrações pré-adolescentes. Aquelas calças de abrigo (e depois as jeans) eram ótimas.
 
***
 
Não, Rodrigão. Na verdade, ela já foi, mas acabou entrando numa "dobra tíltica do tempo", a mesma do Tico Terpins, quando diz que "hoje é o passado do futuro".
 
***
 
É mais ou menos assim: as mensagens que seriam mandadas no dia 9 de agosto (o que significa hoje, para nós, menos para a Cássia) escaparam do "buraco negro do tempo" do futuro e chegaram pra Cássia antes, tipo comecinho de agosto do "frame" temporal deslocado em que ela está vivendo. Daí que ela respondeu essas mensagens antes de ir pro Nordeste em 5 de agosto de 2001, coisa que realmente ela fez.
 

***
 
Isso vem de um tronco do Jnana Yoga chamado "Tilt Yoga". O tilt, no caso, vem das máquinas de flipper que dão um tranco quando vc balança demais as bichinhas. O objetivo do iogue no tilt yoga é pensar numa coisa "tíltica" (como a história do "som de palmas batidas por uma mão só" ou do "tão rápido que fechou a gaveta e ainda deu tempo de jogar a chave dentro") e ficar pensando nisso até dar tilt no "célebro" e, nessa hora, transcender.
 
***
 
Causídicos, não tenho nada a ver com o pato (peixe?), mas vou meter o bedelho só por amor à redação de e-mails.
 
***
 
Em muitos casos, acho que a criatividade ou a percepção mais aguçada é dada para certos indivíduos que, como indivíduos, como "pessoas humanas" (pra usar um clichê-pleonástico-esô), são uns manés.
 
***
 
À luz da maturidade, posso reafirmar pra vocês: o Paul Dianno é bem melhor que o Bruce Dickinson. E assunto encerrado!
 
***
 
E, pra não deixar de ser, segue mais uma listinha de velharias: Kikos Marinhos, carteira emborrachada da OP, Dudu França cantando Grilo na Cuca com uma regata preta da Adidas no programa Sílvio Santos, Baby Doc, Guerra das Malvinas com mísseis Exocet e caças C-Harrier, Jorge Mendonça, Esquerdinha, Baroninho e Rui Rei, Emmo correndo de Copersúcar, Luciano do Valle na Globo, Carioquinha, Marcel, Ubiratan e Oscar (esse ainda não desistiu, parece), Carlos Alberto Kirmair, Ricardo Prado, São Silvestre de noite, Passat Pointer, GP do Brasil em Jacarepaguá, José Maria Marin prefeito biônico substituto de Sampa (argh!!), a época em que apagão chamava blackout, programa TV Mix 2 com Astrid (meio-dia) e TV Mix 4 com Sérgio Groissman (de noite) na TV Gazeta, Arakén o showman, Djalma Jorge Show na Jovem Pan, febre do cubo mágico e seus imitadores (tipo aquele dos elos), Uri Geller entortando colher, casos fantasmagóricos do Fantástico, tipo "O morto que riu", Caso Verdade do Antoninho da Rocha Marmo, Vereda Tropical com Luquinha e Bertazo, cometa Halley, ioiô da Coca-Cola (dorminhoco, Torre Eifel, cachorrinho), álbum de figurinha do Governo do Estado que se trocava por nota fiscal, Garibaldo e aquele boneco gordo que ficava no barril: todo dia é dia, toda hora é hora de saber que esse mundo é seu, se vc for amigo e companheiro, com alegria e imaginação, vivendo e sorrindo, criando e rindo, será muito feliz e todos.... serão também tchubidju-bidju-bidju-tchubidju-bidju-bidju.
 
***
 
Bem, voltando, esse "tchon, tchon, tchon, tchon" quer dizer que "tchun, tchun, tchun, tchun".
 
***
 
A música do Lennon, talvez, seja menos radical. Ele ainda expressa algumas idéias do seu passado "crente", como na frase final "and the world will live as one", propondo a unicidade da filosofia hindu em vez da individualidade extremada da Igreja de Satã. Mas a música é satanista de maneira geral, assim como o mundo o é.
 
***
 
Meu ego novo tem vergonha do meu ego antigo.
 
***
 
O ego é assim. Ele nunca desiste, nunca se manca, nunca se toca e é sempre uma coisa triste e sem futuro.
 
***
  
Eu acho que o livre arbítrio é um dos pilares da criação, mas também é um certo embuste.
 
***
 
Como esse negócio não vai dar certo por muito tempo e eu terei de enfrentar a Mãe Terra em Transe no sábado, estava aqui pensando se vc não poderia fazer a caridade de fazer amor comigo na terça.

Comentários (4) »
Busca Avançada