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Ribeirão Preto, 10 de Setembro de 2010

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É fake. É falso

Postado por Piti Meinberg em 10 de Setembro de 2010 às 11:24

                                           

 Vejo o ator Reynaldo Gianecchini como um dos protagonistas da novela de maior audiência da TV brasileira e não consigo acreditar no seu desempenho como ator.

 Ano passado produzi e dirigi um vídeo para o Hospital do Câncer de Ribeirão tendo o modelo como ator. Gianecchini estava em Ribeirão para encenar uma peça no Pedro II e, através de parentes que tem por aqui, aceitou participar do comercial pedindo  doações para o Hospital.
 
Chamei meu amigo e parceiro Renato Moraes, da KM Vídeo , que logo topou fazer a gravação de forma voluntária.
 
Tínhamos pouco tempo para gravar e a locação seria no próprio Theatro Pedro II.
 
Chegamos ao teatro, montamos o equipamento, escolhemos o enquadramento e aguardamos o ator.
 
O vídeo com 15 segundos de duração, tinha um pequeno texto, de três frases. que ele não conseguia decorar. Pediu um telepromter, equipamento que usamos no telejornalismo para ler os textos diante da câmera. Eu disse que não tínhamos pois o texto era curto e simples e não seria necessário. Era só ele se concentrar e decorar. Gianecchini foi para um canto do palco, fez cara de dificuldade, olhou torto para a equipe e depois de um tempo voltou com o texto, quase que na ponta da língua.
 
Alem das várias tentativas em falar o texto sem errar, a voz dele era muito baixa, falava pra dentro, quase que sussurrando. Perguntei se ele estava com problemas de voz ou se estava se poupando para a peça que iria apresentar. Mais uma vez, olhou feio pra mim, disse que era assim que ele estava acostumado a gravar. Desisti de dirigir a fala e no final tivemos que  subir o áudio do microfone e ainda dar um "ganho" na edição.
 
Ufa, que dificuldade. E ainda dizem que é ator. Agora, quando vejo o mocinho representando um vilão na novela Passione me pergunto, qual a mágica que os diretores fazem para transformar tantos modelos atores em personagens atores. È a mágica da televisão. È tudo mesmo uma grande farsa.
 
 
 
 
 

 

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Bom dia

Postado por Piti Meinberg em 05 de Setembro de 2010 às 11:47

 

Sempre soube que o "Bom Dia " da coluna Giro tinha uma legião de fãs. Não raramente leitores me abordavam comentando as frases e pensamentos que eram estampados no alto da página.  Muitos deles  recortavam e guardavam as frases. Outros me enviavam frases de sua própria autoria.

 

Com a nova diagramação e lay out do jornal que , aliás,  ficou muito bom, o " Bom Dia" saiu do ar. Não seria compatível com a nova diagramação, penso eu. 

 

Mas não imaginei que receberia tantos pedidos de " volta com o Bom Dia, Cadê o Bom Dia? " Então, nesta tarde de domingo , num "dolce far niente " pensei: vou selecionar algumas frases  e editar um livro, ou melhor ainda, penso em uma caixinha  cheia de "bons dias" .

Bom dia .

 

 

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Palhaçada

Postado por Piti Meinberg em 03 de Setembro de 2010 às 14:23

                                                             

 

Depois da liberação do humor na política Ribeiro Preto amanheceu com várias pichações nas fotos dos políticos. A maioria delas com um nariz de palhaço na cara dos candidatos. Só que no caso, o palhaço somos nós. Eles são , ou serão, os donos do Circo.
 
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Dá pra acreditar?

Postado por Piti Meinberg em 09 de Agosto de 2010 às 15:45

 

  
Com o saguão dos vôos regionais do aeroporto de Guarulhos lotado, os passageiros que embarcavam para Ribeirão Preto já estavam inquietos com o desconforto e a espera quando finalmente o vôo das 17h30 foi chamado.
 
Foi uma luta chegar ao portão de  embarque. Gente sentada no chão,a  torcida jovem do Santos aos berros com seus hinos e coreografias , quando avisaram que a aeronave estava com problemas e que o vôo iria atrasar.
 
A previsão era de que voaríamos dentro de uma hora.
 
Duas horas depois, não tínhamos saído do lugar. Ao menos ficamos livres da algazarra da torcida.
 
Nervoso com a demora, um dos passageiros resolveu comentar que se o embarque atrasasse mais meia hora  a Passaredo teria que dar um lanche para todos os passageiros. Pronto, ai estava a senha para que todo mundo se levantasse e fosse ate o balcão reivindicar seus "direitos".
Não deu outra, o vôo foi chamado , entramos no ônibus e foi lá que ficamos esperando a meia hora que nos daria o direto ao lanchinho.
 
Finalmente, embarcamos . Durante o vôo o comandante tentou se explicar e veio com essa: o vôo atrasou quase tres horas  por que um dos pneus da aeronave furou.
Intrigada perguntei a uma funcionária da companhia  por que demoraram tanto para trocar o pneu da aeronave e ela respondeu: " È que tivemos que trazer um outro pneu de Ribeirão". E como vocês  trouxeram? , perguntei. "Fretamos um jatinho para levar o pneu."  Da  pra acreditar?
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Gosto Amargo

Postado por Piti Meinberg em 05 de Agosto de 2010 às 17:43

                                                  

                                                                                     

 

Depois de vinte dias de férias, longe de tudo, a primeira notícia que recebo é a da morte de um grande amigo, o cenógrafo Cyro Del Nero.

Trabalhamos juntos em dois grandes eventos no prédio da Bienal, em São Paulo, o Vídeo Trade Show, lá pelo final dos anos 80.
 
Seu caminho profissional foi longo e muito rico. Cyro passou pela TV Record e TV Excelsior, criou as grades de programação, as vinhetas, os intervalos desenhados e até clipes. Também foi Diretor de Arte da Globo, onde fez, entre outras coisas, a abertura do Fantástico, e de novelas da emissora. Trabalhou também na TV Tupi do Rio e ganhou prêmios, entre eles, o de Melhor cenógrafo nacional, na IV Bienal de Artes Plásticas de São Paulo. Também foi professor da Universidade de São Paulo, onde ainda dava aulas , ministrou palestras e fez cenários memoráveis no Brasil e no exterior.
 
Ficamos muitos anos sem nos ver até que no ano passado ele veio à Ribeirão para uma palestra e lançamento de seu livro "Máquina para os Deuses: anotações de um cenógrafo e o discurso da cenografia" , no SESC.
 
Passamos o dia juntos. Levei-o para conhecer o artista plástico e também cenógrafo Jaír Correa em sua casa-estúdio e ele ficou impressionado com o trabalho das máscaras. Em seguida fomos para o Theatro Pedro II onde estava agendada uma reunião com o então diretor do teatro, Luchesi Junior.
 
Na época o maestro Zubin Mehta acabava de "chocar" Ribeirão quando fez duras críticas quanto a qualidade da acústica do Teatro, publicada na coluna Giro. Minha idéia era apresentar Cyro del Nero á direção do teatro para que ele fizesse uma análise do prédio e de suas condições de acústica e assim ajudar a resolver os problemas apontados por um dos mais conceituados maestros da autualidade.
 
Chegamos pontualmente à reunião e demos com a porta "na cara". O Sr Luchesi não deu a menor atenção ao artista, nos comprimentou secamente e seguiu em reunião com seus funcionários . Ficamos esperando no corredor até que decidi levar Cyro para conhecer o espaço .
 
Com todo o seu conhecimento e humildade Cyro foi me mostrando os pontos problemáticos do teatro. O tipo de madeira usada nas cadeiras, o formato do palco, a estrutura do forro, enfim, ganhei uma verdadeira aula.
 
Assim como entramos, saímos. Fiquei sem graça e me desculpei em nome da " santa ignorância" do funcionário.
 
Depois da palestra Cyro ainda teve fôlego e entusiasmo para me acompanhar a um vernissage na Adearte Galeria. Entre os artistas que expunham suas obras, um chamou a atenção do mestre e ele fez questão de conhecer: Renato Andrade.
 
Se hoje eu sinto a perda do amigo sinto ainda o gosto amargo da perda desta oportunidade rara para a cidade. A de poder contar com a opinião de um dos maiores profissionais da área  para ajudar a sanar os problemas do teatro. Mas vale o ditado, não há como dar luz a um cego.
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