Jornal A Cidade
Jornal A Cidade Fechar

Aguarde um momento...Carregando

Jornal A Cidade

Seu jornal. Sua cidade.

Ribeirão Preto, 24 de Maio de 2012

máx. 29ºC mín. 16ºC

Editorias \ Caderno C

RSS

Sábado, 22 de Outubro de 2011 - 19h52 ( Atualizado em 22/10/2011 - 20h09 )

Boa viagem: Trilha das Cachoeiras na Serra da Canastra

Cidades da Serra da Canastra, como Delfinópolis, atraem turistas em busca do contato direto com a natureza

Valeska Mateus

Tamanho da Letra A- A+

Foto: DivulgaçãoCachoeira Zé Carlinhos: recanto de águas tranquilas; veja mais fotosCachoeira Zé Carlinhos: recanto de águas tranquilas; veja mais fotos

No Sudoeste de Minas Gerais, a Serra da Canastra abrange as cidades de Delfinópolis, São João Batista do Glória, Capitólio, Sacramento, Vargem Bonita e São Roque de Minas. Uma paisagem de serra que permite avistar e desfrutar das cachoeiras, das nascentes e quedas d’água, percorrer trilhas e observar a rica fauna e flora locais.

"A Serra da Canastra é um ótimo lugar para desfrutar a natureza, descansar ou praticar esportes", comenta a jornalista Síntia Peixoto.
Berço de rios das bacias hidrográficas do rio Paraná e São Francisco e isolada por conta da precariedade das estradas de terra que davam acesso à região, por muito tempo as belezas da Serra da Canastra foram pouco exploradas pelo turismo. Mas hoje está na rota dos que apreciam ecoturismo e contato direto com a natureza.

O Parque Nacional da Serra da Canastra é a maior atração da região. Criado em 1972, com o objetivo de proteger as nascentes do rio São Francisco, ele possui quedas d’água e cachoeiras com mais de 100 metros, como a Casca D’Anta, que beira os 190 metros de altura.

A cidade mais próxima ao Parque, São Roque de Minas, fica a menos de oito quilômetros da sua entrada principal. Mas, nos arredores da Serra da Canastra, uma cidadezinha guarda os encantos das mais de 150 cachoeiras e muitas trilhas para motociclistas, jipeiros e ciclistas. Delfinópolis é um lugar em que se pode viver momentos de tranquilidade e se hospedar em antigas fazendas ou residências que foram transformadas em pousadas.

"A principal atração de Delfinópolis é possuir centenas de cachoeiras. A cidade mantém algumas ruas de paralelepípedos e arquitetura rústica do século 19. Além do acolhimento típico do povo mineiro", define Síntia.

A Serra da Canastra também é uma grande atração para apreciadores da fauna. A região típica de cerrado é uma oportunidade para avistar espécies de animais em extinção como o tamanduá-bandeira, o lobo-guará, o tatu-canastra e o pato mergulhão. "O cerrado é um bioma muito aconchegante porque tem na diversidade de plantas e animais silvestres uma forma prazerosa de se viver e que reflete na própria natureza das pessoas que nasceram na região. Frutas, pássaros, cantos, cores, flores e a água em abundância permitem que tudo flua naturalmente", define Mariângela Paiva Sampaio, dona da Pousada Rosa dos Ventos.

Para Mariângela, o maior atrativo de Delfinópolis é resgatar o contato com a natureza, com a tranquilidade de observá-la longe do estresse do dia a dia. "Ter o prazer de acordar às cinco horas da manhã com o cantarolar dos pássaros, como o trinca-ferro, sabiá e canário-da-terra. Isso permite o despertar diferenciado a quem visita à cidade, uma maneira verdadeira de se ver o mundo".

Apesar da natureza propícia, hoje não existem agências que proporcionem grupos de esportes de aventura em Delfinópolis, mas é permitido praticar, desde que a pessoa tenha equipamentos e conhecimento.

Trilhas, cachoeiras e animais silvestres

Atualmente, as trilhas a pé, o trekking de curta e longa distância, que vão de um a 50 quilômetros, são o grande atrativo da Serra. "Em todos os passeios a jipe, 4x4 ou a pé, o destino final é uma cachoeira", revela a dona de pousada Mariângela Sampaio. Como todas as cachoeiras estão em propriedades particulares, são cobradas taxas de manutenção ambiental que variam de R$ 3 a R$ 15 por pessoa.

O percurso até a Casca D’Anta, primeira queda do Rio São Francisco, é feito em três dias. Nele os turistas têm a oportunidade de dormir em uma fazenda e é possível desfrutar de paisagens como corredeiras, cachoeiras e espécies da flora e fauna, que deixam os visitantes deslumbrados. "Conseguimos encontrar tucanos, tamanduás e até patas de onça na trilha". Próximas a Delfinópolis existem nove fazendas em que se pode passar o dia. "Em um único dia de passeio dá para fazer até sete cachoeiras, dentro de uma mesma propriedade. E ainda desfrutar da comida caseira dessas fazendas", ressalta Mariângela. Na cachoeira da Água Quente, onde a temperatura da água gira em torno de 28 graus, são sete quedas de uma beleza indiscutível e os visitantes são recebidos pela proprietária, dona Maria Concebida, que ainda mantém a rusticidade e o modo de viver dos seus avós. "É um passeio cultural, além da paisagem da Serra da Gurita, uma das mais belas da região", diz.

A Cachoeira do Luquinha é conhecida pelas suas águas cristalinas, chova ou faça sol, e pela queda d’água em uma parede de pedra. Já as cachoeiras do Claro e a do Ouro são pontos excelentes para fazer rapel, além do saboroso restaurante de comida típica mineira do Baiano, com pão de queijo assado na hora e recheado com carne de porco conservada na lata. O dono, Adelber Lopes, apesar do apelido Baiano, é nativo de Delfinópolis e serve o mais famoso pão de queijo da região. "Todo mundo vem saborear. Fica no caminho da trilha dos motoqueiros, em plena Serra da Gurita", explica.

Diante de tanta beleza natural e tranquilidade, a única preocupação do turista deve ser chegar cedo à balsa, 30 quilômetros depois de Cássia de Minas, para atravessar a represa em horários de pouco movimento, até 17 horas, nos fins de semana e vésperas de feriado, já que à noite costumam formar filas para o embarque.

Telhado de pedra é referência para trilheiros

Bom de prosa, simpático e prestativo, Tio Zezico, de 81 anos, é uma das figuras mais conhecidas da região da Serra da Canastra. Não há motoqueiros que não conhecem a casa de telha de pedra, em pleno Vale da Babilônia, que se tornou ponto de referência para os trilheiros, distante 100 quilômetros de Delfinópolis. Nascido e criado na Fazenda Boa Vista, a 42 quilômetros de São João Batista do Glória, ele mesmo construiu a sede de 12 cômodos, em 1951. "Eu puxava as pedras com carro de boi. Levei dois anos para terminar". A fama começou há 20 anos, quando os motoqueiros descobriram a trilha que passava pela fazenda e paravam para pedir informações ou socorro por conta de acidentes.

"Ele dava comida e conversava com todos. Hoje muitos param só para dar um abraço. É conhecido por muita gente", diz a filha Elicene Almeida. José Portunato Guimarães, embora muitos desconheçam o nome verdadeiro, ganhou o apelido ainda na infância. A pouca estatura, por volta de 1,60 metro, e com um irmão também chamado José, logo virou Zezico. Embora seis dos sete filhos tenham se mudado para a cidade e, como ele faz questão de dizer, as camas ficaram vazias, Tio Zezico nem pensa em abandonar o sossego, as paisagens e as águas do local onde nasceu, cresceu e adora viver.

"Aqui passamos a conviver com tantas pessoas que nem damos conta da quantidade de amigos que fizemos. Daqui até o Japão eu tenho conhecido. Todo fim de semana tem gente diferente", diz ele, que passa horas na janela da casa e ajuda a mulher a vender combustível em galões para os trilheiros.

O patrimônio da Canastra

A riqueza da culinária mineira é reconhecida por todos. Entre os pratos e sabores de Minas, um se tornou patrimônio nacional: o queijo da Canastra. A produção artesanal, mantida por mais de 200 anos, da iguaria feita a partir do leite cru, lhe rendeu em 2008 o registro de patrimônio cultural imaterial brasileiro, pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Hoje, sua fabricação genuína, do queijo maturado e com a casca amarela, está concentrada nas mãos de pouco mais de 20 produtores.

Em Delfinópolis, a fabricação e venda de doces caseiros, queijos, farinha de mandioca, rapadura e pinga são outros atrativos da gastronomia local. A jornalista Síntia Peixoto sugere experimentar a farinha de mandioca da Dona Bidiquinha. "A fabricação é na casa dela, que adora quando chega turista para conversar".

Não é você? Clique aqui!

600

Termos de Uso

O 'A Cidade' não se responsabiliza pelas opiniões emitidas nos comentários. Todo o conteúdo publicado neste espaço é de responsabilidade do usuário. Não serão permitidos textos com ofensas, comentários preconceituosos, racistas, ofensivos, com palavrões ou qualquer termo que desrespeite a moral, os bons costumes, a lei ou o viole os direitos de terceiros.
O 'A Cidade' não revisa nem altera o texto publicado neste espaço, mas pode, sem aviso prévio, deixar de publicar ou excluir qualquer comentário que não respeite os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema da reportagem.
O 'A Cidade' se reserva o direito de, a seu próprio critério, armazenar as informações de usuários que se conectarem ao sistema de comentários, como forma de viabilizar eventuais identificações que se façam necessárias.

Limpar
Veja todas as notícias desta editoria.
Busca Avançada