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Blog de Rosana Zaidan

Decifro-te ou te devoro

Postado por Rosana Zaidan em 08 de Maio de 2012 às 18:56

Este episódio do roubo e vazamento de fotos da atriz Carolina Dieckmann é detestável em sua essência, porque destrói a última trincheira do ser humano, a privacidade. Algo que deveria ser sagrado, indevassável.Agora, vejam só, o que se rouba é a derradeira liberdade do indivíduo. É pior do que levar dinheiro: os ladrões estão se apoderando da imagem e da alma alheia. Chantagem terrível: ou você paga, ou eles mostram tudo. E você será submetido à exposição pública. Que significa execração, voyeurismo, desnudamento de intimidades, mais do que do corpo.

As multidões virtuais parecem padecer do mesmo mal que as reais. Embrutecem-se e passam a se alimentar exatamente da torpeza humana.Querem sangue. Ou degradação. Tudo muito decadente, muito ambivalente, muito paradoxal, na direção aposta do que significa a evolução científica e tecnológica trazida por ferramentas fantásticas, os computadores, com todas as suas formidáveis possibilidades.

É dessa forma que a mediocridade se apodera de ícones ou celebridades que ela própria alimenta, numa devoção cega, ou num linchamento tácito.É quase o desafio da esfinge: "ou te decifro ou te devoro".Contra isso, só a vigilância do nosso humanismo profanado. Quem acredita no respeito ao próximo que se mantenha alerta e pratique diligentemente o Bem, custe o que custar.É a única resposta possível. Mas não vai ser fácil jogar água limpa neste mar de lama.

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É a lama

Postado por Rosana Zaidan em 20 de Março de 2012 às 13:01

É de escandalizar o cinismo e a desfaçatez com que são fraudadas as licitações na prestação de serviços aos órgãos públicos brasileiros.

É o que demonstra a reportagem veiculada no domingo, pelo Fantástico, sobre as condições de pagamento de propina e armação de falsa concorrência para dar sustentação à rapinagem do dinheiro público. Tudo isso, especificamente, gravado e documentado no Rio de Janeiro, pelos repórteres Eduardo Faustini e André Luís Azevedo.

Temos, porém, razões de sobra para supor que essa cultura criminosa está disseminada em todo o território nacional.

É de indignar que esse procedimento tenha se tornado quase que um padrão entre os prestadores de serviço e funcionários públicos de todos os escalões. Difícil, porém, estabelecer quem corrompe e quem é corrompido. Quem paga é tão culpado quanto quem recebe. Quem estimula tem tanta responsabilidade moral quanto quem é estimulado e responde ao convite explicíto para praticar a corrupção. Portanto, é um jogo de mão dupla, condenável sob todos os pontos de vista.

Não há anjos ou inocentes nessa história escandalosa e indecente. Há, isso sim, um grande desencanto moral. Um despudor selvagem, cultivado como senha entre os que assim se entendem e se locupletam. Enchem os bolsos de dinheiro, enquanto o sistema público de saúde luta com tremendas dificuldades contra percalços de todo tipo. É a vida dos brasileiros que está em risco. É o decoro nacional vilipendiado. É o retrocesso moral que nos atira na lama.

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Humilhados e ofendidos

Postado por Rosana Zaidan em 14 de Março de 2012 às 14:17

Este texto é para dona Dionísia Rosa da Silva, 77 anos, a brasileira que amargou três duros dias no aeroporto de Madri. Não entrou na Espanha. E deem os argumentos que quiserem, não entrou porque é brasileira e pobre. Olharam para dona Dionísia e a condenaram. Não entra! Dona Dionísia ficou ali, impotente, rejeitada, meio perdida, meio abandonada, apesar de todos os esforços da família para resgatá-la daquele limbo alfandegário. Até conseguir voltar, prometendo uma revanche que certamente não haverá.

Conheço pessoalmente alguém que também não entrou, mas foi na Inglaterra. Mesmo com carta-convite e local para se hospedar, o jovem de 20 e poucos anos, com emprego, cartão de crédito, dinheiro e tudo em cima, foi medido com desprezo pelos indianos do aeroporto de Londres e reembarcado para o Brasil sem dó nem piedade. Perdeu dinheiro, perdeu tempo e foi tratado como indigente ou bandido. Motivo? Era brasileiro e jovem. No good!

Eu, pessoalmente, com uma equipe de televisão, quase vi a viola em cacos no aeroporto de Lisboa, quando ficamos retidos. Motivo? O músico Mazinho Quevedo portava duas violas para a gravação de um documentário sobre o instrumento, que tem sua origem em Portugal. O comissário da alfândega olhou desconfiado para aquela bagagem e estava a exigir um depósito "impagável", quando decidimos a sorte mexendo com os brios do lirismo luso. Mazinho empunhou uma das violas e tocou "Trenzinho do Caipira". Resultado: entramos triunfantes em Portugal, sob lágrimas e aplausos. Mas poucos são bons o bastante para esgrimar com uma viola.

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Marcha para quarta de cinzas

Postado por Rosana Zaidan em 17 de Fevereiro de 2012 às 13:11

Para os românticos, é uma pena. Arlequins, Pierrôs e Colombinas são coisa passada e enterrada. O Carnaval, hoje, é business. Marketing. É fachada para vender de cerveja a cantores que têm sua alta temporada nesta época. Sem essa de discurso saudosista, mas, como eu já disse, para os últimos românticos é uma pena. Não se veem mais matinês, vesperais,  blocos ingênuos, ao som de marchinhas deliciosamente antigas. O Passado diz presente. E parte. O Carnaval, tal como era na minha geração, e para as gerações mais antigas, está morto. Que descanse em paz. A fe$ta hoje é com cifrão. De qualquer forma, relembremos Vinícius e  Carlos Lyra.

Acabou o nosso Carnaval/Ninguém ouve cantar canções/ Ninguém passa mais/brincando felliz/ E nos corações, saudades e cinzas, foi o que restou..." 

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Chove sem parar

Postado por Rosana Zaidan em 10 de Janeiro de 2012 às 18:36

Direto da redação do jornal Tribuna Impressa, em Araraquara, acompanho os desdobramentos da chuva na região. Aqui, na terra de Ignácio de Loyola, choveu tão forte que parte do arquivo da Câmara Municipal ficou molhada. Em São Carlos, cidade entra em estado de atenção. Em Ribeirão Preto, leio pelo site do jornal A Cidade, alagamento na Amin Calil, em direção à Via Norte, causou pontos de lentidão. A chuva pode ser nossa aliada ou nossa inimiga de morte, como mostram as notícias de Rio de Janeiro e Minas Gerais, onde mais de 100 cidades decretaram estado de emergência, com mortos e feridos. Entra ano, sai ano, é sempre a mesma coisa. Os janeiros são pontuados por tragédias naturais que poderiam ser evitadas. É questão de vontade política. Por que deixar acontecer, pra depois sair correndo? Vamos nos civilizar. Com vidas humanas não se brinca. O preço é sempre alto demais.

    

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