Especial
Sabado, 28 de Julho 2007 - 19h55
VICE-PREFEITO PAULO PASTORI em carro blindado Pastori diz que usa o carro cedido a ele pelo prefeito, sem constrangimento
Ribeirão Preto chegou a blindar, na única oficina existente na cidade, doze carros por ano - um por mês. Em 2007, esse número caiu. A expectativa é de dez blindagens, no máximo. Geralmente, os carros submetidos a esse tipo de serviço, são novos. Por isso, atualmente, blinda-se menos de um automóvel a cada 300 colocados mensalmente nas ruas de nossa cidade. Um número bem baixo, reconhece André Massaro, dono da oficina. Uma explicação para isso: o preço do serviço (média de R$ 50 mil) e a tranqüilidade com que ainda se circula em Ribeirão.
A Associação Brasileira de Blindagem (Abrablin) trabalha com dois números no Brasil. O oficial indica que 31.878 carros foram blindados na sua rede de oficinas de 1995 até hoje. Já a estimativa extra-oficial é de 53 mil carros, considerada mais próxima da realidade.
São Paulo
A frota de São Paulo é a maior do país com 67% do mercado. Com base na estimativa da Abrablin, São Paulo tem hoje quase 36 mil blindados, seguido do Rio de Janeiro com 24% (13 mil); Pernambuco e Rio Grande do Sul com 3% (1.600 cada) e Minas Gerais 1,5% (800).
Queda
A “febre” da segurança da blindagem teve início em 1995, em 388 veículos. Foi subindo progressivamente, com 686 carros em 96; 1.112 em 97; 1.782 em 98; 3.601 em 2000; até atingir o ápice em 2001/2002 com 4.681 e 4.136 veículos, respectivamente. Nos anos seguintes, o mercado experimentou grandes quedas. Em 2005, foram blindados 3.206 carros; e, no ano passado, 3.622, ligeira melhora de 13%.
A Abrablin tem duas explicações para a baixa no setor. Em 2002, com as mortes de Celso Daniel e Toninho do PT, prefeitos de Santo André e Campinas, a classe política aderiu fortemente à blindagem. O ano anterior, 2001, foi marcado pela explosão da violência urbana, com alto número de assaltos, roubos e homicídios. Daí, o recorde de 4.681 blindagens.
“Com a estabilidade política, a tendência natural seria uma queda”, informou a assessoria de imprensa da Abrablin, para quem o alto preço da blindagem também colaborou para a diminuição do serviço. O aumento de 13% no último ano é atribuído aos ataques do PCC, que recrudesceram entre 2005 e 2006.
Atualmente, assegura a Abrablin, 34% dos usuários de veículos blindados são mulheres. Quem mais usa são executivos e empresários (73%), seguido da classe artística (7%), políticos e juízes (5%). Outras categorias representam 10%.
Então prefeito, Antônio Palocci Filho blindou Marea
A prefeitura de Ribeirão Preto tem um carro blindado. Pertence ao prefeito Welson Gasparini (PSDB) mas está emprestado ao vice Paulo Pastori. Trata-se de um Fiat Marea, blindado em 2002 a pedido do ex-prefeito Antônio Palocci Filho (PT).
O cuidado foi tomado logo depois dos assassinatos dos prefeitos petistas Celso Daniel, de Santo André; e Antônio Costa Filho, o Toninho, de Campinas. A blindagem é de nível três, para suportar impacto de projétil da pistola Magnum 44.
Paulo Pastori contou que o carro foi colocado à sua disposição depois de o Gol 1.0 que usava apresentar defeito. O vice-prefeito disse que o usa o veículo sem nenhum constrangimento. “Pedi uma condução para substituir o Gol 1.0. Mandaram um blindado e estou usando naturalmente”.
A Abrablin informou, por meio de sua assessoria, os nomes de algumas pessoas que usam veículos blindados: José Luiz Datena, da TV Bandeirantes; o colunista social Amaury Jr; e o apresentador Octávio Mesquita.
Datena, que na próxima quinta-feira receberá o título de cidadão Emérito, na Câmara Municipal (ele nasceu em Ribeirão Preto), não esconde que tem um Jaguar, carro de fabricação inglesa, blindado.
“Eu mantenho há muito tempo um programa onde faço denúncias diárias e teço críticas ácidas. Tem gente que respeita, outros não gostam. É melhor a gente se precaver”, já repetiu várias vezes o jornalista, em seus programas na TV Bandeirantes.
Em Ribeirão, blindagem custa pouco mais de R$ 50 mil
Uma blindagem custa R$ 51 mil, com pequeno acréscimo dependendo do modelo e equipamentos do carro, nas 22 lojas da Abrablin (Associação Brasileira de Blindados).
Em Ribeirão Preto, na Massaro, o trabalho sai por R$ 50 mil. O sistema de blindagem utilizado foi desenvolvido por André Massaro, o dono da oficina.
“Obedece os padrões normais mas o sistema foi desenvolvido por nós”, disse.
A blindagem pode ser feita em dois níveis: o dois, para impacto de calibre Magnum 357; e o três, para Magnum 44.
Não se recomenda blindar automóveis com motor 1.0. O ideal é com motores acima de 1.6. A blindagem com alta tecnologia pode aumentar o peso do carro em até 107 quilos (77 quilos de vidro e 30 de painéis).
Com tecnologia menos sofisticada, o peso pode chegar a 267 quilos - 120 quilos de vidro e o restante em aço. A espessura de um vidro nível dois é de 15 milímetros; e o nível três, de 17 milímetros.
Blindar apenas os vidros, teoricamente é possível, dizem os especialistas, mas não é recomendado por dois motivos: os vidros são responsáveis por 70% do custo da blindagem, ou seja, a economia não valeria a pena pois o consumidor teria uma carro “falsamente” protegido, com a exposição da parte opaca (lata).
Os técnicos afirmam que é possível blindar um micro-ônibus ou uma van. Existe no mercado uma grande quantidade de vans blindadas. Nos ônibus, a blindagem é facilitada pelo fato de os vidros serem planos, tornando menos oneroso que os curvos utilizados nos automóveis. No Brasil, qualquer oficina está apta a blindar veículos de grande porte.
Os veículos mais blindados são o Golf, Audi A3, Marea e Ômega. Em seguida vem peruas, tipo Pajero, por exemplo, Fiat Adventure e Saveiro; BMW série 3 e Mercedes Benz.