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Sábado, 28 de Janeiro de 2012 - 21h17

Primeiro semáforo chega a Santa Rosa do Viterbo

‘Yes, nós temos semáforo’, brincou o semanário local ao noticiar a novidade em chamada de capa

Sidnei Quartier

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Foto: Weber Sian / A CidadePrimeiro sinaleiro fica na esquina mais movimentadaPrimeiro sinaleiro fica na esquina mais movimentada

A chegada do semáforo foi motivada também pelo crescimento da frota de Santa Rosa, já batendo nos onze mil veículos. Os números do IBGE mostram que em 2010 a cidade tinha 7.089 automóveis, 1.484 motos, 928 caminhonetes, 366 caminhões, 120 tratores, 85 ônibus e 33 micro-ônibus.

O crescimento da frota, da população (estimativa de 24 mil habitantes para 2012) e o alto número de acidentes, forçaram a criação da Jari (Junta Administrativa de Recursos de Infrações) no dia 17 de agosto do ano passado. Só a partir de então, com a formalização de um convênio com a Política Militar e a Prefeitura, os motoristas e motoqueiros de Santa Rosa começaram a ser multados. Até então, viviam num paraíso. Podiam cometer todo tipo de infração que nada acontecia. Os sinais de trânsito só serviam para a Polícia Técnica apurar responsabilidade em acidentes com vítimas. Multas, só nas rodovias estaduais, federais ou quando visitavam outras cidades.

Em cinco meses de funcionamento, a Jari já contabiliza 470 multas no município, média de 94 por mês. As mais aplicadas são pelo uso indevido de celular, falta do cinto de segurança e estacionamento em locais proibidos. Com a instalação do semáforo, virão punições mais pesadas, que podem penalizar com a perda de sete pontos na carteira de habilitação.

Na boca do povo
O primeiro farol de trânsito foi o principal assunto na cidade, na semana passada. O semanário local, em seu último número, trouxe na primeira página chamada irônica sobre a novidade.

O título da matéria, "Yes, nos temos semáforo", glosou a marcha carnavalesca "Yes, nós temos banana", composta por Braguinha e Alberto Ribeiro, em 1938, que brincava com o fato de o país ser um grande produtor e exportador do fruto. "Yes, nós temos banana; banana para dar e vender. Banana, menina, tem vitamina. Banana engorda e faz crescer".

Novidade é discutida por moradores
A população recebeu o semáforo com opiniões divididas. Para o editor Victor Cervi, jornalista experiente da cidade, "semáforo é coisa de caipira". Segundo ele, com mais sinalizações e racionalidade, Santa Rosa teria um trânsito organizado.

"Trazer semáforo só porque outras cidades do mesmo porte, como Cajuru, possuem ?, questiona Cervi, nascido em Santa Rosa há 70 anos.

O historiador Romeu Antunes, também jornalista, tem opinião contrária. Para ele, "semáforo é chique, é bom, dá status para a cidade e pode, sim, ajudar na organização do trânsito". Outro formador de opinião, o jornalista André Nagib Moussa, 44, diz que o "semáforo chegou em boa hora para ajudar o trânsito".

A infração
A comerciante Elaine Stefanelli, 30 anos, dirige seu carro pela rua Santa Catarina e prepara-se para entrar na Presidente Vargas. Justamente o cruzamento do primeiro semáforo.

Ela não usa o cinto de segurança e diz que "a cidade tem outras prioridades que não a instalação de semáforos, que não irão resolver os problemas do trânsito em Santa Rosa".

Mauro Moraes, 70 anos, todos eles vividos na cidade, acredita que até os motoristas e motoqueiros se acostumarem, vão acontecer muitos acidentes no cruzamento sinalizado. "A pessoa vai esquecer de olhar para o semáforo", imagina.

Mauro conta que nos últimos anos, testemunhou mais de trinta batidas só com motos, na altura do numero 923 da Presidente Vargas, onde mora.

Já dona Maria de Lourdes Paschoalim, 71 anos, pensa de forma diferente. Torce para que vários semáforos sejam instalados. Ela diz que escapou de vários atropelamentos na Presidente Vargas. Segundo ela, motos e carros não respeitam os pedestres.

Foram 119 anos até a chegada do farol pioneiro
Em 1893, com a instalação de um distrito policial, Santa Rosa de Viterbo ganhou status e passou a ser reconhecida por São Simão. Em 1910, deixou de ser disitrito de São Simão e, na condição de vila, passou a se chamar Ibiquara.

Voltou a ser Santa Rosa, mas passou para Icatuma, porque existia outra Santa Rosa no Rio Grande do Sul e o então presidente Getúlio Vargas, nos anos 1950, não permitia cidades homônimas no país.

Em seguida, por imposição dos moradores, voltou a ser Santa Rosa de Viterbo, conta o historiador Romeu Antunes.

Em 1953 obteve sua emancipação política e tornou-se comarca de Santa Rosa de Viterbo. Foram 119 anos, cinco meses e três nomes até a chegada do primeiro semáforo.
 

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