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Editorias \ Brasil & Mundo
RSSDomingo, 11 de Setembro de 2011 - 17h04 ( Atualizado em 11/09/2011 - 17h38 )
O socorro vem, com a bênção do São Francisco
257 profissionais pegam aviões da FAB para uma expedição da Saúde, pelo sertão do médio S. Francisco
Foto: Matheus Urenha / A Cidade
Senhora realiza cirurgia através da ação dos Voluntários do Sertão; veja mais fotos
As águas do rio São Francisco percorrem 902 quilômetros, de sua nascente, na Serra da Canastra (MG) até banhar o município baiano de Carinhanha. Chegam mansas, espraiadas em 300 metros de largura. E são uma dádiva. Afinal, não chove aqui há mais de quatro meses. A última precipitação ocorreu no fim de abril. De lá para cá, o sol abrasador ressecou a vegetação na cidade de céu azul claro e sem vestígio de nuvem.
Mas as águas do São Francisco fazem a diferença. Elas servem como fonte de renda (pescadores profissionais), de alimento (pesca familiar), matam a sede das criações, irrigam, abastecem a população, servem como lazer e, no final da tarde, amenizam o forte calor. Abençoadas águas do São Francisco.
Neste começo de setembro, junto com as águas do Velho Chico, Carinhanha, 28 mil habitantes, localizada no Polígono da Seca, divisa de Minas Gerais com a Bahia, recebeu a visita de uma turma generosa e competente: os Voluntários do Sertão.
A trupe, formada por 93 médicos de treze especialidades, 70 profissionais de enfermagem, 40 dentistas, 14 auxiliares de odontologia, 25 psicólogos e quinze farmacêuticos, trouxe vida ao município. Para transportar tanta gente, foram usados C-47 Amazonas da FAB, um jato da Passaredo e aeronaves de pequeno porte. Mas compensou.
Para se ter uma ideia, foram feitas 664 cirurgias de catarata, num lugar onde, anualmente, são realizadas, no máximo, vinte operações. Os Voluntários do Sertão, durante uma semana, inseriram saúde, deram exemplo de solidariedade e levaram alegria a Carinhanha, onde há uma agência bancária e uma lotérica, e 62% da população (17.300 pessoas) vivem da agricultura familiar, numa zona rural devastada pela longa estiagem.
Voluntários atendem 33 mil no meio do sertão
Em seis dias de trabalho, os Voluntários fizeram 33.342 procedimentos. Destaque para as 664 cirurgias de catarata e 7.296 intervenções odontológicas. Foram 40 dentistas chefiados por Antônio Oscar Ré. Os profissionais se revezaram em 20 equipamentos cedidos pela Gnatus. Um único paciente, sofreu 49 procedimentos, entre restaurações, extrações, cirurgias, canais e profilaxia.
Pelas contas do empresário Doriedson Ribeiro Pereira, 38, criador do movimento, se o trabalho tivesse sido feito por médicos particulares, a conta teria ficado em mais de R$ 4 milhões para o governo baiano. O governador Jaques Wagner entendeu o significado da visita e passou uma manhã na cidade. Foi a 11ª edição dos Voluntários, que ainda não escolheu a próxima cidade. O empresário Marcelo Galvão, importante peça no movimento, diz que será preciso muito cuidado, por se tratar de ano eleitoral. O Acre é um dos candidatos.
Pequenas cirurgias
Entre as 93 pequenas intervenções feitas pelos cirurgiões plásticos, duas chamaram a atenção. Uma delas foi a de Eufrasina Alvos Rapadura, 101 anos. O vitiligo cobre os braços, parte da cabeça e do rosto de Eufrasina. Mas não macula sua alma e nem dobra sua esperança. Eufrasina ouve bem e fala muito. Difícil é entender o que diz. Só a filha Eudete tem o privilégio de compreender a mãe.
O que levou a centenária às mãos humanitárias do cirurgião José Gilberto Gabarra, 71 anos, foi uma lesão na pálpebra do olho direito. Um mal que, se aparentemente não incomodava Eufrasina, agoniava a sua filha. O médico fez o melhor que pôde, na precária sala de cirurgia do hospital municipal. Eufrasina tem um câncer de pele, segundo Gabarra, há mais de dez anos. O tumor foi retirado, e dona Eufrasina vai tomar os remédios prescritos.
Segundo o genro João Batista, que a conduziu ao hospital, Eufrasina teve três filhos - dois homens e uma mulher. Um deles morreu. Ela nasceu em Barra, na região de Bom Jesus da Lapa (BA) e vive com a filha, na zona rural de Carinhanha. Pelas contas de João Batisa, Eufrasina tem 22 bisnetos.
A outra anciã socorrida foi Maria Alexandrina de Jesus, 81 anos. Ela teve um lóbulo retirado, com sucesso, da orelha direita.
Antes que se transformasse em "coisa ruim", na definição do filho Pedro, achou melhor levá-la aos médicos. Maria Alexandrina, que viajou 60 quilômetros para ser atendida, suportou bem a operação.
*Confira mais detalhes na edição impressa deste domigo (11)
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