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Quarta, 01 de Junho de 2011 - 22h35

Editoras investem na venda de itens jovens na Feira

Revistas e pôsteres de ídolos como Justin Bieber e da série Crepúsculo são os mais procurados

Régis Martins

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Foto: Matheus Urenha / A CidadeGaga e Restart tomam lugar de livros na Feira de RibeirãoGaga e Restart tomam lugar de livros na Feira de Ribeirão

"Depois do ano passado, eu jurei que nunca mais voltaria a esta feira". O desabafo é da dona de casa Elza Mendes de Oliveira. Preocupada com a neta que tentava encontrar um livro infantil num dos estandes da 11ª Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto, ela criticava os adolescentes que passavam ao lado. Eterno motivo de críticas, a garotada deixa Dona Elza tensa, por causa do barulho e dos palavrões. "Esses jovens não respeitam nada, tenho medo de vir aqui. Acho que deveriam agendar só um dia da semana para eles, aí não passaríamos por essa loucura", reclama Elza.

Todo ano é a mesma coisa. A garotada, munida de óculos espelhados, bonés, bermudas e celulares com o volume no máximo, "barbariza", usando uma linguagem típica. O problema chegou a tal ponto que a Fundação Feira do Livro criou o projeto Fábrica do Conhecimento, para tentar atrair os jovens para as atividades nos Estúdios Kaiser.

Graças ao agendamento junto às escolas, o projeto tem atraído muitos adolescentes, mas a bagunça nas Praças XV e Carlos Gomes continua. O motivo é simples: o público é outro. Muitos dos jovens que vão "apavorar" no Centro deixam de ir à aula para paquerar na Feira. "A Feira é legal por causa do movimento e a atração principal são as garotas", garante Tiago Júnior, de 18 anos.

Democrático

O rapaz, que já completou o ensino médio e sonha em fazer um curso profissionalizante, diz que não lê muito e sequer se lembra do último livro que comprou, mas não perde a feira por nada.

"É um espaço democrático. Aqui vêm todas as classes sociais", filosofa Tiago.

Roger Nascimento, também de 18 anos, concorda com o amigo, mas diz que alguns jovens realmente exageram. "Acho que poderia ter mais segurança e mais educação", afirma o rapaz, que garante gostar de ler livros técnicos.

O curioso é que muitos livreiros e editoras, aproveitando a intensa presença dos adolescentes, resolveram investir neste mercado. O número de estandes com revistas teen está cada vez maior. Publicações com ídolos como Justin Bieber, Restart e os atores da série Crepúsculo tomam conta das prateleiras.

Mas alguns estandes exageram no comércio de badulaques. Um dos mais visitados vende canetas, broches, brinquedos, chaveiros e pôsteres. A assessoria da Fundação Feira do Livro informou que a editora, ou seja lá qual for o ramo de atuação da empresa, tem permissão para colocar o estande na feira porque também comercializa jogos educativos e tudo que está relacionado ao "universo pedagógico infantil".

Marxismo

Pior para quem tenta vender literatura pura e simples. Fábio Ricardo Pereira, encarregado do estande da editora Expressão Popular, especializada em obras de caráter marxista, já pensa em trazer obras direcionadas aos adolescentes em 2012. "Vamos investir num catálogo mais voltado ao vestibular", garante.

Fábio informa que este é o primeiro ano em que a Expressão Popular participa da Feira do Livro. Diz que as vendas foram abaixo das expectativas, mas acredita que isso tem a ver com o local onde seu estande foi instalado.

A editora está bem em frente à fonte que fica na Praça XV, área onde a aglomeração de adolescentes é ainda maior. "Fiquei sabendo que muitas pessoas não conseguem chegar até aqui por causa dos jovens. No ano que vem, vamos tentar um espaço mais perto do palco", informa Fábio, referindo-se à Esplanada do Pedro II.

Apesar dos problemas, o livreiro, que é de São Paulo, afirma que a Feira deve continuar sendo realizada ao ar livre. "Cobrar a entrada não seria o caminho. Conheço outras feiras que fizeram isso e não deu certo porque elitiza muito. Mas não sei qual seria a solução", ressalta.

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