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Ribeirão Preto, 11 de Fevereiro de 2012

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Valor e Preço

Postado por Vicente Golfeto em 06 de Fevereiro de 2012 às 15:13

 

Antônio Vicente Golfeto*

       A criminalidade tem aumentado. Em todo país. Questiona-se, a partir daí, o conjunto de medidas que formam a política de segurança. Que é - com toda razão - considerada gênero de primeira necessidade.

       Para entendimento da questão, é preciso que anotemos dois pontos. Que fundamentam a sua compreensão. O primeiro é que toda crise cultural começa com mudança de comportamento das pessoas. E esta mudança tem seu start com a decadência da fé religiosa. Medo é freio à ação dos homens. E a decadência da fé religiosa principia com a diminuição do medo de Deus. No texto bíblico nós lemos que "o temor a Deus é o princípio da sabedoria".

       Estamos concretizando - enquanto povo - uma transição da sociologia, que é o estudo da sociedade, para a antropologia, centrada no ser humano. A palavra antropos, do grego, quer dizer ser humano, tanto homem quanto mulher. Esta transição - da sociologia para a antropologia - foi anunciada pela parteira do nascimento da era.

       Estamos falando de Margareth Tatcher, quando declarou: "não há mais sociedade. Só indivíduos". Foi exatamente esta transição - da sociedade que morreu para o individualismo - que nos mostrou o início do fim dos valores. Em grego, axion é valor. Por isto, axiologia é a parte da filosofia que estuda os valores.

       É comum ouvirmos pessoas falarem que os valores estão desaparecendo. E estão mesmo. O processo já foi iniciado. É que os valores - na sociedade - nasciam da ética, parte da filosofia que estuda o comportamento moral das pessoas. Atualmente, os valores começam a nascer do mercado, território em que os neurônios são transformados em dinheiro. E aí, as coisas vão deixando de ter valor. E passam a ter preço. Tanto que preço é definido como o valor de uma mercadoria, de um serviço, mas expresso em moeda. É a precificação das coisas. As coisas que não tinham preço, tinham valor. Hoje, as coisas que mais têm valor, mais têm preço.

       É por isto que o maior valor de um ser humano - a sua vida - passou a não ter preço. E preço em tudo, inclusive o preço da morte. Que se traduz claramente em business. Em latim, funus é enterro, exatamente de onde vêm funeral e funerária.

*Antônio Vicente Golfeto é diretor técnico do Instituto de Economia da Associação

Comercial e Industrial de Ribeirão Preto

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Razão sem autoridade

Postado por Vicente Golfeto em 30 de Janeiro de 2012 às 11:57

 

Antônio Vicente Golfeto*

      A administração municipal, através da chefe do poder executivo, sancionou lei que aumenta a multa incidente sobre os terrenos não devida e oportunamente roçados. Considerando-se a realidade de descaso de boa parte dos proprietários em relação aos imóveis que, abandonados - com mato alto - acabam gerando uma série não desprezível de problemas para moradores próximos dos terrenos sem cuidado, a medida tem sua razão de ser. E cumula de razão o governo da cidade que, assim, passa a exigir mais atenção de proprietários de lotes.

      À primeira vista, fica parecendo à população que o governo da cidade passa a cuidar dos interesses dos moradores, impondo fiscalização pesada, mais rigorosa e mais atenta. Na verdade, entretanto, a medida apenas põe a nu um outro fato relativamente escondido. É que, se a administração tem razão em punir proprietários relapsos, na verdade não tem nenhuma autoridade para agir assim. Sabe-se que a municipalidade - de longe - é o maior proprietário de terrenos vazios localizados dentro do perímetro urbano. E esta realidade, este fato, tem sua razão de ser. A cada loteamento que é aprovado pelo setor competente da administração municipal - conforme a lei - a municipalidade recebe, da área total loteada, mais ou menos 20% como espaço destinado às ruas. Além destes 20%, ainda recebe mais 5% para fins institucionais. São áreas que o município pode usar para construção de unidades de saúde, de escolas, de unidades de segurança. Mas também pode - como tem feito ao longo dos tempos - doar a área para construção de templos religiosos, de sindicatos, de prédios para entidades sem fins lucrativos. É como se vai produzindo uma cidade. Que, desta maneira, deixa de ser apenas e tão somente uma justa posição de construções. Por fim, recebe mais 10% para preservação de áreas verdes e construção de praças públicas.

      Pois bem, estas áreas, crescentes, são totalmente abandonadas, com mato aumentando e estimulando invasão por pessoas que, sem habitação, passam a construir barracos. Estes, somados, geram as conhecidas favelas.

      Esta administração está aumentando o valor das multas incidentes sobre terrenos particulares abandonados, vazios. É o que nos permite dizer que a administração da cidade tem razão. Mas não tem autoridade. Para ter as duas condições, ela precisa - antes - cuidar de seus terrenos. Aí sim ela poderá indicar como os outros, os particulares, devem agir. E não tem feito.

*Antônio Vicente Golfeto é diretor técnico do Instituto de Economia da Associação

Comercial e Industrial de Ribeirão Preto

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Vendas no varejo em 2012

Postado por Vicente Golfeto em 24 de Janeiro de 2012 às 11:51

 

Antônio Vicente Golfeto*

      Encerrado o exercício de 2 011, vimos que foi razoável o comportamento da economia brasileira quando o comparamos com o comportamento da economia de diversos países do mundo. Mas foi modesto quando o cotejo é com o crescimento do PIB do ano imediatamente anterior. Estamos falando de 2 010. Em 2 011 - recém encerrado - dados preliminares apontam crescimento do produto interno bruto de menos de 3 %. Mas em 2 010, o mesmo PIB chegou a crescer 7,5%, um dos mais altos do mundo.

      A evolução do comércio de varejo - com pequenas exceções - serve para comparação com a evolução do PIB porque houve semelhanças de percentuais. No ano de 2 010, o crescimento do PIB começou num ponto mais ou menos elevado até, desacelerando gradativamente, chegar ao final do exercício econômico com percentual de crescimento menor. Já no ano de 2 011 - nos dois primeiros trimestres - o PIB manteve a velocidade de 2 010, desacelerando gradativamente, à medida que o final do exercício ia chegando. Esta desaceleração deverá prosseguir nos primeiros meses de 2 012. Mas, à medida que os meses vão fluindo, o percentual de expansão do PIB vai crescendo. Com ele, o varejo também retoma o bom movimento de vendas.

      Esta quase montanha russa - porque foi isto o que quisemos dizer - nos permite concluir que a páscoa - em abril - terá movimento de varejo ligeiramente parecido com a expansão de dezembro de 2 011 em cotejo com dezembro de 2 010. Mas - na verdade - um pouco acima. Como em dezembro de 2 011 as vendas cresceram qualquer coisa como 3% em relação a dezembro de 2 010, na páscoa de 2 012 elas estarão maiores do que na páscoa de 2 011, mais ou menos 4%. A sequência de crescimento moderado poderá se repetir no dia das mães - em maio - quando os números do varejo forem comparados com o dia das mães de maio de 2 011. A expansão das vendas ficará, mais ou menos, no mesmo nível da expansão das vendas ocorridas na páscoa.

      Fica difícil prever-se o comportamento de vendas - apoiado na expansão do PIB - para o segundo semestre do corrente ano de 2 012, quando forçamos um paralelo com 2 011, também no segundo semestre. Mas aí - certamente - estamos falando sobretudo do dia dos pais, em agosto, logo após o dia dos namorados, em junho, quando as vendas já estarão ligeiramente superiores às da páscoa, às do dia das mães e às do dia dos namorados. Quando chegar outubro, com o dia das crianças, esperamos ter voltado à normalidade. Mas a previsão está difícil porque a data está muito longínqua.

*Antônio Vicente Golfeto é diretor técnico do Instituto de Economia da Associação

Comercial e Industrial de Ribeirão Preto

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Confiança é fundamental

Postado por Vicente Golfeto em 23 de Janeiro de 2012 às 10:57

                                                                                                                        Antônio Vicente Golfeto*

       É muito importante avaliar o grau de confiança - tanto do consumidor quanto do investidor, no caso o empresário - em face da realidade econômica. É que economia é confiança, sobretudo. É certo que a economia é também tecnologia, psicologia. Mas, sem confiança, a realidade econômica escapa da compreensão de todos, inclusive e principalmente dos acadêmicos.

       O filósofo árabe, chamado Avicena, dizia: uma pessoa caminha por uma tábua estreita sem nenhuma dificuldade enquanto acredita que a tábua está apoiada no solo. Ela tem segurança absoluta. No exato momento em que a mesma pessoa se dá conta de que a tábua está suspensa sobre um abismo, ela perde o equilíbrio e cai. As condições objetivas não foram alteradas em absolutamente nada. Mas a pessoa perdeu a confiança. Exatamente neste momento ela cai porque a confiança - que existia - deixou de existir.

       É esta confiança que os agentes econômicos precisam ter, ainda que as condições objetivas não sejam tão boas. Mantida a confiança, os agentes investem, consomem, produzem. Enfim, fazem o que sempre fizeram. Mas se a confiança ruir, tudo rompe-se.

       É esta confiança que precisa ser mantida. E que o Brasil tem, gradativamente recuperado, inclusive no plano internacional. Porque tem atraído investimento de capitais estrangeiros, ainda que os fundamentos de sua economia não sejam de molde a se aproximar da perfeição. 

*Antônio Vicente Golfeto é diretor técnico do Instituto de Economia da Associação 

Comercial e Industrial de Ribeirão Preto

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Muda o centro de gravidade do mundo

Postado por Vicente Golfeto em 16 de Janeiro de 2012 às 17:17

 

                                                                                                                         Antônio Vicente Golfeto*

       Lewis Munford nos diz que "antigamente, a cidade era um mundo. Hoje, o mundo é uma cidade". O papa - ao longo dos tempos - sempre falou urbi et orbi, isto é, para a cidade e para o mundo.

       Quando a cidade era um mundo, ela era diferente. Aliás, estamos nos referindo a cidades que ultrapassaram a casa dos quatrocentos ou dos quinhentos mil habitantes. Como Ribeirão Preto, que começou - já com qualquer coisa como trezentos mil habitantes, no inicio dos anos oitentas do século passado - a viver a fase dois de Munford, isto é, aquela em que o mundo é uma cidade.

       Em cidades menores do ponto de vista demográfico, o centro é a região comercialmente mais desenvolvida. É onde os negócios acontecem. Em Ribeirão Preto, a região central era o maior polo comercial da cidade, sem concorrente. Depois, gradativamente, a cidade vai construindo outros centros. Que, em Ribeirão Preto, coincidiu com o aparecimento dos shoppings como unidades de venda. O centro, aos poucos, vai perdendo importância relativa ainda que se mantenha como o maior local de transações no comércio de varejo.

       Os continentes também são assim. A Europa, que já foi o centro do mundo, hoje já está com cara de passado, ainda que tente - com a construção gradativa da unidade europeia e o coroamento da introdução da moeda única - fazer uma espécie de cirurgia plástica para retirar o excesso de pele caída.

       Em Ribeirão Preto, o bairro que mais cresce, em termos de área construída, é a Vila Virgínia, ainda que - em qualidade de construção - continue sendo a zona sul. A China seria a Vila Virgínia, para prosseguirmos o paralelo, ainda que - do ponto de vista de qualidade e de inovação tecnológica - os Estados Unidos, com concorrentes sérios, se mantenham no primeiro lugar.

      É deste ângulo geoeconômico que temos que analisar a realidade europeia e, também, a evolução urbanística das cidades em geral e de Ribeirão Preto, em particular.

*Antônio Vicente Golfeto é diretor técnico do Instituto de Economia da Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto

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