O ano era 1971. Eu tinha 14 anos e conheci Fernando Pessoa pela voz de Maria Bethânia no show Rosa dos Ventos onde eu tinha cadeira cativa no teatro Ruth Escobar, em São Paulo. A direção de Fauzi Arap dava o clima e o tom ao espetáculo . E por várias semanas eu estava lá para ver e me emocionar. Descalça, leve e solta no palco , Bethânia desfilava poemas de Fernando Pessoa em meio a músicas que iam de Dolores Duran a Chico Buarque (veja a letra da música tema do show abaixo ).Foi um show encantado que marcou a minha vida. Naquele tempo os teatros eram pequenos, aconchegantes e tinham acústica. Eram teatros feitos para servirem de teatro e não de boates ou restaurantes. Espaços de shows como Credicard Hall, Tom Jobim e outros que abrigam milhares de pessoas são uma afronta a qualquer artista que preze seu trabalho. E a qualquer cidadão que sai de casa para ver um espetáculo. Se você não estiver nas primeiras fileiras, ou melhor, mesas, é preciso levar binóculo. Isso quando não encontra um pilar de concreto diante de seus olhos. O show nem bem começa e o artista divide o palco com o burburinho de garçons e talheres nas mesas. A distração toma conta do lugar mas a maioria dos artistas parece não se incomodar., Grandes shows tem que ter grande público e gerar uma grande quantia em dinheiro. Na contramão das "oportunidades" Maria Bethânia que completa 45 anos de carreira em 2010 lançou semana passada seus dois últimos CDs , "Tua" e "Encanteia" ,no Teatro Abril, em São Paulo.tambem com direção de Fauzi Arap. E teve gente que não gostou. Do lugar, não do show.
45 ANOS DE CARREIRA
E já que estamos falando nela, ano que vem vai ter um congresso em homenagem aos seus 45 anos de carreira. O Congresso Brasileiro sobre " O Canto e a Arte de Maria Bethânia " acontece nos dias 4 e 5 de fevereiro de no Teatro Martim Gonçalves da Escola de Teatro da Universidade federal dea Bahia , em Salvador, e no dia 6 de fevereiro em Santo Amaro da Purificação, na Bahia. O eventope aberto a todos,m inclusive aos fãs.
Veja a programação Científica e Cultural :
PROGRAMAÇÃO DO CONGRESSO
Conferência: Maria Bethânia - A Artista que Encanta e Canta a MPB
Conferência Interativa: Oyá-Bethânia - Os Mitos de um Orixá nos Ritos de uma Estrela
Oficina: Maria Bethânia in Cordel
Painel Interativo: A Voz dos Compositores
Sarau : Maria Bethânia
Conferência: Maria Bethânia - A História do Ser e o Ser na História
Mesa Redonda: Maria Bethânia - A Dona do Dom
Colóquio: Maria Bethânia - Um Projeto Escolar
Conferência: O Caminhar de Maria Bethânia nos Palcos da Vida
Programação Cultural:Conhecendo a Terra Natal e os Lugares do Coração
Conferência Interativa: Oyá-Bethânia - Os Mitos de um Orixá nos Ritos de uma Estrela
Oficina: Maria Bethânia in Cordel
Painel Interativo: A Voz dos Compositores
Sarau : Maria Bethânia
Conferência: Maria Bethânia - A História do Ser e o Ser na História
Mesa Redonda: Maria Bethânia - A Dona do Dom
Colóquio: Maria Bethânia - Um Projeto Escolar
Conferência: O Caminhar de Maria Bethânia nos Palcos da Vida
Programação Cultural:Conhecendo a Terra Natal e os Lugares do Coração
LETRA DE ROSA DOS VENTOS
E do amor gritou-se o escândalo
Do medo criou-se o trágico
No rosto pintou-se o pálido
E não rolou uma lágrima, nem uma lástima pra socorrer
E na gente deu o hábito
De caminhar pelas trevas
De murmurar entre as pregas
De tirar leite das pedras
De ver o tempo correr
Mas, sob o sono dos séculos
Amanheceu o espetáculo
Como uma chuva de pétalas
Como se o céu vendo as penas
Morresse de pena e chovesse o perdão
E a prudência dos sábios
Não ousou conter nos lábios o sorriso e a paixão
Pois transbordando de flores
A calma dos lagos zangou-se
A rosa dos ventos danou-se
O leito dos rios fartou-se
Inundou de água doce a amargura do mar
Numa enchente amazônica
Numa explosão atlântica
E a multidão vendo em pânico
E a multidão vendo atônita
Ainda que tarde
O seu despertar
(Chico Buarque)
Do medo criou-se o trágico
No rosto pintou-se o pálido
E não rolou uma lágrima, nem uma lástima pra socorrer
E na gente deu o hábito
De caminhar pelas trevas
De murmurar entre as pregas
De tirar leite das pedras
De ver o tempo correr
Mas, sob o sono dos séculos
Amanheceu o espetáculo
Como uma chuva de pétalas
Como se o céu vendo as penas
Morresse de pena e chovesse o perdão
E a prudência dos sábios
Não ousou conter nos lábios o sorriso e a paixão
Pois transbordando de flores
A calma dos lagos zangou-se
A rosa dos ventos danou-se
O leito dos rios fartou-se
Inundou de água doce a amargura do mar
Numa enchente amazônica
Numa explosão atlântica
E a multidão vendo em pânico
E a multidão vendo atônita
Ainda que tarde
O seu despertar
(Chico Buarque)


