Paulo Henrique Ganso é genial. O toque de letra para o gol de Neymar foi uma obra de arte, daquelas que você não cansa de olhar. Se existisse apenas uma vaga na seleção para ele ou Neymar, apostaria nele pois Dunga não tem um meia capaz de desequilibrar como o jovem santista. O país e a mídia de uma forma geral vivem um momento de êxtase com este Santos, que encanta realmente.
Me coloco neste grupo dos que passaram a vibrar com o retorno do futebol arte resgatado pelo campeão paulista. Mas não se pode confundir ou se deixar influenciar pela genialidade de Ganso e companhia ao analisar o que ele fez no domingo e por alguns exageros dos ‘Meninos’. Certo ou errado, o técnico pediu a substituição de Ganso. E ele, de forma indisciplinada, disse não para todo Brasil ver.
Ficou feio para Dorival Jr, que ainda tentou se justificar, dizendo que aquele ‘não’ foi atitude de homem. A emenda saiu pior que o soneto. Ganso, que às vezes lembra um craque experiente, apesar dos 21 anos, domingo, por alguns segundos, me fez lembrar dos veteranos que se acham no direito de fazer o que bem entendem. Ganso certamente perdeu pontos com Dunga.
Dosando
Ainda analisando a comoção nacional acerca dos ‘Meninos da Vila’ é uma pena que eles deixem a alegria e a irreverência caminharem tão próxima da irresponsabilidade e da molecagem no sentido negativo. Provocar Luxemburgo, dizendo que a ‘a sua hora vai chegar’ e mandar ‘Tardelli (Diego) tomar no c.’ não foram atitudes dignas de campeões. É preciso dosar de tudo um pouco. A começar pela mídia e a exaltação em torno dos jovens craques, pois pelo que se vê, ainda lhes falta uma estrutura emocional para conviver com tanto assédio e sucesso. É bom que se diga. Nada disto tira o mérito do Santos neste primeiro semestre.
Quem dá bola
O Santos fascina tanto que às vezes veda os olhos de quem geralmente analisa o jogo de forma mais crítica. No domingo o Santo André foi prejudicado pela arbitragem e poderia até ser o campeão. Se não fosse contra o Santos, talvez o assunto ganharia maior projeção. Há de se ressaltar também que no primeiro jogo, o Peixe foi prejudicado no pênalti sobre Neymar, não marcado. Convenhamos, seria uma grande injustiça se o Santos não fosse o campeão. Acho que nem mesmo aqueles que gostam de ver o ‘circo pegar fogo’ ficaria felizes em acompanhar mais uma vez o futebol arte sucumbindo, para a alegria dos pragmáticos, como Dunga.
Teste para valer
O Santos deixa uma mensagem positiva para o futebol brasileiro. A de que é possível ser campeão, sem precisar ser pragmático. Futebol arte, solto, ofensivo, também combina com títulos. O segundo semestre vem aí para colocar este time à prova contra adversários de maior nível no Brasileirão.
Por aqui
O Comercial deu um passo gigantesco em direção ao acesso para a Série A2. A vitória, de virada, como aconteceu, abriu o caminho para o Leão nas próximas duas rodadas. E quem pensa em subir tem obrigação de no mínimo trazer um ponto contra um adversário desinteressado [XV de Jaú] e vencer o concorrente direto [XV de Piracicaba] em casa.
Botafogo
O oba-oba pelo título do interior precisa dar espaço agora para o planejamento para a Série D. De nada valerá a boa campanha no Paulista, se não subir para C pois em 2011 terá que repetir tudo.


