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Terça, 21 de Fevereiro de 2012 - 20h12

Grupo de Ribeirão transforma clássico em teatro de rua

Engasga Gato conseguiu R$ 100 mil para a produção graças ao Programa de Ação Cultural

Analídia Ferri

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Foto: Weber Sian / A CidadeGrupo que tem sede no Edifício Diederichsen pretende apresentar o novo espetáculo em várias cidades paulistasGrupo que tem sede no Edifício Diederichsen pretende apresentar o novo espetáculo em várias cidades paulistas

Dois grupos de teatro de Ribeirão se uniram para uma missão nada fácil: transformar o poema épico de Goethe sobre o célebre personagem Dr. Fausto em uma peça de teatro de rua, intitulada: ‘Infausto: No Meio do Redemoinho’.
A difícil adaptação da história do homem que se desiludiu com o conhecimento e vendeu a sua alma ao diabo atravessa séculos e já foi revisitada por diferentes artistas. Agora, está nas mãos do Grupo Teatral Engasga Gato e da Cia Cornucópia, ambos de Ribeirão Preto.

O Engasga Gato se inscreveu em um edital do Programa de Ação Cultural do Estado de São Paulo (Proac) em abril do ano passado. Depois de esperar por um longo processo burocrático, finalmente foram contemplados pelo edital de produção de espetáculos inéditos, com R$ 100 mil. "Fomos os únicos no interior de São Paulo", conta Monalisa Machado, integrante do grupo.

A contrapartida, explica Monalisa, que também faz parte do elenco, será viajar por cinco cidades da região (Araraquara, Barretos, Bauru, Franca e Jaboticabal), além da capital para apresentar a peça. O grupo já estava pensando em montar um espetáculo na rua e aproveitaram o incentivo para trazer alguns convidados que poderiam ajudar na montagem da peça.

"Nós já sabíamos desse desejo do Dino Bernardi de montar uma peça sobre Fausto, então, o Infausto nos pareceu muito interessante nesse momento da nossa história", explica a atriz. Dino Bernardi está à frente da Cia Cornucópia há 25 anos. Além de ser educador, ele é um grande entusiasta das artes cênicas na cidade. Experiente, ele diz que essa montagem é uma experimentação sobre a obra de Goethe.

"O Goethe tem uma cosmovisão sobre o ser humano que é muito intensa. Passou grande parte de sua vida refletindo sobre o homem e compôs esse poema que se transformou em uma das maiores obras da literatura mundial", comenta.

Adaptação
Mesmo sem ter a pretensão de seguir à risca a obra de Goethe, o grupo está em fase de estudo, ensaiando para conseguir conceber a apresentação. "Nós pensamos em como redimensionar isso para a nossa atual realidade, então, nós refletimos sobre como abordar essa situação "fáustica", em que o homem é colocado em xeque, através de uma força que é o diabo", acrescentar Bernardi.

Para tanto, foi preciso recorrer à ajuda de outro convidado, o ator e dramaturgo Lucas Arantes, que vai auxiliar os atores com a dramaturgia. "Depois de alguns estudos, nós chamamos o Lucas para fazer um texto que conseguisse se encaixar nessa questão que nós estamos abordando", conta Bernardi. "É uma experiência nova trabalhar com um espetáculo que será encenado na rua. A atmosfera é parecida com a do Fausto de Goethe, mas estamos recriando a nossa própria estética", diz Arantes.

Bernardi pretende desmistificar a velha história do homem que vende a alma ao diabo. "Buscamos referências de situações em que o homem é colocado à prova de seus limites, desejos e escolhas", diz. A peça quer mostrar uma nova versão de Fausto, um professor universitário que está isolado em uma chácara, está cansado de ler e descobriu que conhecimento não traz felicidade. "A angústia é a mesma, só que para um homem que está em estado de ressaca e já sabe de tudo", completa Bernardi.

O diretor da peça, Dino Bernardi, revela que se trata de um espetáculo que não segue o padrão clássico de interpretação.
"Nós estamos seguindo uma concepção de linguagem que é pautada no vídeo clipe", ressalta.

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