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Terça, 31 de Maio de 2011 - 22h36

Jovens lotam Estúdios Kaiser durante Feira do Livro

Projeto foi criado para tentar diminuir o problema dos adolescentes durante o evento em Ribeirão Preto

Régis Martins

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Foto: Weber Sian / A CidadeEspaço oferece oficinas para o público adolescenteEspaço oferece oficinas para o público adolescente

No segundo ano de funcionamento, finalmente o projeto Fábrica do Conhecimento da Feira do Livro de Ribeirão Preto parece ter entrado nos trilhos. Se no ano passado o evento ficava às moscas, agora o que não falta são jovens nos Estúdios Kaiser de Cinema, onde o projeto é realizado.

A Fábrica foi criada para minimizar, por meio de atividades culturais, o problema dos adolescentes que invadem as Praças XV e Carlos Gomes. O Kaiser é um amplo espaço na rua Mariana Junqueira que conta com uma programação voltada a jovens de 12 a 19 anos com oficinas de artes visuais, dança, música, circo, teatro e grafite.

As atividades são realizadas nos períodos da manhã e da tarde e cada oficina tem capacidade para 20 pessoas e duração de 50 minutos. Além dos cursos, o espaço conta ainda com shows e bate-papo com autores. Nesta terça-feira (31), centenas de alunos assistiram a um Salão de Ideias com o professor Pasquale Cipro Neto.

Mas como explicar esse repentino interesse da garotada pelo projeto? É que agora, são as escolas que agendam a ida dos adolescentes para o local. De acordo com a coordenadora da Fábrica do Conhecimento, Cláudia Ferreira, cerca de mil alunos das redes privada e pública vão aos Estúdios Kaiser diariamente.

"Além das oficinas, temos outras atividades, como cinema, exposição, shows musicais e grupos de dança. Os jovens não ficam parados", informa.

Organização

Para o caricaturista Biu, este ano o projeto está bem mais organizado. Professor de ilustração na Fábrica do Conhecimento, diz que está ensinando jovens de Ribeirão, Orlândia, Altinópolis, Dumont e Bonfim Paulista.

"Desta vez fizeram a coisa certa, porque foi tudo agendado", afirma.

Para o professor de Iniciação Circense, Fábio Brasileiro, o projeto melhorou porque investiram mais na organização e na divulgação.

"A garotada está bem interessada. Tenho atendido uma média de 20, 25 pessoas por oficina. A gente conhece a linguagem deles", diz Fábio.

As professoras do ensino público também elogiam o espaço. Maria Inês Labadessa, da Escola Fundamental Maria Ignês Lopes Rossi, comenta que os Estúdios Kaiser compõem um "espaço iluminado".

"Aqui está ótimo porque não tem nada que disperse ou tire o foco dos alunos. Ao contrário do que ocorre na Praça XV. Lá está muito complicado", ressalta.

A professora Gislaine Lorenzato concorda. Acredita que a Feira deveria ser realizada em um local fechado como os Estúdios Kaiser.

"O controle é maior, porque na Praça XV o intuito é paquerar ou ir nas lojas que ficam no calçadão. Eles não querem saber de livros", comenta.

"Poderia pelo menos terem a ideia de trazer alguns estandes para cá [nos Estúdios] porque tem muito aluno que achou que poderia comprar um livro aqui", diz a professora Mariney Hamano.

Mulekes do Samba

Os adolescentes também gostaram do local, mas muitos preferiram curtir um som ao vivo ao invés de participar de alguma atividade. Geiza Antunes, de 14 anos, gostou do show de pagode dos Mulekes do Samba realizado nesta terça pela manhã. Diz que ainda não foi à Feira do Livro este ano.

"Eu leio mais ou menos, mas sempre compro alguma coisa na feira", comenta a jovem que não se lembra do último livro que leu.
Yan Pedro, de 17 anos, diz que participou da oficina de DJ da Fábrica de Conhecimento, mas revela que prefere paquerar na Praça XV durante a Feira do Livro. Porém, ao contrário de Geiza, sabe exatamente o nome do último livro que leu.

"Foi ‘Os Sertões’, porque a escola pediu", comenta.

O amigo Renato Costa, também de 17, esteve nos Estúdios Kaiser em 2010 e garante que o projeto está bem melhor este ano.

"As atividades estão melhores. Além disso, os shows estão legais", diz, referindo-se aos Mulekes do Samba.

Sobre a Feira do Livro, é taxativo: "O jovem não vai lá [Praça XV de Novembro] pra comprar livro. Quer mais é paquerar", conclui o estudante.

O coordenador de atividades da Fábrica do Conhecimento, Elieser Pereira, também conhecido como MC Leser, ressalta que o evento nos Estúdios Kaiser tem tudo para melhorar a cada ano.

"Esta edição está melhor, mais organizada e mais atrativa para esses jovens. É preciso falar a linguagem da rapaziada", argumenta.

Mas Leser sabe que o problema dos adolescentes na Praça XV leva tempo para ser resolvido.

"Acho que tem que cativar aquele público. É um projeto que tem que ser divulgado de uma forma direcionada. Quem vem pra cá, se identifica", afirma.

 

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