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Terça, 30 de Agosto de 2011 - 23h57 ( Atualizado em 31/08/2011 - 14h18 )

Ex-funcionária de Oliveira é susposta fantasma na Câmara

Ex-assessora mora na cidade de Estiva Gerbi e ficou nomeada por 7 meses em Ribeirão Preto

Hélio Pellissari

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Foto: Weber Sian / A CidadeEm Estiva Gerbi, Maria de Fátima disse à reportagem que nunca teve emprego fixo em RibeirãoEm Estiva Gerbi, Maria de Fátima disse à reportagem que nunca teve emprego fixo em Ribeirão

A ex-funcionária do vereador Oliveira Junior (PSC), Maria de Fátima Viana, 57 anos, que reside em Estiva Gerbi, cidade a 183 quilômetros de Ribeirão Preto, é suspeita de ser funcionária "fantasma". Ela é mãe da assessora do parlamentar, Solange Aparecida Viana e foi nomeada em 9 de novembro de 2010 e exonerada no dia 22 de junho deste ano, dois dias após denúncia do A Cidade sobre a contratação da ‘sogra’ de Oliveira, que mora em Vila Velha, Espírito Santo.

A reportagem esteve na segunda-feira em Estiva Gerbi para pesquisar a vida de Maria de Fátima. Em entrevista, ela afirmou que nunca teve um emprego fixo em Ribeirão, onde já chegou a trabalhar como diarista há cerca de quatro anos, quando a filha ficou grávida de gêmeos e ela veio para a cidade ajudar a cuidar das crianças. "Aí eu já aproveitava, ia lá [Ribeirão], ajudava a minha filha e pegava uma faxina, para trabalhar na semana", contou.

A suposta fantasma recebeu salário de R$ 1.273,67. Após a exoneração de Maria de Fátima, a remuneração da filha Solange, saltou de R$ 2.096,29 para R$ 4.104,72.

Rotina

Maria de Fátima é conhecida em Estiva Gerbi, onde mora em uma casa simples, no Centro, há mais de 40 anos. "Eu vou ainda [para Ribeirão]. Mas é pouco. Às vezes fico um final de semana, venho embora, vou e volto", disse ela à reportagem. A mãe de Solange ressaltou ainda que atualmente a sua atividade é cuidar do sogro e da sogra na pacata cidade.

O nome de Maria de Fátima também nunca constou no site oficial de Oliveira, entre os outros seis funcionários. O mesmo ocorreu com a sogra de Oliveira.

Lembrança

Ao retornar à casa de Maria de Fátima para questioná-la sobre a nomeação dela na Câmara de Ribeirão, ela disse à reportagem se lembrar que já trabalhou no Legislativo. "Eu trabalhei um pouco na Câmara, eu tinha esquecido, lá foi de novembro até junho, trabalhei agora, aí fui despedida e voltei [Estiva Gerbi]", lembrou.

Livro-ponto

Documentos disponibilizados nesta terça-feira (30) pela presidência da Câmara, que se encontram no departamento de Recursos Humanos, mostram que as folhas do livro-ponto de Maria de Fátima Viana, estão todas assinadas no período em que trabalhou, até a exoneração a pedido do vereador.

Ela foi demitida junto a outros 11 funcionários, entre eles a sua filha Solange Viana, que foi recontratada, posteriormente, com salário maior do que o anterior. Entretanto, visualmente existem diferenças de assinaturas entre as folhas de ponto e o documento de admissão assinado pela suposta fantasma. As que mais chamam a atenção são nos meses de fevereiro, abril e junho deste ano, aparentemente com grafias diferentes.

Este é o segundo caso de denúncia de funcionários ‘fantasmas’ no gabinete de Oliveira Junior (PSC), em dois meses. A primeira feita também pelo A Cidade, em 19 de junho, constatou que a ‘sogra’ do vereador, Eliane Steinkopf Caetano, funcionária de seu gabinete morava em Vila Velha (ES). Ela foi flagrada pela reportagem.

Oliveira disse nesta terça que ela foi a sua assessora, mas não soube precisar o tempo. "Se ela falou isso [não trabalhou] está doida, não acredito que tenha dito isto", afirmou. A reportagem tentou contato com Solange, a filha de Maria de Fátima, no gabinete do vereador, porém informaram que ela tinha saído e não retornou a ligação.

 

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