Postado por Angela Pepe em 02 de Maio de 2012 às 18:51
Hoje à noite preciso pegar o debate entre Nicolas Sarkozy e François Hollande que antecede o segundo turno nas eleições presidenciais francesas.
Pego o metrô e tento correr para chegar a tempo de ver o embate. Porém, no vagão do metrô onde me instalo, vem um romeno com alto falante para cantar. Cena comum por essas paragens. Karaokê no último volume. Trem lotado.
Primeiro acorde e já vejo (ouço) a influência brasileira. Olho no livro e ouvido no ar. Michel Teló no karaokê do artista romeno no metrô parisiense. Novidade essa noite. Fiquei à espera para decifrar se ele cantaria ou enrolaria.
O tal do debate ia esperar. Os tímpanos quase estouraram. Afinação, zero. Mas português, caros leitores, ah, com ligeiro sotaque, mas pronúncia ótima. Pelo menos para "balada, menina, se te pego".
Faz tão bem ver (ouvir) nossa língua se difundir assim, mesmo não sendo pelas trovas mais clássicas.
Debate à francesa
Em caso de debate entre candidatos aqui se faz um só na televisão em rede nacional. Dois jornalistas (âncoras) juntos das duas principais emissoras (uma privada e uma pública) são os mediadores do que é transmitido ao vivo nos dois canais. Ao contrário do Brasil onde profissionais de comunicação e TVs disputam egos e audiência. O serviço ao cidadão em primeiro lugar.
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Postado por Angela Pepe em 05 de Março de 2012 às 19:48
Corredor principal da ala permanente do Centro Georges Pompidou com obra "Ten Lizes" de Andy Warhol à direita. Na segunda, dia 5/3.
Nem a crise afasta a tão famosa alegria de viver ("joie de vivre") dos franceses. Em qualquer dia da semana o termo parece estar super em voga. Basta olhar a frequência dos museus, restaurantes, adegas.
Cultura, gastronomia, enologia fazem parte do legado e dia-a-dia francês. O mercado da tal "joie de vivre" é um dos líderes de consumo no país. Além disso, ele não agrega só hedonistas. Cada um com sua dose, mas todos têm acesso.
O que para um povo oriundo de um país em desenvolvimento pode parecer supérfluo aqui é corrente. Vejo isso e penso "quando um país é rico e já atingiu um tal nível, tem de inventar novas formas para gastar seu dinheiro". Digam lá se concordam.
A "joie de vivre" deve existir a partir do fim da Revolução Francesa (século XVIII). Até onde me contaram desde então todos têm tido direito ao pão, ao circo e a livros. Sendo assim, inevitável deixar de consumir a França, mesmo para quem está no Brasil.
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Postado por Angela Pepe em 31 de Janeiro de 2012 às 17:09

Métodos de aprendizado de "brasileiro" à venda em uma das maiores livrarias de Paris.
É mais fácil desaparecer dinheiro da sua conta do que você encontrar um depósito inesperado. Um sentimento tão inútil quanto estar à espera de ganhar na Mega Sena ou no Euromilhões. Mais vale, de fato, levantar cedo e ir trabalhar.
Porém, isso tudo para contar que tive meu cartão de crédito clonado. Sim há quem fure o sistema bancário francês e de outros países da Europa. Uma intromissão sem nome ver débitos de compras que não foram feitas por si.
Esses incidentes fazem a vida soar irônica por vezes. Quando era criança nos idos de 80 na Zona Oeste de Ribeirão Preto ouvia gente influente do país inteiro dizendo que "o Brasil é o país do futuro".
Pois bem, agora o Brasil é o país na crista da onda e, como por acaso, me encontro do outro lado do atlântico no meio da crise. Uma ironia sem fim.
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Postado por Angela Pepe em 06 de Janeiro de 2012 às 21:49

Escultura de Joana d'Arc na rua de Rivoli, próxima ao Louvre em Paris
O ano mudou e a "nova" ordem mundial também. A potência do Brasil diante do mercado internacional faz Europa e Estados Unidos encherem os olhos quando os brasileiros estão prestes a abrir suas carteiras.
Vê-se isso diariamente com os empresários franceses dum lado e os clientes tupiniquins do outro. Em grandes ou pequenas negociações. Para citar um caso e não repetir a notícia da semana: o mutirão de funcionários do consulado Norte Americano no Brasil para aumentar a emissão de vistos aos nossos compatriotas que vão encher o bolso do tio Sam. Além disso, a possível supressão da obrigatoriedade do tal visto. Soa irônico até.
Ordem mundial vai, ordem mundial vem, mas tradições seculares permanecem intactas. Hoje comemora-se os 600 anos do nascimento de Joana d’Arc, a heroína francesa que foi canonizada em 1920. Para ir mais além no tempo e tradição, citemos a Epifania, os reis magos.
Em conclusão, o ciclo nunca se fecha. Seja qual for a ordem mundial ou o século. Protocolos adaptam-se às tradições e o capital, lógico, é sempre a língua universal.
Excelente 2012, caro (raro) leitor.
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Postado por Angela Pepe em 11 de Dezembro de 2011 às 19:21
Apenas três anos e perdeu a vida há 15 dias. Bastien morava na região metropolitana de Paris e foi preso nu na máquina de lavar roupas pelo próprio pai. O homem de 33 anos não só prendeu o filho, mas também ligou o eletrodoméstico. Bastien foi socorrido pela vizinha. Teria chegado ao hospital sem vida.
Não, não é ficção ou filme de terror. Infelizmente.
A história consternou os moradores de Germigny-l'Evêque. Fotos com o rosto do pequeno Bastien foram espalhadas por toda a cidade.
Sinto dor no estômago a cada repercussão deste fato. Porém, deixo o relato com a intenção de mostrar que também há aberrações e atitudes macabras em famílias dos ditos países desenvolvidos. O amor, o ódio e o vício são universais.
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