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Blog de Angelo Davanço

Sobre muros e tijolos

Postado por Angelo Davanço em 04 de Abril de 2012 às 21:20



Aproveitando a passagem de Roger Waters pelo Brasil, corri pegar na locadora o filme "The Wall", lançado em 1982 pelo diretor inglês Alan Parker e que tem Bob Geldorf no papel de Pink, um rockstar junkie atormentado pela infância às voltas com a perda do pai na Segunda Guerra Mundial.
História muito parecida com a do próprio roqueiro britânico que fez dois shows em São Paulo outro dia, arrastando uma legião de fieis ao estádio do Morumbi, porque o Pink Floyd não tem fãs, tem é devotos mesmo.
Em sua época, "The Wall", o filme, foi um sucesso danado. Mais até que o álbum duplo de vinil. O som a gente ouvia em surradas fitas cassete de 90 minutos, gravadas por um amigo, que recebia os discos de um tio que morava no Japão. O filme a gente assistia no Cineclube Cauim, nos bons tempos da sala na rua Lafaiete, 374, um pouco pra baixo da Catedral.


A salvação do mês
Sobre aquele tempo, o sócio-fundador do Cauim, Fernando Kaxassa, relembra: "O ‘The Wall’ era a nossa salvação. Não sobrava dinheiro pra pagar o aluguel, era só passar o filme do Pink Floyd que a bilheteria era garantida". Kaxassa diz que os 288 lugares da sala ficavam lotados. Todo mundo curtindo aquele som meio lisérgico, as caras de doido do Geldorf e as animações viajantes que invadiam a tela. O ponto alto, claro, era quando "Another Brick in the Wall" tomava conta das caixas de som, com aquelas imagens dos estudantes sendo jogados numa máquina gigante de moer carne.


Sessões rock’n roll
Kaxassa lembra que os sete rolos do filme ficavam um bom tempo em Ribeirão. O filme passava durante semanas seguidas, muitas vezes para as mesmas pessoas. Perdi as contas de quantas vezes assisti no Cauim, mas, com certeza, foram mais de dez. Em algumas sessões, o pessoal do vineclube usava o palco da sala para shows antes da exibição, com o som do Zé Maria Paschoalick e a sua banda Brancaleone.


Virou vassoura
Dessa eu não sabia. O Kaxassa disse que naquele tempo pré-DVD e Blu-Ray, os filmes tinham prazo de validade, determinado pela censura. Passava durante um tempo e depois a película tinha que ser destruída. E para não perder dinheiro, sabe o que as distribuidoras faziam? Vendiam para fábricas de vassouras. Veja só, um dia você já varreu o lixo para debaixo do tapete com um legítimo "The Wall" reciclado.


Assista abaixo um trecho de 'Pink Floyd The Wall':

 

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Ribeirão Preto quadro a quadro

Postado por Angelo Davanço em 22 de Março de 2012 às 09:37

Será lançado nesta sexta-feira, dia 23 de março, com evento na Fnac, o álbum ‘Ribeirão em Quadrinhos’, uma publicação que reúne trabalhos de 30 designers, redatores, roteiristas, quadrinistas e ilustradores locais.

Um trabalho de fôlego, que dá um prazer imenso de ler. Tão acostumado a ver os cenários de cidades fictícias, como a Gothan, do Batman, e a Metrópolis, do Superman, não deixa de ser uma agradável surpresa para os olhos e a mente ver ali, no papel, histórias que se passam, talvez, na esquina de casa.

E ainda tem referências que nos remetem a figuras como o Thirso Cruz, que nos deu o Curupira, o Darthan, com sua arte silenciosa, e ao mestre Rubens Luchetti. Esta, sensacional, em que o vigia de um shopping habitado por estranhos seres da madrugada atente pelo crachá de "Rubens".

Para falar sobre a revista, conversei com o organizador dos trabalhos e agitador cultural por natureza, Cordeiro de Sá.
 

Como foi a escolha dos convidados?
Selecionamos os convidados considerando o conhecimento que tinha de seus trabalhos e sua relevância para a cidade.

Ficou gente de fora?
Com certeza! Ribeirão tem muita gente boa e não deu pra contemplar todo mundo. Além disso, faltou mostrar muito da riqueza de lugares e tipos da cidade, isso pede um número 2.

Quer dizer que vem mais por aí...
A ideia é fazer mais álbuns, sim, mas nada periódico. Agora, me dedico a fazer um trabalho em quadrinhos sobre a cultura LGBT. Enquanto isso, aparecendo financiadores interessados, temos tudo para fazer uma nova RPHQ!

E os temas sobre a cidade, como vocês escolheram?
A escolha dos temas e tipos foi feita em um brainstorm coletivo. Depois, sorteamos um tipo, um lugar e uma situação para cada participante e deu no que deu: cadeirante, sorveteria do Geraldo, calor; fantasma, shopping, felicidade; cultura negra, dois gêmeos, estádio de futebol; edifício Diederichsen, viajante, coleção, e por aí foi.

Você se sentiu como nos velhos tempos de produção de fanzines?
Poxa, antes da gente veio tanta gente boa! "Boca de Porco", "O Berro", "Mi acodi Maria!", "A Falecida". Fazer um trabalho desses é honrar esse pessoal que abriu as portas para a produção alternativa.

 

NA INTERNET
Para conhecer um pouco mais sobre a revista "Ribeirão Preto em Quadrinhos", visite a fanpage do projeto: www.facebook.com/ribeiraopretoemquadrinhos

 



Na foto de Rafael Cautella, Cordeiro de Sá, Renato Andrade e Thomate Larson

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‘O Artista’ foi feito para ver no cinema

Postado por Angelo Davanço em 08 de Março de 2012 às 09:05

Parece um título meio óbvio, mas em tempos de DVD, Blu-ray e filmes baixados pela Internet, o recado é mais do que válido.

Esqueça as facilidades do "cinema em casa" e vá para a sala de exibição mais próxima, antes que o grande vencedor do Oscar 2012 saia de cartaz.

Mais do que simplesmente assistir um filme, você vai sentir o poder do cinema. Mudo e mágico, "O Artista" nos leva ao tempo em que os filmes eram feitos de expressões caricatas e histórias de um heroísmo ingênuo. E neste ponto o francês Jean Dujardin ganha de lavada. Suas caretas lhe renderam a estatueta de melhor ator em Hollywood. Prêmio merecido para alguém que teve que concorrer com falastrões como George Clooney e Brad Pitt, entre outros.

Dujardin vive o ator George Valentin, astro dos filmes mudos que reluta em embarcar na nova onda do cinema, que clama por artistas jovens, talentosos e, acima de tudo, falantes.

Bem que Valentin tenta se manter fiel às fitas mudas, mas sucumbe ante a histeria geral despertada pela novidade nas telas. Tudo embalado por uma história de amor com a jovem atriz Peppy Miller e uma profunda amizade com o esperto cãozinho Jack.

Mais que um belo filme, "O Artista" é uma bela experiência de vivenciar a tal "Sétima Arte".

 

MÚSICA

Paul canta jazz
Saiu no fim do mês passado o novo disco de Paul McCartney. Em "Kisses on the Bottom", o Beatle empresta sua voz para standards do jazz das décadas de 20, 30 e 40. Coisas que ele ouvia quando criança, na casa dos pais. Como McCartney não é bobo nem nada, cercou-se dos músicos capitaneados por Diana Krall e ainda chamou Eric Clapton e Stevie Wonder para uma canja. O resultado é um disco light, que o próprio Paul McCartney recomenda que seja ouvido acompanhado de uma taça de vinho ou uma xícara de chá.

Paul canta rock
O novo disco do ex-Beatle me fez lembrar de outro, o "Run Devil Run", lançado em 1999. Neste, Paul McCartney canta petardos do bom e velho rock’n roll dos anos 50. Acompanhado de gente como David Gilmour, do Pink Floyd, e Ian Paice, do Deep Purple, Macca voltou ao lendário Cavern Club, onde tudo começou, em Liverpool, para tocar faixas de Gene Vincent, Carl Perkins e Chuck Berry.

Concluindo
Cá entre nós, prefiro o Paul roqueiro ao jazzista.

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O 3D nas mãos de quem sabe fazer cinema

Postado por Angelo Davanço em 23 de Fevereiro de 2012 às 09:41

Quando "Avatar" foi lançado, há três anos, era enorme a expectativa em torno dos recursos tecnológicos que permitiriam a exibição de imagens em três dimensões. Na época escrevi o texto "Avatar, confesso que dormi" que narrava minha sonolenta experiência de ver uma ou outra pedra voando em minha direção.
Alguns meses depois, lá fui eu novamente colocar os óculos estilo retrô, dessa vez para conferir o que Tim Burton tinha a dizer com "Alice" em 3D. Melhorou um pouco, mas ainda desanimador diante do barulho todo que se fazia pelas três dimensões.
Depois disso, só fiquei sabendo do que acontecia neste segmento do cinema pelas páginas do jornal. Definitivamente, não gostaria de ver um ataque de piranhas assassinas bem na ponta do meu nariz.
Pois agora, nestas semanas pré-Carnaval, me deparei com duas experiências fantásticas envolvendo o 3D: "As Aventuras de Tintim" e "A Invenção de Hugo Cabret". Nada de pirotecnia. A tecnologia usada como um recurso criativo e não como uma muleta muitas vezes desnecessária.
Também, pudera, estamos falando de Steven Spielberg (Tintim) e Martin Scorsese (Hugo). O cinema é feito de gente, não de máquinas.

Um filme fantástico
Era um domingo a noite e eu troquei a revista eletrônica da TV por uma sessão de "A Invenção de Hugo Cabret". Fantástico. Esta é a única palavra para definir o filme de Scorsese. Uma viagem no tempo para pagar tributo aos primórdios da sétima arte. Uma homenagem tocante ao francês Georges Méliès, o mágico que, no início do século passado, percebeu que o cinema era feito de magia.
Com onze indicações ao Oscar, "Hugo" é o meu favorito, com uma menção mais do que honrosa a outro momento mágico do cinema recente, o belíssimo "Meia-noite em Paris", de Woody Allen.

Uma atriz fora de série
É quase impossível sair de "A Dama de Ferro" e tentar imaginar outra atriz para o papel de Margaret Thatcher. Meryl Streep encarnou a primeira-ministra britânica de uma maneira impressionante. E como sempre acontece neste tipo de produção, o filme é ela. Esqueça os cenários, os atores coadjuvantes. Você vai ao cinema para assistir mais um show de interpretação de Streep. É possível até se comover com a história de vida de uma das personagens mais odiadas da recente história da política mundial.

O Brasil no Oscar
Sinceramente, acho que Sérgio Mendes e Carlinhos Brown são dois expoentes da MMB - Música Mandrake Brasileira, mas como eles são "o Brasil na cerimônia do Oscar", vamos ficar na torcida por uma estatueta dourada.
 

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A música 'grudenta' do Procol Harum

Postado por Angelo Davanço em 18 de Janeiro de 2012 às 20:59

Na minha coluna no jornal A Cidade desta quinta-feira (19 de janeiro), eu faço um comentário sobre o filme 'Contos de New York', que assisti nos anos 90, no cinema, e neste início de 2012, na TV. No primeiro dos três episódios do filme, 'Lições de Vida', de Martin Scorsese, o pintor vivido por Nick Nolte trabalha e seu ateliê com uma música no último volume.

Trata-se de 'A Whiter Shade of Pale', um clássico hippie do grupo britânico Procol Harum, que você confere abaixo. E já vou logo avisando: você ficará com essa música na cabeça por horas, talvez dias...

 

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