Aconteceu quase isso comigo. Aumento um pouco para parecer ficção. Mas poderia ter acontecido com você, por exemplo. Ao entrar no banco, a porta giratória travou. E começou o espetáculo, para deleite dos presentes. Os vigilantes se apresentam, com a mão sobre o coldre:
- Coloque seus objetos metálicos no buraco do vidro!
- Tudo bem! - respondi, contrariado. - Eu acho que a escopeta até que passa pelo buraco, mas a sub-metralhadora vai engastalhar!
E a ironia foi minha desgraça. Vigilantes não são pagos para ter bom humor.
- OK, amigo (amigo de quem?)! Abre a mochila e "disvazia" tudo!
O tom era ameaçador e, para cumprir a ordem, precisei ajoelhar-me no chão de mármore. Retirei um celular pré-pago, um molho de chaves e um ray-ban de camelô. Não foi o suficiente para destravar a porta.
- Ô rapaz! Você deve ter mais coisa de metal aí! Passa tudo, agora!
Procurei e nada encontrei para satisfazê-los. Uma agonia interminável, quando me lembrei da fivela do cinto.
- Passa o cinto pra cá e vamos resolver a parada! - desafiou o guarda.
Cumpri o mando. E a calça caiu. E esta é imagem que todos no banco puderam degustar. Eu de joelhos, cara de parvo, segurando a mochila aberta e com as calças arriadas.
Foi quando um dos presentes, que acabava de chegar, perguntou a outro curioso:
- O que foi, hein? É assalto?
- Que nada! - disse o segundo. O moço só veio pagar uma conta de luz!
- Chi! Não quero nem pensar o que eles vão fazer comigo quando descobrirem que vim pedir um empréstimo!



primeira vez que vejo suas crônicas aqui!
beijooo e apareça quando puder.
Rafa (Franca)