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Sábado, 08 de Outubro de 2011 - 00h02

Sem-teto têm 10 dias para deixar área na zona Oeste de Ribeirão

Ao menos 45 famílias ocuparam área verde no Jardim Santa Rita há quase um mês; prefeitura recorreu à Justiça

Wesley Alcântara

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Foto: Weber Sian / A CidadeMoradores da favela ainda não sabem para onde ir, após ordem para deixarem local onde estãoMoradores da favela ainda não sabem para onde ir, após ordem para deixarem local onde estão

Ao menos 45 famílias sem-teto que construíram barracos em uma área verde na avenida Cásper Líbero, no Jardim Santa Rita, zona Oeste de Ribeirão Preto, terão de deixar o local em 10 dias. A medida segue determinação Judicial, após a Prefeitura ajuizar ação pedindo a desocupação do local.

A formação da nova favela teve início há um mês em terreno que fica a comunidade Portelinha. O chefe da Fiscalização Geral, Osvaldo Braga, afirma que houve várias tentativas para conseguir a desocupação da área amigavelmente, mas houve resistência.

A administração municipal ajuizou ação para a desocupação. "É um procedimento normal para evitar a formação de novas favelas", explica Braga.

Cerca de 20 famílias já deixaram a área e foram para casas de familiares. Braga afirma que o restante dos sem-teto terá até o dia 18 para sair. "O prazo inicial era até o início da próxima semana, mas pedimos para a Justiça prorrogar mais 10 dias", explica.

Segundo ele, as famílias foram cadastradas por assistentes sociais e podem ser inscritas nos projetos habitacionais.

Sem ter para onde ir

O pedreiro Wellington Rafael Leme do Prado, de 22 anos, diz que estava morando na rua com sua mulher, a doméstica Daniela Ferreira da Silva, 18, quando soube que poderia montar um barraco na área verde. "Vamos ficar aqui até o prazo vencer, porque não temos para onde ir. Nosso futuro será a sarjeta", diz.

Prado montou um cômodo ao lado de uma árvore e até improvisou uma ligação clandestina para ter energia elétrica. Assim, consegue assistir televisão.

A doméstica Maria Aparecida Ferreira, 53, que mora no local, diz que até chegou a reservar um espaço no terreno para erguer um barraco para seus filhos.

Com a ordem judicial para a desocupação, as famílias que não conseguiram ajuda de parentes procuram agora uma nova área para invadir.

Caminhada

Moradores da extinta Favela da Família, no Jardim Aeroporto, zona Norte de Ribeirão, fazem neste sábado (8) uma caminhada para conscientizar o poder público sobre a necessidade de avançar com os projetos habitacionais. O líder dos sem-teto, Aldair Ribeiro da Silva, disse que a caminhada tem início às 8h. O grupo sairá do aeroporto Leite Lopes com destino ao Palácio Rio Branco. "Durante o percurso, vamos fixar faixas e cartazes para conscientizar a população", diz.

Aldair afirma que, desde a desocupação da Favela da Família em julho numa ação truculenta da PM (Polícia Militar), a comunidade contou apenas com doações da população. "Fizemos várias reuniões na prefeitura e não houve qualquer avanço", diz.

As 230 famílias invadiram terreno particular no início do ano. Depois da desocupação, elas permaneceram numa tenda em um campo de futebol e agora ergueram novos barracos no local.

 

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