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Quinta, 02 de Setembro de 2010 - 14h06
Cartaxo diz que sua demissão depende de Mantega
Causou profundo mal estar no Planalto a informação de que o comando da Receita Federal montou uma operação para abafar o escândalo da quebra de sigilo de membros do PSDB e de Verônica Serra, filha do candidato tucano, José Serra. A operação, noticiada na edição desta quinta-feira do Estado teria o objetivo de evitar impacto político na campanha da candidata do PT, Dilma Rousseff.
A reportagem mostrou que a Receita suspeitou de fraude na violação do sigilo fiscal da filha de Serra, mas mesmo assim montou uma operação para abafar o escândalo e evitar impacto político na campanha de Dilma. Em meio ao discurso oficial, iniciado na noite de terça-feira, de que não havia irregularidade, o governo já sabia que a procuração usada para violar os dados de Verônica Serra poderia ser falsa. Os novos documentos da investigação, a que o Estado teve acesso ontem, também provam que a Receita sabia desde o dia 20 de agosto que o sigilo fiscal de Verônica havia sido violado em setembro do ano passado.
Ao Estado, Cartaxo negou que na terça-feira já soubesse dos indícios de fraude. "Isso é uma inverdade. Eu só soube que a procuração tinha indícios de fraude ontem à tarde", afirmou. "A comissão que investiga o caso é independente. A comissão só comunica o que acha relevante", disse. "A comissão não é subordinada", ressaltou.
As palavras de Cartaxo, no entanto, se contradizem novamente. Na terça-feira à noite, quando o Estado revelou a violação do sigilo fiscal de Verônica, o Ministério da Fazenda e a Receita procuraram a imprensa, inclusive o Estado, para informar que não havia irregularidade que e os dados de Verônica foram consultados mediante requisição autorizada e assinada por ela. Ou seja, a direção da Receita já tinha sido informada pela comissão da existência da procuração.
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