Postado por Direto da África em 14 de Julho de 2010 às 22:39
No último post aqui da África do Sul antes do retorno ao Brasil, vou me despedir deste país com a certeza de que ficarei com saudades.
A África que não mediu esforços para realizar uma grande Copa do Mundo e que conseguiu marcar um golaço com belíssimos estádios e uma organização que surpreendeu àqueles que duvidavam da capacidade de um país de terceiro mundo em realizar o evento desta magnitude que é uma Copa do Mundo.
Pequenos problemas aconteceram, mas nada que tenha tirado o brilho daquilo que os sul-africanos fizeram. Sim, a África conseguiu. E agora quer mais, ora, porque não. Quem sabe os Jogos Olímpicos, para o qual o país já pinta como candidato. Mas isto, é uma outra história.
Aqui me senti um pouco em casa, pois a África tem muito de Brasil. Tem belezas naturais, tem um povo feliz e guerreiro, assim como tem as suas dificuldades e as suas desigualdades sociais. É um lugar que deixará saudades. Como disse um moçambicano que conheci no Soccer City na final da Copa, se cada turista que veio aqui, contar de fato o que é a África do Sul, certamente outros virão e a imagem deste lugar será levada ao mundo de outra forma, despida de preconceitos e estigmas. Assim, como aqueles que nós brasileiros sabemos que existem em relação ao nosso país. Que pena que o Brasil não ganhou esta Copa. Não só pela representatividade no campo esportivo, mas pelo muito que temos deste povo. A festa seria completa. Mas Dunga, Felipe Melo e companhia não deixaram. Ganhou um Europeu.
Foram 35 dias de convivência com pessoas que o tempo todo mostravam a sua preocupação em agradar e queriam sempre saber o que estávamos achando do seu país. E como foi bom ver a alegria no rosto destas pessoas toda vez que eu dizia ser brasileiro. Tantas portas e sorrisos se abriram. Sim, aqui somos queridos e respeitados.
Por mais de um mês desfrutei da experiência de cobrir uma Copa do Mundo e pude vivenciar coisas novas na minha carreira. Nestas cinco semanas foram muitas emoções. Desde a chegada e o embaraço ao dirigir na mão inglesa [hoje estou craque!], em um mundo novo, com uma Copa acontecendo sob meus olhos. Emoções como a curiosidade em desbravar esta terra, conhecer seu povo, suas peculiaridades. A ansiedade em levar ao Brasil as novidades e fazer uma cobertura com olhos para o que acontecia no dia a dia da seleção, e principalmente, para o que o entorno do Mundial me oferecia.
Teve também a tristeza em ver tantos brasileiros chorando na arquibancada, em Port Elizabeth. E o consolo, e até a compaixão, ao ver nossos hermanos sofrendo ao caírem de quatro. A certeza, de que a Copa ficou em boas mãos.
A euforia em tocar os pequenos leões entre os raros intervalos de trabalho, marcado pelo contato com tantas outras feras que foram entrevistadas.
E o que dizer da experiência de conviver com colegas de mais de 60 países que cobriram este mundial. Todos no mesmo barco da informação.
Ao A Cidade o agradecimento por ter encampado uma idéia que nasceu após 2006, quando eu disse que cobriria a Copa da África, nem que para isto eu tivesse que atravessar o Atlântico a nado. Exageros à parte, a convicção me trouxe aqui e felizmente ao lado de um grande veículo, que marcou um golaço e fez história após seus 105 anos de vida, cobrindo o primeiro mega evento internacional. Me sinto honrado de ter plantado a semente e ter feito parte disto colhendo os frutos juntos.
E a você leitor, obrigado por ter prestigiado este blog e as páginas do A Cidade. Ao africanos e ao mundo nos podemos dizer, como a mensagem da foto ao lado. Nos vemos no Brasil em 2014. Até lá eu volto África!
Fotos: Um pouco de Brasil: a alegria desta gente com a realização da Copa em sua casa. Festa nas ruas e nos estádios. Viva as vuzuzelas!


Fotos: A desigualdade: favelas e pobreza contrastando com o luxo dos carrões que circulam diariamente pelas ruas de Johannebusrgo
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Postado por Direto da África em 13 de Julho de 2010 às 17:30
A Copa de 2010 terminou e a Fifa apresentou ontem os números desta 19ª edição do torneio. A entidade mais uma vez comemora o sucesso de público, e principalmente financeiro. Os temores de que os estádios poderiam não ficar cheios durante o Mundial não se confirmaram. Os números mostram que 3.178.856 pessoas assistiram à Copa nos dez estádios. A média de público foi de 49.670 torcedores.
Boa, se considerarmos que o Mundial foi realizado em um país de terceiro mundo, com problemas financeiros e de grande desigualdade social.
Os estádios da Copa receberam 92,9% da sua lotação nos jogos da Copa, de acordo com o relatório da entidade, divulgado ontem. Foram vendidos 3.003.479 ingressos. A diferença entre a presença e os vendidos é que os convidados e jornalistas credenciados também entram no público oficial dos jogos.
Na final foram registrados índices altíssimos de audiência, principalmente na Espanha e na Holanda. Na Espanha 13,4 milhões de pessoas ficaram diante da TV, com 78% de market share. Na Holanda, foram 8,5 milhões, mas com market share maior, devido ao número da população inferior ao da Espanha: 90,6% de market share. Antes, na Alemanha, 32 milhões de pessoas [40% da população] assistiram à semifinal contra a Espanha, batendo um recorde na TV daquele país.
Se os números foram bons nos estádios, diante da TV os sul-africanos também registraram recordes. 10,1 milhão de pessoas viram o jogo contra o Uruguai, superando o recorde registrado em 1995 na final da Copa do Mundo de Rugbi e na semifinal da Copa das Confederações, ano passado.
No site da Fifa, a freqüência também triplicou, com 150 milhões de usuários. No total 6,4 bilhões de page views, ou seja, um milhão por segundo.
A Fifa também revelou números da mobilização popular paralela aos jogos, ou seja, o público envolvido com as partidas fora do estádio. Em 16 cidades do mundo, sendo dez na Africa do Sul e outras seis [Roma, Paris, Berlim, Sydnei, Cidade do México e Rio de Janeiro], 6.151.823 pessoas participaram dos "Fan Fest", sendo 2,6 na África e 3,5 fora dela. Na semifinal entre Alemanha e Espanha 350 mil pessoas se reuniram em Berlim e 65.714 pessoas, em Durban para África e Uruguai.
A Fifa registrou 13.642 representantes da imprensa de 65 países, incluindo técnicos. Foram 2.579 jornalistas [entre editores, sites, jornais] e 887 fotógrafos. 245 empresas jornalísticas se credenciaram.
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Postado por Direto da África em 11 de Julho de 2010 às 21:15
Flagrei o presidente da CBF, Ricardo Teixeira deixando a área Vip do estádio assim que o árbitro apitou o final do jogo.
Não participou da cerimônia de entrega da taça e se mandou do local rapidamente com as filhas.
No dia anterior, Teixeira entregou as medalhas aos jogadores da Alemanha, pela conquista do terceiro lugar.
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Postado por Direto da África em 11 de Julho de 2010 às 20:54
O estádio Soccer City recebeu diversas personalidades e autoridades nesta noite para ver a Espanha ser campeã.
Na lista de autoridades e chefes de Estado estiveram presidente da África do Sul, Jacob Zuma, Seretse Khama, presidente de Botsuana, Blaise Compaore, presidente de Burquina Faso, Pierre Nkurunziza, presidente de Burundi, John Atta Mills, presidente de Ghana, Mway Kibaki, presidente do Quênia, Pakalitha Mosisili, presidente de Lesoto, Bingu wa Mutharika, presidente de Malawi, Armando Guebuza, de Moçambique, rei Maswati da Suazilandia, Rupiah Banda, presidente de Zambia, Robert Mugbe, presidente do Zimbabue, Desmond Tutu, rcebispo e premio Nobel da Paz, Kofi Annan, secretario geral dos EUA, Rinha Sofia, da Espanha, Felipe, principe da Asturias e princesa Leticia, principe Albert, de Monaco, Hamad bin Khalifa, presidente do Quatar.
Artistas
Além de principes, princesas, reis, rainhas e presidentes, a final tera também atores nas suas tribunas de honra. O tenor Placido Domingo, o ator Morgan Freeman, a modelo Naomi Campbel e o tenista Rafael Nadal.

O ex-presidente Nelson Mandela també apareceu no Soccer City. Entrou no campo em um carrinho elétrico e ficou menos de dois minutos.
Foi o suficiente para ser ovacionado. Confesso que esperava um pouco mais de Mandela, que nesta Copa preferiu manter-se como antes, ou seja, longe de aparíções públicas por causa da sua saúde debilitada.
FOTO REUTERS
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Postado por Direto da África em 11 de Julho de 2010 às 20:17
Triste sina holandesa nas Copas do Mundo. Nas três finais que disputou foi derrotada. Em 1974, com seu Carrossel Holandês, o esquema tático do futebol total, a Laranja Mecânica perdeu o título.
Quatro anos depois, na Copa da Argentina, sem o seu maior craque, Cruyff, que se negou a jogar a Copa por questões políticas, mais uma decepção.
Eis que veio 2010 e o time laranja pintava como campeão. A campanha invicta sinalizava para tal. A vitória sobre o Brasil era o prenúncio de que algo bom estava por vir para o time holandês.
Uma boa safra de jogadores, como Robben, Sneijder, Van Persie, Van Bommel, aumentou a confiança da torcida.
Mas na final, a laranja amarelou e deu Espanha.
O futebol não perdoa e no detalhe faz campeões e derrotados. A proposta de jogo dos espanhóis no primeiro tempo, desenhou o desfecho que a decisão teria. Não deu outra. Espanha campeã, para tristeza de Sneijder e Cia.
Fica para a Copa no Brasil.
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