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Blogs e Colunistas \ Rosana Zaidan \ Janeiro 2010

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Blog de Rosana Zaidan

São Paulo

Postado por Rosana Zaidan em 25 de Janeiro de 2010 às 13:40

Quando me dizem São Paulo, no bate-pronto da associação imediata me vêm logo dois nomes: Sérgio de Souza(1933- 2008)  e Magdalena de Paula. Sérgio, ex- Realidade, ex-Bondinho, ex-Ex, ex-Caros Amigos, o mais completo editor e o mais belo espécime da raça humana que já conheci. Magdalena, a professora de canto e de esperança, que sinalizava sonhos, nos idos dos 1970. Só São Paulo teria cidadãos assim. É lá também viveu João Pacífico (1909-1998), o autor de Cabocla Tereza, numa casa singela de Vila Mariana, vizinho de bairro e de arte de outro maravilhoso paulistano, o compositor e zoólogo Paulo Vanzolini - que, aos 85 anos, ainda mora numa vila modesta e simpática do Cambuci. São Paulo é assim. Tem seus redutos. Sua gente. Suas turmas. Nos 456, por mais desumana que nos pareça, só evoca humanidades gigantescas. Quanto à casinha acima,  da foto de J.Cirillo, está nela a alma que pulsa no fundo de cada paulistano adotado pela metrópole. João Pacífico não me deixa mentir.   

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Mel desperdiçado

Postado por Rosana Zaidan em 21 de Janeiro de 2010 às 20:16

Os vendedores proibidos de comercializar goiabas e quetais nos quarteirões centrais da cidade são os que têm as melhores frutas. Comprei hoje, de um menino que não devia ter mais de 13 anos, um pacote de ameixas e outro de uvas. As uvas não provei, mas as ameixas foram as melhores que já comi. Puro mel. Ao receber a nota  que lhe estendi, o garoto me abriu um sorriso encantador : "Volte sempre", ele disse. Eu voltaria mesmo, se pudesse. Mas onde encontrá-lo? Certamente, estará se escondendo do rapa em alguma esquina da vida.

[Obs: a foto é de um garoto muito parecido com o 'meu' vendedor de ameixas.] 

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Grande Euclides

Postado por Rosana Zaidan em 20 de Janeiro de 2010 às 15:32

O escritor, engenheiro e jornalista Euclides da Cunha estaria fazendo hoje 144 anos. Há cem, morreu assassinado por dois desafetos -  o amante e o irmão do amante de sua mulher, Ana de Assis. A história foi exibida em rede nacional na minissérie "Desejo", da Globo. Quem encarnou Euclides foi o na época galã Tarcísio Meira - a antítese física do escritor, que era pequeno, magro e sisudo. Nada disso tem importância. Importante é lembrar Euclides da Cunha, autor de "Os Sertões", que, por muito tempo, dividiu opiniões. Muitos viam nele um racismo preconceituoso, pela maneira como  descreveu o nordestino no capítulo "O Homem".  A verdade é que a obra é notável e genial. Merece ser incansavelmente divulgada e lida pelos brasileiros.  

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Vale a pena

Postado por Rosana Zaidan em 19 de Janeiro de 2010 às 14:33

Os escombros do Haiti ainda nos assombram, a dengue campeia, a violência impera, a saudade dói. Mas é impossível não dizer: vale a pena viver. Vale a pena por Bach, Beethoven, Tom Jobim, Fernando Pessoa, Drummond. Vale a pena por cada amigo e amiga que cala fundo no coração. Pelos pais, irmãos, filhos, sobrinhos e netos. Por Dengosa, Pretinha e Foguinho, os cachorrinhos da casa. Pelos passarinhos. Pelos gênios e pelos santos da humanidade. Por cada sublimação que nos suplanta, vale a pena. Por cada humilhação que nos eleva, vale a pena. Por cada sofrimento que nos perpassa, vale a pena. Por cada emoção que nos renova, vale a pena. Como diria meu filho mais velho, citando Nietszche: "o que não me mata, me fortalece". Eia, pois: viva a vida!

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Zilda, Haiti, a dor do mundo

Postado por Rosana Zaidan em 14 de Janeiro de 2010 às 08:42

Ai de nós. Não dá pra ser feliz na América do Sul se, na América Central, um terremoto destrói uma cidade inteira, mata mais de 30 mil pessoas e leva, de roldão, doze brasileiros. Entre eles, a médica e missionária brasileira Zilda Arns, mulher ímpar, que tombou ao lado de seu povo: os desemparados, os miseráveis, os que não têm nada. Dom Paulo Evaristo Arns, irmão de Zilda, encerrou sua mensagem com essa frase: "Não é hora de perder a esperança". Que ela cale fundo no nosso coração nessa hora em que o medo, a impotência e a dor do mundo são maiores que a nossa capacidade de acreditar na bem-aventurança.   

 

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