A mais absoluta falta de compreensão toda esta crítica aos preços da reforma da praça das Bandeiras. Imagine que chegaram ao absurdo de sugerir que teria havido superfaturamento da obra. É pura ignorância da mídia. Ou então algum movimento revanchista. Ninguém entendeu que a praça custa caro porque o que é caro é que é bom. Basta uma análise mais cuidadosa e o esperto leitor me dará razão.
Comecemos pelo que é visto primeiro. Um bom tapume serve para quê? Os comuns, estes ordinários espalhados por uma obrazinha qualquer, servem somente para tapar o canteiro de obra da vista do passante. Assim evita o desconforto visual dele enxergar o projeto enquanto ainda não está pronto. Em outras palavras, serve para não estragar a surpresa.
Já o nosso tapume da praça, estimo, deve ser feito de um material revolucionário, fruto de tecnologia de ponta, que confere atributos especiais, como por exemplo, embutir negociações vantajosas. Isso é que é uma compra inteligente.
O paisagismo também não é destes pobrezinhos que ornam um jardim qualquer. As folhas são verdes. Ah, desculpe! Revelei o que não devia. Pois é: mas agora já disse e é a mais pura verdade. As plantas da nova praça das Bandeiras serão verdes. Verdes inéditos de todos os tons. Do verde dólar ao verde-azulado da nota de cem, formando uma profusão de matizes capazes de corar o contribuinte. Ou de sorrir amarelo!
Sugiro que o mobiliário acompanhe a tendência. Ao invés dos espartanos bancos de cimento, porque não instalar confortáveis e sofisticados Chesterfields pretos de couro de porco? Seria a glória dessa terra de riquezas. Espere só até eles encomendarem os pombos importados.
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