Distraia-se
De repente alguns problemas desaparecem. Depois voltam, enquanto outros esperam a vez. Nos últimos 50 anos os jornais dizem que as tubulações do DAERP estão podres, desperdiçam metade da água retirada dos poços e a qualquer momento podem arrebentar. Os técnicos dão entrevistas, os políticos prometem resolver. Providencialmente acontece um crime, mais uma corrupção e adia-se o problema.
O lixo também vai e volta. Geralmente aparece durante os períodos eleitorais. Descobre-se (que argúcia!) que vem do lixo a grana para as campanhas dos principais candidatos. Está certo: se vem do lixo, vai pro lixo. As manchetes gastam a palavra lixão. Denunciam a poluição, rastreiam-se maracutaias, preços abusivos, serviços indecentes, interligação e interpenetração com políticos de várias cidades, avisa-se que o processo é mafioso.
Mas certo deputado ou senador esquece de declarar ao Leão (sem trocadilho) alguns milhões de dólares ou o palácio nos grotões da fome. Os vereadores contribuem: ficam mais curiosas as notícias sobre os filhos, irmãos e cunhados nomeados para as bocas livres do que as mortes nos postos de saúde e os bondes nas escolas.
Outras misérias nem chegam aos jornais. Por exemplo, o distinto leitor não lerá que algumas escolas dos bairros da periferia precisam negociar com o tráfico, para impedir que os traficantes cortem a energia elétrica e suspendam as aulas noturnas. Os traficantes têm interesses que não podem ser contrariados. Determinam onde passam linhas de ônibus em algumas regiões, como os postos de saúde devem trabalhar e agora, qual o horário das escolas.
Relaxe: há muita e variada notícia sobre os maiquejaquisons.



Uma sugestão: "arrumem um vazamento há meses em um poço do Daerp entre as ruas Corumbá e Maranhão! O ponto de referência? está á alguns metrosda casa do secretário da Administração municipal (Marco) e da Igreja onde a vereadora Glaúcia congrega ou, façam um lago, uma praia, um chafariz, um gato para as residências ao redor...
Está na encruzihada, mas não é trabalho espiritual, é descaso mesmo !