Jornal A Cidade
Jornal A Cidade Fechar

Aguarde um momento...Carregando

Jornal A Cidade

Seu jornal. Sua cidade.

Ribeirão Preto, 25 de Maio de 2012

máx. 27ºC mín. 19ºC

Quarta, 01 de Setembro de 2010 - 07h00 ( Atualizado em 01/09/2010 - 15h53 )

Corinthians: 100 anos de uma história de sucesso

Agência Estado

Tamanho da Letra A- A+

O Corinthians é o primeiro grande clube da capital paulista a completar 100 anos. E não deixa de ser simbólico o fato de justamente o mais popular integrante do Trio de Ferro atingir essa marca antes que os rivais Palmeiras e São Paulo. O Corinthians nasceu como a expressão do proletariado. Na noite de 1.º de setembro de 1910, cinco operários, descendentes de italianos e espanhóis, reuniram-se na esquina das ruas José Paulino e Cônego Martins e decidiram criar um time de futebol. O nome sugerido foi Corinthians, inspirado nas exibições do Corinthian Team, melhor equipe amadora da Inglaterra, que excursionou pelo Brasil um mês antes. Por falta de papel, a primeira ata teria sido registrada no alto de uma palheta, à luz de um lampião. Nada mais corintiano. O primeiro presidente, Miguel Bataglia, previu, entusiasmado: "O Corinthians é o time do povo, e é o povo que vai fazer o time". Não podia estar mais correto.

 

O primeiro jogo aconteceu dez dias depois: derrota por 1 a 0 para o União da Lapa, um dos principais times da várzea na época. O primeiro gol veio em 14 de setembro, marcado por Luiz Fabbi, na vitória por 2 a 0 sobre o Estrela Polar. De jogo em jogo na várzea, o Corinthians foi crescendo e ganhando cada vez mais ambição. Para disputar os campeonatos oficiais, a equipe teve que disputar dois jogos eliminatórios. Ganhou os dois e foi admitido na Liga Paulista de Futebol em 1913. O primeiro título veio no ano seguinte: o do Campeonato Paulista, com dez vitórias em dez jogos. Começava ali o reinado estadual. O Corinthians é, 97 anos depois de sua primeira taça, o maior vencedor do Campeonato Paulista, com 26 conquistas.

 

Em 1940, o time "ganhou" uma nova casa, o Estádio Municipal Paulo Machado de Carvalho, maior e mais confortável que sua residência oficial, o Alfredo Schurig, no Parque São Jorge. E foi ali que o Corinthians experimentou seu primeiro período de vacas magras, ficando dez anos, de 1941 a 1951, sem conquistar o Paulista. Em 1950, o presidente Alfredo Ignácio Trindade exigiu a renovação da equipe, que passou a contar com vários garotos da base revelados na várzea paulistana. Com craques como Gilmar, Luizinho, Cláudio, Baltazar e Carbone, o Corinthians virou o jogo e viveu uma época de glórias, com três títulos paulistas (o terceiro deles valendo a taça do IV Centenário da cidade de São Paulo, em 1954), três do Rio-São Paulo, o da pequena Taça do Mundo, na Venezuela, e duas Taça dos Invictos.

 

Diz o ditado que "alegria de pobre dura pouco", e uma nova carga de sofrimento testaria os corintianos. A partir do meio dos anos 50, o Corinthians atravessou mais de duas décadas de tormentas, jejum de títulos e freguesia para os rivais, especialmente o Santos, de Pelé. Com uma coleção de fiascos, o time ganhou em 1961 o apelido de "Faz me rir", título de um bolero da cantora Edith Veiga. As duas únicas alegrias dos anos 60 foram o surgimento do meia Rivellino, considerado por muitos até hoje o maior jogador da história do clube, e a quebra do tabu de 13 anos sem vitórias sobre o Santos, no Paulista de 1968.

 

O FIM DA FILA - O sofrimento perdurou por boa parte da década de 70, com direito a dois "quase": o time perdeu as finais do Paulista de 1974, para o rival Palmeiras, e do Brasileiro de 1976, para o Internacional. Já era clássica a gozação dos rivais sobre a falta de títulos. Diversas paredes de botecos eram preenchidas com cartazes provocativos: "Fiado, só quando o Corinthians for campeão". E o tão sonhado dia chegou depois de 22 anos, oito meses e sete dias. Na noite de 13 de outubro de 1977, o meia Basílio aproveitou um rebote da zaga da Ponte Preta e, de bate-pronto, estufou a rede do gol do Morumbi. O apito final do árbitro Dulcídio Wanderley Boschilla deu início a uma explosão festiva sem precedentes: o "Time do Povo" voltava a fazer o corintiano sorrir.

 

DEMOCRACIA CORINTIANA - O gigante acordou e mergulhou logo em seguida numa experiência única e vanguardista. Em 1981, em plena ditadura militar, os jogadores e a diretoria, presidida por Waldemar Pires, articularam um movimento que pregava maior participação dos atletas nas decisões referente ao futebol. Foi abolida a concentração para os solteiros, e até mesmo a agenda de treinos e o esquema tático do time eram escolhidos através da maioria de votos. Comandada por craques como Sócrates, Casagrande e Wladimir, a revolução democrática foi coroada com um bicampeonato paulista. O período ficou conhecido como "Democracia Corintiana".

 

ENFIM, NACIONAL - O Corinthians já era hegemônico em São Paulo, mas faltava conquistar o Brasil - a ausência de títulos nacionais era a nova fonte de gozação dos rivais. O jejum foi quebrado em 1990, com a conquista do inédito Campeonato Brasileiro com um time comandado pelo meia Neto. Começou ali a década mais vitoriosa da história do clube, coincidindo, também, com a gestão de Alberto Dualib, que assumiu a presidência em 1993. O time foi três vezes campeão do Paulista, três do Brasileiro, uma da Copa do Brasil e ainda ganhou o primeiro Mundial de Clubes oficialmente organizado pela Fifa, em 2000, no Brasil.

 

As conquistas, no entanto, afloraram a vaidade de Dualib, que se manteve no cargo por 14 anos e amarrou o clube a parceiros de moral duvidosa, como a MSI (Media Sports Investiment). Representado pelo iraniano Kia Joorabchian, esse grupo firmou em dezembro de 2004 o arrendamento do departamento de futebol profissional corintiano, em troca da promessa de investimento constante para formação de grandes times. Como cartão de boas vindas, a MSI executou a contratação mais cara de todos os tempos do futebol brasileiro: cerca de US$ 20 milhões para trazer do Boca Juniors o atacante Carlitos Tevez. O argentino adaptou-se rapidamente ao Corinthians e logo de cara caiu no gosto da Fiel. Sob sua batuta, o time conquistou mais um Brasileiro, o de 2005.

 

QUEDA E REDENÇÃO - Mas, em meio às vitórias no campo, nos bastidores houve um choque de ideias entre Dualib e Kia, que resultou na saída da MSI, dois anos mais tarde. O presidente também renunciou ao cargo depois de levar o clube às páginas policiais: foi descoberta uma verdadeira indústria de notas frias no Parque São Jorge. O reflexo da turbulência foi o rebaixamento para a segunda divisão do Campeonato Brasileiro, algo antes inimaginável pela força do clube.

 

Em outubro de 2007, o ex-diretor de futebol de Dualib, Andrés Sanchez, assumiu a presidência do Corinthians e mudou o estatuto do clube, ordenando o fim das reeleições e a escolha do mandatário pelos sócios. Numa manobra ousada, o cartola contratou em dezembro de 2008 o atacante Ronaldo, maior artilheiro da história da Copa do Mundo, que se recuperava da nova cirurgia no joelho. As atenções de todo o mundo se voltaram para o time, que conquistou mais um Paulista e sua segunda Copa do Brasil. Mas ainda faltam dois sonhos corintianos virarem realidade: a conquista da Libertadores e a construção de um estádio próprio. Capítulos para um segundo centenário.

Não é você? Clique aqui!

600

Termos de Uso

O 'A Cidade' não se responsabiliza pelas opiniões emitidas nos comentários. Todo o conteúdo publicado neste espaço é de responsabilidade do usuário. Não serão permitidos textos com ofensas, comentários preconceituosos, racistas, ofensivos, com palavrões ou qualquer termo que desrespeite a moral, os bons costumes, a lei ou o viole os direitos de terceiros.
O 'A Cidade' não revisa nem altera o texto publicado neste espaço, mas pode, sem aviso prévio, deixar de publicar ou excluir qualquer comentário que não respeite os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema da reportagem.
O 'A Cidade' se reserva o direito de, a seu próprio critério, armazenar as informações de usuários que se conectarem ao sistema de comentários, como forma de viabilizar eventuais identificações que se façam necessárias.

Limpar
Veja todas as notícias desta editoria.
  • 1 Comentário
  • por Almanakut Brasil, em 04 de Setembro de 2010 às 13:36 O Corinthians é um dos exemplos que mostram a força que o povo tem!
Busca Avançada