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Quinta, 02 de Fevereiro de 2012 - 22h23

Menalton Braff lança novo livro e mantém ritmo

"Tapete de Silêncio" vai ser lançado mês que vem em Ribeirão Preto, São Paulo e Araraquara: uma obra inédita por ano

Simei Morais

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Foto: Weber Sian / A CidadeRadicado em Serrana, escritor  venceu o Prêmio Jabuti em 2000Radicado em Serrana, escritor venceu o Prêmio Jabuti em 2000

O escritor Menalton Braff, escondido nos morros de Serrana, alimenta uma lavoura literária farta. Nos últimos anos, tem lançado ao menos um livro a cada doze meses. O último, o romance "Tapete de Silêncio", foi gestado durante dez anos em cima de uma história longínqua que ainda rende leitura atualizada da sociedade brasileira. Na obra, o leitor acompanha uma trama ocorrida na fictícia Pouso do Sossego, em que os homens da cidade se projetam na polêmica busca pela filha do coronel que manda na localidade.

A moça, de uns 17 anos, fugira com um talentoso malabarista de circo. O artista, de sensibilidades acuradas, torna-se a caça de todo um grupo durante a história toda, contada em dois planos.
A história inicial, ele ouviu de um amigo, que a trouxera de uma Minas Gerais antiga. Ao longo dos anos, foi enriquecendo o imaginário e fazendo anotações no entorno dessa coluna vertebral, inspirada em fatos reais.

Ao desenvolvê-la no computador, Menalton dividiu o livro em uma parte narrada por Osório, um próspero comerciante que, apesar da boa situação financeira, obedece às ordens do coronel. Relatando o presente, sua narrativa é entremeada por outro narrador, chamado de coro, como nas tragédias gregas. "Osório narra uma noite chuvosa e sem fim que está acontecendo, até um momento em que o presente e o passado [no segundo plano] se encontram", explica o autor.

Pacto

O título do livro - "como é difícil botar nome, nossa senhora", diz Menalton - saiu de um trecho em que se comenta que os fatos daquela noite "ficaram todos escondidos debaixo de um tapete de silêncio".
Havia um pacto, o famoso "acordão", tão nosso, que varria o que fosse. A prática incomodava apenas ao pároco da cidade, recém-chegado da Espanha, imbuído de fervoroso espírito missionário. Num dos primeiros sermões, esbravejava, de cima do púlpito: "corja de fetichistas", uma referência que Menalton encontrou em "Raízes do Brasil", obra clássica de Sérgio Buarque de Holanda.

"O Buarque de Holanda diz que o brasileiro vai à igreja para se exibir, ao contrário do europeu, que é religioso e se põe contrito na presença de Deus. O brasileiro entende as coisas da religião como fetiche e superstição", comenta o escritor, fazendo ponte para ilustrar o distinto sincretismo religioso brasileiro.

O padre do romance, por sinal, cansou-se e entregou-se ao "jeito" nacional, da mesma genética malemolente que explica o tal tapete de silêncio, um ícone com leitura antropológica. "É um tapete do Brasil que não é declarado, daquilo que todo mundo sabe, mas não diz", comenta. Não é a primeira vez que o falso moralismo emerge de suas letras. Aconteceu em "Moça do Chapéu de Palha" e em "Muralha de Adriano", também de recentes lavras. Esse, porém, é todo alicerçado nessa víscera exposta.

"Nenhum dos meus outros livros tem essa carga", avisa.

Serviço

Tapete de Silêncio

Editora Global
128 páginas
www.globaleditora.com.br

 

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