O leitor já deve ter tido seus momentos de questionamento existencial. De onde vim e para onde vou? Ser ou não ser? Coisas assim. Provavelmente já gastou seus minutos perscrutando sobre a transitoriedade da vida e inexorabilidade do tempo. E, ainda, se debruçado sobre livros e publicações em busca de abordagens sobre os temas capitais da civilização moderna. Enfim, procurado alguma atividade útil para a mente e para a alma.
Parece que não foi bem isso que o Fantástico propôs no programa do último domingo. Já durante a semana, chamadas insistentes focaram o assunto. E qual seria este assunto tão importante? A CPI da Petrobras? A revelação das causas do acidente aéreo? Outra descoberta do câncer? Nada disso: a cereja do programa era uma discussão sobre usar ou não o sutiã aparecendo sob o decote. Brilhante!
Sendo um programa de variedades e um dos campeões de audiência da emissora, cuidei de observar que a matéria não passaria de um flash engraçado de uma personagem de novela que caiu no gosto popular. Mas não. Vários minutos foram gastos na intrigante discussão, em cadeia nacional para milhões de telespectadores, apresentando pontos de vista discordantes e mesmo opiniões de gente (dita) séria na resolução da enquete.
Sabendo do profissionalismo da equipe do programa e, portanto, de que os temas e quadros têm sempre uma razão muito pensada de existir, mesmo que esta razão seja a comercial, não consegui descobrir onde quiseram chegar com a matéria.
Será que não captei o subtexto? Estaria implícita uma nova revolução feminina, como a iniciada com a queima de sutiãs? De verdade: não entendi. Quem conseguiu, por favor, me avise.



Bom post, sempre coerente e incisivo...rs
Carol