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Sábado, 19 de Novembro de 2011 - 20h12

Número de psicóticos triplica em dois anos

Para ‘fugirem’ da doença, pacientes se drogam e acabam tornando tratamento ainda mais difícil

Mariana Lucera

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Foto: Weber Sian / A CidadeÁlcool e drogas agravam os problemasÁlcool e drogas agravam os problemas

O número de pacientes que sofrem de algum transtorno psicótico triplicou nos últimos dois anos em Ribeirão Preto. A estimativa é do coordenador de saúde mental do município Alexandre Souza Cruz.
Anualmente são atendidos 24 mil pacientes com transtornos mentais na cidade. Aproximadamente 7,2 mil sofrem de alguma psicose e, entre esses pacientes o percentual que passou a fazer uso de álcool ou drogas subiu de 5% para 20%, ou seja 1,4 mil pacientes.

"Pacientes com esquizofrenia, por exemplo, passaram a usar algum tipo de droga como solução para os problemas e isso aumenta ainda mais o transtorno", explica Cruz.

Grande parte dos casos que vão para filas no atendimento de urgência e emergência para aguardar vagas de internação são de pacientes com esquizofrenia que fazem uso de álcool e drogas. "Nos últimos cinco anos o número de pessoas com algum tipo de psicose também aumentou e hoje esses pacientes ocupam o terceiro lugar nas doenças mentais", explica Cruz.

O coordenador regional do INCT Translacional em Medicina e coordenador dos três ambulatórios de esquizofrenia do Hospital das Clínicas, Jaime Hallak diz que desde o ano passado os pacientes que sofrem dessa psicose e fazem uso de droga passaram a fazer um tratamento diferenciado no HC. "Percebemos que esses pacientes só faziam acompanhamento no CapsAd e lá eles não recebiam tratamento para a esquizofrenia. Quando eles vieram para cá, passamos a tratar de maneira correta a doença, com medicamentos mais fortes", explica. Segundo ele, os resultados do tratamento em pacientes usuário de drogas são piores que nos não usuários.

Outras doenças
A depressão lidera o ranking de doenças mentais em Ribeirão Preto. Em segundo lugar aparece a ansiedade, puxada pela síndrome do pânico. Porém, há dificuldades para se quantificar o aumento no número de casos.

HC deve atender mais
Uma parceria entre o HC e a coordenadoria de saúde mental do município vai ampliar o número de vagas oferecidas para o tratamento de esquizofrenia nos ambulatórios do HC. O objetivo é que sejam abertas 100 vagas. De acordo com o psquiatra Jaime Hallak, o uso da droga é consequência da doença que, se for tratada corretamente, vai diminuir o número de pacientes que recorrem aos entorpecentes. "Já percebemos uma melhora, porque isso passa a ser compreendido como sintoma e não como falta de caráter", diz.

Pacientes que sofram de esquizofrenia e façam ou não o uso de drogas podem procurar atendimento no ambulatório do HC pelo telefone (16) 3602-2703, pois mais vagas serão abertas para os pacientes.
 

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  • 1 Comentário
  • por Aristides Marchetti Filho, em 20 de Novembro de 2011 às 08:51 Em pesquisas realizadas junto ao Observatório da Violência da USP por vários anos, foi possível constatar, através de dados da OMS, que de 3 a 5% da população geral possui graves transtornos psiquiátricos, e que 15% da população geral possui algum tipo de transtorno psiquiátrico.
    Ribeirão Preto está na média.
    A falta de maior atenção para a Saúde Mental, as ideias antimanicomiais, agravam sensívelmente o quadro.
    O governo economiza para sobrar mais.
    Corrupção!
    Observe a ocorrência de criminosos loucos.
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