A época é propícia para comentar o assunto. Porque é quase Natal, tempo de milagres e pelas notícias de tragédias, inundações e flagelados. Por algum motivo que só Deus sabe juntei as duas coisas. Talvez tenham paralelo. Talvez seja só maluquice minha, como de costume.
Uma vez ouvi uma interpretação interessante sobre um dos milagres de Jesus, mais especificamente o da multiplicação dos pães e peixes. Segundo este relato, muito lúcido, toda aquela população que seguia o Mestre, às margens do Tiberíades (?), levava consigo comida suficiente para alimentar a própria família. Então, cada pequeno grupo, preocupado com o sustento dos seus, mantinha seus alimentos escondidos, sob pena de ter que reparti-los com todos, o que acabaria com as reservas para a viagem.
Conhecedor da alma humana, Jesus percebeu o impasse e promoveu, com seu talento, a reunião de todo este alimento, para que fosse então distribuído. O resultado você sabe: deu para todos e ainda sobrou.
Perceba que não foi preciso nenhum poder divino para operar o tal milagre. A solução estava, o tempo todo, nos próprios famintos. Bastou a desapego, a generosidade e a coragem para modificar a situação.
A coisa não mudou nos dias de hoje. Basta solidariedade e ação. Desenvolvendo esta habilidade, em pouco tempo não precisaremos mais de líderes messiânicos. Faremos o melhor por nós mesmos.


