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Blogs e Colunistas \ Piti Meinberg \ Agosto 2010

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Blog de Piti Meinberg

Dá pra acreditar?

Postado por Piti Meinberg em 09 de Agosto de 2010 às 15:45

 

  
Com o saguão dos vôos regionais do aeroporto de Guarulhos lotado, os passageiros que embarcavam para Ribeirão Preto já estavam inquietos com o desconforto e a espera quando finalmente o vôo das 17h30 foi chamado.
 
Foi uma luta chegar ao portão de  embarque. Gente sentada no chão,a  torcida jovem do Santos aos berros com seus hinos e coreografias , quando avisaram que a aeronave estava com problemas e que o vôo iria atrasar.
 
A previsão era de que voaríamos dentro de uma hora.
 
Duas horas depois, não tínhamos saído do lugar. Ao menos ficamos livres da algazarra da torcida.
 
Nervoso com a demora, um dos passageiros resolveu comentar que se o embarque atrasasse mais meia hora  a Passaredo teria que dar um lanche para todos os passageiros. Pronto, ai estava a senha para que todo mundo se levantasse e fosse ate o balcão reivindicar seus "direitos".
Não deu outra, o vôo foi chamado , entramos no ônibus e foi lá que ficamos esperando a meia hora que nos daria o direto ao lanchinho.
 
Finalmente, embarcamos . Durante o vôo o comandante tentou se explicar e veio com essa: o vôo atrasou quase tres horas  por que um dos pneus da aeronave furou.
Intrigada perguntei a uma funcionária da companhia  por que demoraram tanto para trocar o pneu da aeronave e ela respondeu: " È que tivemos que trazer um outro pneu de Ribeirão". E como vocês  trouxeram? , perguntei. "Fretamos um jatinho para levar o pneu."  Da  pra acreditar?
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Gosto Amargo

Postado por Piti Meinberg em 05 de Agosto de 2010 às 17:43

                                                  

                                                                                     

 

Depois de vinte dias de férias, longe de tudo, a primeira notícia que recebo é a da morte de um grande amigo, o cenógrafo Cyro Del Nero.

Trabalhamos juntos em dois grandes eventos no prédio da Bienal, em São Paulo, o Vídeo Trade Show, lá pelo final dos anos 80.
 
Seu caminho profissional foi longo e muito rico. Cyro passou pela TV Record e TV Excelsior, criou as grades de programação, as vinhetas, os intervalos desenhados e até clipes. Também foi Diretor de Arte da Globo, onde fez, entre outras coisas, a abertura do Fantástico, e de novelas da emissora. Trabalhou também na TV Tupi do Rio e ganhou prêmios, entre eles, o de Melhor cenógrafo nacional, na IV Bienal de Artes Plásticas de São Paulo. Também foi professor da Universidade de São Paulo, onde ainda dava aulas , ministrou palestras e fez cenários memoráveis no Brasil e no exterior.
 
Ficamos muitos anos sem nos ver até que no ano passado ele veio à Ribeirão para uma palestra e lançamento de seu livro "Máquina para os Deuses: anotações de um cenógrafo e o discurso da cenografia" , no SESC.
 
Passamos o dia juntos. Levei-o para conhecer o artista plástico e também cenógrafo Jaír Correa em sua casa-estúdio e ele ficou impressionado com o trabalho das máscaras. Em seguida fomos para o Theatro Pedro II onde estava agendada uma reunião com o então diretor do teatro, Luchesi Junior.
 
Na época o maestro Zubin Mehta acabava de "chocar" Ribeirão quando fez duras críticas quanto a qualidade da acústica do Teatro, publicada na coluna Giro. Minha idéia era apresentar Cyro del Nero á direção do teatro para que ele fizesse uma análise do prédio e de suas condições de acústica e assim ajudar a resolver os problemas apontados por um dos mais conceituados maestros da autualidade.
 
Chegamos pontualmente à reunião e demos com a porta "na cara". O Sr Luchesi não deu a menor atenção ao artista, nos comprimentou secamente e seguiu em reunião com seus funcionários . Ficamos esperando no corredor até que decidi levar Cyro para conhecer o espaço .
 
Com todo o seu conhecimento e humildade Cyro foi me mostrando os pontos problemáticos do teatro. O tipo de madeira usada nas cadeiras, o formato do palco, a estrutura do forro, enfim, ganhei uma verdadeira aula.
 
Assim como entramos, saímos. Fiquei sem graça e me desculpei em nome da " santa ignorância" do funcionário.
 
Depois da palestra Cyro ainda teve fôlego e entusiasmo para me acompanhar a um vernissage na Adearte Galeria. Entre os artistas que expunham suas obras, um chamou a atenção do mestre e ele fez questão de conhecer: Renato Andrade.
 
Se hoje eu sinto a perda do amigo sinto ainda o gosto amargo da perda desta oportunidade rara para a cidade. A de poder contar com a opinião de um dos maiores profissionais da área  para ajudar a sanar os problemas do teatro. Mas vale o ditado, não há como dar luz a um cego.
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