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Domingo, 05 de Fevereiro de 2012 - 20h41
Beber socialmente também gera problemas
Trabalho feito na USP mostra que a bebida relaxa a aorta e faz o corpo produzir muitos radicais livres
Foto: Matheus Urenha / A Cidade
Próxima linha de estudo deve avaliar se "doses agudas" causam efeito prolongado, diz Hipólito
O efeito do consumo agudo do álcool, relacionado a ingestões de bebida em ocasiões específicas, pode causar hipertensão e problemas cardiovasculares, além de aumentar o risco do desenvolvimento de Acidentes Vasculares Cerebrais (AVCs). É o que aponta uma pesquisa desenvolvida pelo doutorando Ulisses Vilela Hipólito, no laboratório da farmacologia da USP, em parceria com a Universidade de Ottawa, no Canadá.
"As linhas de pesquisas existentes já estudaram os efeitos do consumo crônico do álcool, que é prejudicial à saúde. O objetivo dessa pesquisa foi analisar se um consumo, mesmo que menor, também poderia trazer danos para a saúde. Percebemos que isso ocorre", diz Hipólito.
Para a realização da pesquisa, foi utilizado o modelo "Binge drinking", termo em inglês que pode ser entendido como o bebedor de fim de semana. Os estudos se basearam na administração do álcool em ratos e comprovou que 85% dos animais que fizeram a ingestão da substância apresentaram alterações no sistema cardiovascular.
O coordenador da pesquisa, Carlos Renato Tirapelli, explica que a grande pergunta a ser respondida é como o álcool induz à hipertensão. "Foi possível perceber que o álcool relaxa a aorta. Ele produz muitos radicais livres, que são as moléculas formadas no organismo, resultado da oxidação natural. Esses danos podem provocar um gatilho que desencadeie num espasmo e até levar ao AVC" diz o pesquisador.
A pesquisa tem sido desenvolvida nos últimos dois anos. São observados ratos sob o efeito de uma quantia de 13% de álcool no organismo. O estudo é feito após a absorção do etanol pelo organismo. Tirapelli explica que o Sistema Estadual de Análise de Dados (Senad) também tem demonstrado preocupação com o hábito de beber socialmente.
"O Senad fez um levantamento em 2007 e, no Brasil, esse hábito é muito comum entre jovens de 18 a 30 anos. Por isso, a necessidade de reconhecer que esse uso agudo também é prejudicial", afirma. Além do apoio da universidade canadense, a pesquisa teve financiamento da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).
Vitamina C ajuda a minimizar efeitos do álcool
Para tentar minimizar os efeitos do álcool no organismo, foi utilizada a vitamina C, administrada aos ratos depois da ingestão alcoólica. "Como a vitamina C é um antioxidante natural, tentamos utilizá-la para reduzir os danos causados pelo álcool no organismo e percebemos que ela minimiza alguns efeitos", diz Hipólito.
Segundo o pesquisador, o próprio organismo possui as vitaminas C e E, porém em quantidades insuficientes para reagir ante o álcool. "Posteriormente, será testado o uso da vitamina E para ver se ela será capaz de ajudar na minimização dos efeitos", afirma.
A próxima linha de estudo de Hipólito será observar se os efeitos do álcool em doses agudas pode ter consequência prolongada.
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No país da cervejinha, essa é uma notícia bombástica.
Até para o pessoal da universidade, que é chegadinho em um "pileque social".
De hoje em diante, Coca-Cola e Danoninho prá todo mundo!