Já acompanho futebol em Ribeirão há 15 anos como jornalista e há pelo menos 25 como ribeirão-pretano. Jamais havia visto um clima de tanta desolação e revolta como o presenciado nesta noite no Palma Travassos. Tudo por causa do fracasso do Comercial em seu estádio, que culminou com a sua permanência na Série a3. Dois fatores contribuíram para que a noite tenha sido como foi. O maior deles foi a inoperância do time do Comercial diante de um adversário que marcou durante os 90 minutos, com um ímpeto e dedicação poucas vezes visto. E o outro foi o suposto erro do bandeirinha, que anulou o gol da vitória aos 48 do segundo tempo quando o coração dos quase 10 mil torcedores ja saía pela boca.
Enquanto não aparecer uma imagem reveladora, será difícil culpar o inocentar o auxiliar da sua corajosa [ou malandra] marcação. E se não aparecer uma imagem que não tire esta dúvida, o gol anulado ficará eternizado na memória dos torcedores e este dia 8 de maio será recordado como o dia em que o Comercial foi operado.
O pior de tudo foi o que se sucedeu após a marcação. Invasões, quebra quebra de alambrados e portões e agressão ao árbitro. Neste domingo estas cenas estarão em todos os sites e na tv, correndo o mundo. Pois não é normal ver um trio de arbitragem apanhando em campo, de jogadores e torcedores. Infelizmente o clube pagará caro pelos acontecimentos desta noite de sábado. O relatório do árbitro será carregado e em 2011, no ano do centenário, o Comercial jogará muitas vezes fora de seu estádio as perguntas que ficam são: Lacerda e cia, ficarão? O Comercial conseguirá sair da Série A3 ou o seu inferno astral prosseguirá por anos, como foi na segundona? O torcedor vai demorar quanto tempo para acreditar no time e cicratizar a ferida aberta hoje? O fato é que a vida segue e a bola não para de rolar.
Levanta e sacode a poeira Comercial.


