Como hoje é domingo (pé de cachimbo ou pede cachimbo?) é preciso falar de coisas amenas. Domingo não é sábado, que permite certa irreverência. Vinicius de Moraes poetava que no sábado "há um padre passeando à paisana". Coisa antiga: hoje é difícil ver padre de batina até na semana santa. Nem padre de passeata existe mais. Nem Nelson Rodrigues.
Desconfio de uma amenidade: Audrey Hepburn, aquela de "Bonequinha de luxo", que usava um vestido preto que parecia cor-de-rosa (ou qualquer cor do gênero). Minha amenidade desconfiada é que desconfio que a doutora alcaidessa inspira-se na Audrey Hepburn.
Quando ela tomou posse da nossa alcaidaria, sei não, mas estava com um modelito tipo Audrey Hepburn. Assim de relembrança, vendo a cena que não vi, de miragem imaginativa, parece que um George Peppard (de chapéu e terno de listra) compunha o quadro no Palácio Rio Branco. Não havia Truman Capote para escrever o roteiro nem Blake Edward para dirigir a cena. Então, melhor acordar.
Fiquemos com o cachimbo, que é de barro, mas brigão, pois bate no jarro. O jarro é de ouro e bate no touro. O touro é valente e chifra a gente. A gente é fraco e cai no buraco. O buraco é fundo e acabou o mundo.
Vejam o que é a natureza: uma coisa leva à outra. Se juntar as pontas até que achamos o sentido. Mas tudo é enigma no mundo. Melhor não desvendar os sonhos, pois Freud já tentou e complicou mais. Alguns sonhos dão certo e errado: vejam o Martin Luther King. Tinha um sonho, assassinaram-no. O sonho sobreviveu. Barack Obama não seria possível sem o sonho que empolgou os negros norte-americanos. Mas nos canaviais o sonho dá insônia e pode virar pesadelo.


