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Segunda, 30 de Maio de 2011 - 23h08

Raí lança livro e fala sobre a Fundação Gol de Letra

"Turma do Infinito" foi escrito pelo ex-jogador da seleção depois de conversas com a neta, Naira

Régis Martins

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Foto: Juan Esteves / DivulgaçãoO ex-jogador Raí (à direita) e o ilustrador do livro ‘Turma do Infinito’, o austríaco Jan LinpensO ex-jogador Raí (à direita) e o ilustrador do livro ‘Turma do Infinito’, o austríaco Jan Linpens

Uma entrevista com o ex-jogador Raí num caderno de Cultura chega a ser estranho. Porém, desde que lançou o livro infanto-juvenil "Turma do Infinito", o irmão de Sócrates se aventurou por um terreno novo. Pai de três mulheres e avô de uma menina de doze anos, Naira, diz que sua experiência familiar, assim como o seu trabalho como presidente/fundador da Fundação Gol de Letra, que oferece atividades esportivas, artísticas, literárias e tecnológicas para crianças e adolescentes de comunidades carentes, o ajudaram na hora de escrever o livro.

Para falar sobre este trabalho, Raí participa, nesta terça-feira (31), de uma mesa de debates na Feira do Livro de Ribeirão Preto, ao lado de Lucinha Araújo, fundadora da Associação Viva Cazuza.

Já "Turma do Infinito", que ele também lança em sua cidade natal, surgiu a partir de uma redação da neta. Na história, Sol, Filó, Sofia e Zen são alunos da mesma escola e aprendem a importância da tolerância e da vida em comunidade.

O livro, ilustrado pelo austríaco Jan Limpens, tem pitadas de filosofia. Confira a entrevista a seguir.

A Cidade - Por que um livro infantil e não um livro sobre futebol?
Raí - Durante a minha trajetória, tive outras experiências além do futebol. Tive a Fundação, tenho uma empresa. Acho que esta é uma das vantagens de parar a carreira cedo. Você pode ter outras experiências na vida e hoje as crianças fazem parte do meu universo. Por isso, acho que tive a capacidade de escrever este livro.

A Cidade - A história nasceu de uma conversa com sua neta?
Raí - Eu tinha uma ideia básica e depois li uma redação escrita por ela, que acabou me inspirando. Daí, a partir destas anotações, comecei a escrever o livro. Pensei em fazer o livro com ela, mas ela desencanou. Levei uns dois anos pra ter coragem para escrevê-lo, mas depois que sentei pra fazê-lo, saiu rapidinho, porque já estava bem amadurecido.

A Cidade - A sua estreia já foi numa grande editora, como foi esse contato?
Raí - Realmente, a Cosac Naif é uma das mais respeitadas e criteriosas do mercado. E isso me deu mais segurança ao saber que eles gostaram do projeto e apostaram nele. Indicaram o ilustrador e participaram de todo o processo. Isso foi um aprendizado muito grande pra mim. O primeiro contato que tive com eles foi na cara de pau mesmo (risos). Falei que tinha um livro, mostrei o projeto e eles gostaram.

A Cidade - E a sua experiência na Fundação Gol de Letra, te influenciou?
Raí - Acho que é uma mistura de algumas crenças minhas, dos valores que quero passar e da minha relação com as crianças. Tanto com as minhas filhas e com a minha neta, quanto com as crianças da Fundação. Sempre brinquei muito com minhas filhas e tento entrar no mundo das crianças. Esse meu estilo de ser pai, com certeza influenciou na hora de escrever o livro.

A Cidade - Como está o trabalho da Fundação?
Raí - É um trabalho educativo que pretendia, desde o início, transformar a realidade das novas gerações. E o que aconteceu é que cresceu bastante, melhorou a qualidade do atendimento, já estamos em vários outros lugares e, hoje em dia, já tem resultados concretos. Tanto o impacto sobre os jovens, quanto o impacto sobre os bairros onde eles moram.

A Cidade - Você se considera um grande leitor?
Raí - Não, mas gosto de ler. Não fui uma criança que lia muito. Fui de uma geração que gostava muito de televisão, do cinema e de efeitos especiais. Isso nos fascinava muito. Mas foi uma coisa que me fez falta. Por isso, hoje, faço questão de incentivar a leitura.

A Cidade - Algum autor em particular te influenciou?
Raí - Não, mas tenho admiração por Monteiro Lobato e Ziraldo, por exemplo. Mas não tiveram nenhuma influência direta sobre o livro. O que pesou mais foi a vontade de escrever mesmo.

A Cidade - Tem projeto de escrever outro livro?
Raí - Projeto não, mas tenho ideias. Vou esperar para ver a repercussão desse livro pra ver se vale a pena ou não.

A Cidade - Quem você acha que vai ler esse livro? Seus fãs, filhos de fãs? De alguma forma, acha que vai ter uma ligação com os amantes do futebol?
Raí - O livro não tem nada ligado ao futebol, mas acho que no início, os pais admiradores vão querer mostrar para os filhos. Acho isso uma coisa positiva, porque assim esses garotos vão ter contato com o universo da leitura. Num segundo momento, vai depender da qualidade do conteúdo e da aceitação do público mesmo.

A Cidade - Mas acredita que vai enfrentar algum tipo de preconceito por ser um ex-jogador que resolveu se aventurar pela literatura?
Raí - Acho que pode haver uma desconfiança, mas não preconceito, porque, no geral, as pessoas gostam da ideia.

A Cidade - E as filhas, gostaram do livro?
Raí - Aprovaram. Primeiro foi a minha filha de seis anos, eu li pra ela e gostou. Depois, mostrei para as outras e até uma delas me mandou um e-mail com o carimbo "Aprovado" (risos). Então, passei primeiro pelo crivo da família, que apoiou bastante.

A Cidade - E o Sócrates, leu?
Raí - O Sócrates só teve acesso ao livro neste final de semana [da semana passada] e eu não sei se ele leu.

 

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