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Sábado, 04 de Fevereiro de 2012 - 08h08
Governo paraguaio busca acordo com líderes sem-terra
Desde a semana passada, pelo menos 7 mil carperos estão acampados na região, próxima de Foz do Iguaçu, no Paraná, para pressionar os brasiguaios a abandonar as terras. Várias fazendas de brasileiros e descendentes continuavam invadidas no município de Santa Rosa del Monday, a 50 km da fronteira.
O policiamento na região foi reforçado. Representantes do governo do presidente Fernando Lugo reuniram-se com líderes dos sem-terra para discutir uma trégua nas invasões. Houve um acordo para melhorar a distribuição de alimentos às famílias acampadas.
Apesar de especulações sobre a suspensão temporária do cumprimento de ordens de despejo de três imóveis rurais ocupados na região de Ñacunday, o governo paraguaio informou que a ordem será cumprida após o levantamento de dados sobre as áreas, bem como de seus ocupantes. O governo diz ainda que a ação, quando realizada, será acompanhada pelo Ministério Público.
Representantes do governo brasileiro também estiveram ontem na região, conforme informou o secretário executivo do Sindicato Rural de Foz do Iguaçu, Paulo Muller. "Os dois governos estão trabalhando para evitar um conflito e parece que a situação agora está mais calma."
Segundo ele, a polícia paraguaia mantém patrulhas nas rodovias, mas as estradas de acesso aos acampamentos são controladas pelos carperos. "Só entra ou sai quem eles deixam."
Laços
De acordo com Muller, os brasiguaios que fixaram residência no Paraguai são, na maioria, mais ligados ao país vizinho. "Muitos nunca voltaram para o lado brasileiro."
As terras reclamadas pelos carperos foram adquiridas pelos brasileiros há cerca de 40 anos. São aproximadamente 10 mil propriedades onde vivem pelo menos 50 mil brasiguaios.
O conflito se acirrou em razão de uma lei editada em 2005 que proibiu a venda de terras aos estrangeiros numa faixa de 50 quilômetros da fronteira.
Segundo Muller, muitas áreas são melhores e mais férteis que as terras brasileiras para a produção de soja, milho e trigo. "É por isso que os proprietários não saem de lá por nada e se armaram para defender suas terras." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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