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Segunda, 20 de Fevereiro de 2012 - 20h11

Candido Portinari brilha em desfile na Sapucaí

Gerente do Museu Casa de Portinari fala sobre o desfile em homenagem ao pintor nascido em Brodowski

Analídia Ferri

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Foto: Nacho Doce / ReutersCarro-alegórico da Mocidade, que fez uma homenagem na Sapucaí ao pintor Cândido PortinariCarro-alegórico da Mocidade, que fez uma homenagem na Sapucaí ao pintor Cândido Portinari

O pintor Candido Portinari foi o grande homenageado da escola de samba Mocidade Independente de Padre Miguel, no desfile do último domingo (19), no Rio de Janeiro. Com o enredo "Por ti, Portinari: Rompendo a Tela, à Realidade", o carnavalesco Alexandre Louzada retratou as diversas obras do artista que nasceu e viveu parte de sua vida em Brodowski.

A Mocidade colocou a trajetória de Portinari na avenida, além de algumas de suas principais obras. A comissão de frente estava toda de branco, representando o esboço das telas de pintura.  Um grafiteiro fazia a assinatura de Portinari por trás de um quadro branco, representando o próprio pintor assinando sua obra na avenida.

A ala Aquarela começou a dar cor ao desfile, fazendo uma alusão às cores das tintas sobre as telas em branco. Imponente, o pintor Candido Portinari vinha representado em forma de uma enorme escultura, balançando seu pincel, como se estivesse pintando a Sapucaí.

Além da escultura do pintor, o carro abre-alas "Por ti, Portinari - o Universo", todo branco e prateado coberto de espelhos com mais de 20 metros de comprimento, trazia uma iluminação feita em LED, que alternava as cores conforme o enredo.

"O carro abre-alas chamou muito a atenção, porque mudava de cores e dava para ver de longe a imensa alegoria", comentou a gerente do museu Casa de Portinari, Cristiane Maria Patrici, que assistiu aos desfiles na arquibancada da Sapucaí.

Cristiane foi convidada pela direção da escola a assistir ao desfile na capital carioca e ficou emocionada com o que viu.

Espantalho

Outro destaque no desfile da Mocidade foi um tripé que representava um enorme espantalho, figura que Portinari colocou em muitas de suas obras. A segunda alegoria era composta por três obras importantes do pintor: "Café", "O Mestiço" e "O Lavrador de Café", relembrando os imigrantes italianos que chegaram ao interior de São Paulo no final do século 19, que trabalharam na colheita do café.

A igrejinha da Pampulha, localizada em Belo Horizonte, projetada por Oscar Niemeyer e decorada por Portinari, foi o destaque da quarta alegoria do desfile. Os quadros "Criança Morta" e "Retirantes" foram representados pelo quinto carro alegórico, "Êxodo Sertanejo". "Os elementos que compõem a obra do Portinari estavam em plena harmonia, o colorido ficou bastante evidente", acrescenta Cristiane.

Dom Quixote

A sexta alegoria "Dom Quixote Riscando Poesia em Lápis", mostrou as ilustrações de Portinari, com um enorme cavalo do personagem do livro de Miguel de Cervantes todo pintado à mão e rabiscado com giz de cera e lápis de cor. A época em que o pintor viveu no Rio de Janeiro também foi retratada na avenida para mostrar os morros cariocas. "O Morro - Retrato da Vida Real" trazia os membros da velha guarda da Mocidade.

O painel "Guerra e Paz", feita para a sede da Organização das Nações Unidas (ONU), foi representado pela ala das baianas que estavam de branco e também pelo último carro alegórico. "Foi emocionante ver o último carro alegórico, porque a paz se sobressaia em meio à guerra. As baianas formavam um verdadeiro mar de paz", conta Cristiane.

A bateria também chamou atenção pelas cores. O carnavalesco Alexandre Louzada, que chegou a visitar o museu do pintor em Brodowski para conhecer o lugar onde nasceu o artista, quis transformar os componentes em pincéis. "O desfile foi bastante fiel dentro do enredo proposto, fazendo uma releitura bem contemporânea da obra de Portinari. O clima estava contagiante e emocionante", finaliza Cristiane.
 

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