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Ribeirão Preto, 30 de Julho de 2010
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Terça, 09 de Março de 2010 - 23h59
Metal eclético
Guitarrista do Sepultura faz pocket show e participa de um duelo diferente no Sesc Ribeirão Preto
Quem vê aquele guitarrista cabeludo e barbudo à frente do Sepultura, referência mundial do thrash metal, não imagina que Andreas Kisser é um sujeito que fica horas a fio estudando música clássica ao violão. Esse ecletismo já lhe garantiu convites para participar de shows e gravações de artistas de vários estilos. Desde Junior Lima (o irmão da Sandy) até o Senhor X, banda de Ribeirão Preto.
Nesta quarta-feira, Andreas enfrenta um desafio curioso: duelar com o campeão brasileiro de Guitar Hero, Fábio Jardim, de apenas 16 anos. O evento faz parte do projeto GameLab, promovido pelo Sesc local, que une experimentações e discussão sobre os games por meio da interatividade.
Após o duelo, Andreas deixa o mundo virtual e faz um pocket show no qual apresenta clássicos do rock pesado e músicas de seu primeiro CD solo: "Hubris I e II".
Na entrevista a seguir, o músico, torcedor fanático do São Paulo, fala deste novo trabalho, de sua influência sobre o filho músico e, claro, dos 25 anos de Sepultura.
Guitar Hero
Eu sou um péssimo jogador de Guitar Hero, até porque eu nem treino muito. Mas acho um jogo espetacular por causa da diversidade de sons e de bandas. Meu filho, por exemplo, aprende muito e soube que o campeão brasileiro também é um garoto. E é uma bela biblioteca musical sobre o rock. Claro que como técnica não ensina nada mesmo. Mas é um bom começo para uma galera que nunca tocou um instrumento.
Herdeiro
Meu filho (Yohan, 12) toca guitarra de verdade, corre atrás das coisas de que gosta e anda tirando sons de ouvido. Também vai em vários shows como o do Kiss e do Metallica, o qual nós abrimos aqui no Brasil e ele pode ver os caras de perto. Ele curte o som e está rolando legal no instrumento.
Violão Clássico
Eu não sou formado em música clássica. Comecei com o violão mais popular mesmo, e música erudita passei a estudar mais tarde, já quando eu morava nos Estados Unidos com o Sepultura. Aprendi a ler teoria, partitura e até hoje estudo, na medida do possível. É uma coisa que eu nunca larguei. É algo que eu curto muito, independente da guitarra.
CD solo
É um álbum duplo (Hubris I e II) que eu dividi entre um disco elétrico e um outro acústico. O primeiro disco tem banda, com vocais e convidados especiais como Zé Ramalho e Rappin Hood, além de músicas em português e inglês. O disco acústico é totalmente instrumental, com participações do André Abujamra, que fez arranjos para quinteto de sopro e violão, com muita percussão. É uma coisa bem livre, porque fiz músicas para os meus filhos, pra minha mulher e até pro São Paulo, o meu time de futebol. São 20 temas com tudo aquilo que eu curto. É algo bem pessoal e estou bem feliz com o resultado.
Ecletismo
As minhas influências sempre aconteceram de uma forma bem natural, desde a época do Sepultura, em discos como "Chaos I.D." e principalmente o "Roots". A gente misturava música brasileira e percussão japonesa com um som mais pesado. A banda tem um estilo próprio, porque procuramos sempre fazer coisas novas. Pelo menos pra gente. São 25 anos de história e discos tão diferentes um dos outros. São diversas gerações que acompanham nossa trajetória há tanto tempo.
Pocket show
O show [desta quarta-feira] vai ter um formato bem diferente, apenas com guitarra e percussão. Vou tocar alguns clássicos do rock, do heavy metal, e também vou tocar músicas do meu primeiro disco solo.
Sepultura
Foram muitas mudanças na banda neste tempo todo, não só com a saída dos irmãos Cavalera, mas também com troca de empresários, gravadoras. E a banda começou quando existia ainda máquina de fax e hoje tem tecnologia que a gente nem imaginava há 25 anos. Mas o mais importante é o Sepultura estar aqui até hoje, né, porque difícil sempre foi. Desde a saída do [ex-guitarrista e vocalista] Max no auge da banda, que nos desestruturou bastante, até a saída do Igor. Mas também temos muita sorte porque temos os ouvidos abertos e demos uma característica única à banda. A gente ama o que faz e isso pra gente sempre foi um prazer.
Serviço
Andreas Kisser
Quarta-feira, partir das 20h, no Galpão de Eventos no Sesc Ribeirão
Rua Tibiriçá, 50
Ingressos de R$ 2,50 a R$ 10
Inf.: (16) 3977-4477
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