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Sábado, 27 de Março de 2010 - 21h02
Especial: Anjos de asas partidas comovem o país
O julgamento do casal Nardoni revive a morte traumática da menina de 5 anos e reacende a questão brutal da violência doméstica
Foto: Reprodução
Pedro Henrique - mãe e padrasto são acusados da morte do garoto
Três casos de mortes de crianças abalaram a região nos últimos dois anos. As vítimas foram Pedro Henrique Marques Rodrigues, o Pedrinho, Gustavo Raphael Rodrigues Paulino Ferreira e Kamilly Cristina Pereira. No país, repercutem ainda a morte de Isabela Nardoni e o dramático julgamento dos acusados do crime.
Em comum, as crianças têm o fato de que todas foram vítimas de maus-tratos, morreram e os suspeitos são pessoas próximas delas: pai, mãe, padrasto e madrasta.
Para o psicólogo Diego Gutierrez, o agressor que maltrata e chega a matar crianças que deveriam ser amadas por eles buscam um bode expiatório para os seus próprios problemas.
"É uma espécie de transferência. Pais frustrados por várias razões, como problemas financeiros, procuram um bode expiatório, e escolhem a criança por ser uma vítima frágil", afirmou.
Para ele, a criança é uma vítima em potencial porque é indefesa, ingênua, desprovida de força e preparo para se proteger contra o agressor.
Segundo ele, os agressores não têm consciência que estão transferindo as suas frustrações para as crianças.
"Se eles tivessem consciência, não usariam o mecanismo. Saberiam que são responsáveis pelas próprias frustrações".
De acordo com Gutierrez, na maioria das vezes, os agressores dão sinais que algum dia poderão cometer atrocidades contra os pequenos. "Eles podem fazer uma coisa bárbara. Começam primeiro judiando da criança psicologicamente e depois passam a responsabilizá-la pela desgraça da família".
O tratamento para estas pessoas é raro. "Ela teria que ter consciência do problema para se tratar, mas a pessoa não reconhece a sua psicose. Ela desconta no outro as frustrações. É uma atitude covarde e imatura".
Pedrinho teve embolia pulmonar
Pedro Henrique Marques Rodrigues, 5 anos, o Pedrinho, morreu no dia 12 de junho de 2008. Inicialmente, Juliano Gunello e Kátia Marques, padrasto e mãe do garoto, afirmaram que ele havia ingerido Semorin (tira-manchas) e passado mal. A ambulância foi chamada e o garoto foi levado ao hospital onde morreu horas depois. Segundo a denúncia da Polícia Civil, o casal é suspeito de maltratar o menino. Laudo do IML (Instituto Médico Legal) apontou que o Pedrinho tinha 65 equimoses pelo corpo, costela quebrada e morreu de embolia pulmonar gordurosa após ter o pulso quebrado.
A delegada Maria Beatriz Moura Campos que investigou o caso denunciou o casal por maus-tratos. O promotor José Roberto Marques mudou a tipificação para tortura. O caso está no Fórum de Ribeirão Preto aguardando sentença. Vai a júri popular apenas crimes como homicídio. Gunello e Marques sempre afirmaram que são inocentes. Eles se dizem vítimas de fofocas de vizinhos.
O advogado de defesa do casal, Luiz Carlos Bento, afirma que o menino pode ter tido o pulso quebrado por enfermeiros do Samu (Serviço Móvel de Urgência).
Gustavo, espancado até a morte
Gustavo Raphael Rodrigues Paulino Ferreira, 1 ano e 4 meses, morreu após ser espancado em uma pensão no Centro de Ribeirão Preto em janeiro deste ano.
O principal suspeito do crime é o padrasto, Edilson Roberto Nogueira, 23 anos, que foi preso em flagrante.
De acordo com a denúnica do MP, Vanessa Paulino, mãe de Gustavo, chegou no quarto da pensão e encontrou o menino desmaiado e cheio de hematomas. Ela questionou o padrasto e ele disse não saber o que havia acontecido.
Vanessa levou a criança para a Unidade Básica Distrital de Saúde da área central, onde os médicos constataram que ele estava com uma fratura no crânio e com sinais de espancamento. Por causa da gravidade dos ferimentos, Gustavo foi transferido para a Unidade de Emergência do Hospital das Clínicas, mas morreu uma hora depois.
A Polícia Militar foi chamada e Vanessa delatou o companheiro. Os policiais militares foram até a pensão e prenderam o rapaz que negou o crime. Levado à delegacia, ele foi autuado por homicídio qualificado e encaminhado ao Centro de Detenção Provisória.
Kamilly tinha só um ano e nove meses
Kamilly Cristina Pereira, 1 ano e nove meses, morreu cinco dias depois de ter dado entrada na Unidade de Emergência do Hospital das Clínicas.
O suspeito do crime é o padrasto André Fiúza Marçal, 19 anos, acusado de ter espancado e estuprado a enteada. Ele foi indiciado por tortura e está preso no Centro de Detenção Provisória.
A menina deu entrada no hospital com traumatismo craniano e marcas de queimaduras e mordeduras pelo corpo.
Segundo a mãe da criança, Jaqueline Pereira, a menina era vítima das mordidas e dos socos do padrasto.
"Ele mordia minha filha até machucar. Eu não denunciei porque ele me ameaçava", afirmou em entrevista anterior. Ela também estava machucada e cheia de hematomas.
O crime surpreendeu os vizinhos da família que na época disseram que Kamilly tinha um amor especial por André e que o chamava de papai.
Vizinhos também afirmaram à polícia que algumas vezes viram a menina com o braço e a perna machucados, mas que a família dizia que ela havia caído da cama ou da mesa.
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Acreditamos que será feito Justiça e a sentença será proferida com o pedido de prisão dos acusados, por terem ceifado a vida desse anjo inocente de forma cruél.
Sabemos que nada trará a vida desse inocente de volta, mas é justo, é correto que se faça JUSTIÇA e que os responsáveis pela morte do Pedrinho paguem pelo que fizeram.
Precisamos relatar esses casos para que não caiam no esquecimento e possivel impunidade.
Bjos