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Agronegócio

Sabado, 4 de Agosto 2007 - 18h16

Começa colheita da safrinha 2007

F.L.PITON Começa colheita da safrinha 2007 SAFRINHA DE MILHO Assim como o sorgo, este ano com melhores perspectivas para os produtores

Está começando a colheita da safrinha. Não em Ribeirão Preto e vizinhanças do município, onde falta espaço por causa da cana-de-açúcar e, sim, mais ao norte da região, onde ainda se mantém área de milho ou sorgo plantado depois do período de cultivo da soja, somando duas safras anuais. A safrinha teve origem, por acaso, há cerca de 30 anos nesta região, em Ipuã, e depois se espalhou, inclusive para outros Estados.
É uma prática com resultado duvidoso face a fatores climáticos. Este ano, a perspectiva da safrinha é muito boa em algumas áreas e péssima em outras, conforme a época de ocorrência (ou não) de chuva. Assim, a previsão de rendimento varia de 30 até 150 sacas por alqueire, tanto de milho como de sorgo.
A situação adversa começou com a soja, que deveria ter sido plantada em outubro e colhida em fevereiro, mas, devido ao atraso de chuva, só foi instalada em novembro e colhida em março. A partir desse mês, há menor possibilidade de chuvas no momento certo para a safrinha. Diante desse quadro, alguns produtores optaram pelo sorgo, cultura mais rústica, menos dependente de umidade.
“Há até o caso de agricultores que plantaram prevendo que o rendimento não seria bom, mas entendendo que isso seria melhor do que deixar o solo descoberto”, afirma o agrônomo Arnaldo Martins de Andrade, da cooperativa Carol.

Preços
Mas também havia a expectativa boa quanto ao preço, com certeza melhor que o do ano passado, em função do mercado externo, diante do efeito etanol nos Estados Unidos, que estão produzindo mais álcool extraído do milho.
Hoje, para o produtor, na região, o milho está cotado a R$ 16,60 (preço líquido) a saca e o sorgo, R$ 13,50, valores menores que os do início deste ano, mas bem superiores aos vigentes nesta mesma época do ano passado – R$ 12,00 e R$ 9,60, respectivamente.

Consumidor
Com o aumento no preço de milho e sorgo, aumentou o custo das rações animais, levando a reajuste nos preços de ovos, frangos e carnes bovina e de frango, já sentido pelo consumidor. A arroba do boi para o produtor atingiu R$ 62,00, melhor cotação desde 2003. Mas não há uma reação de euforia por causa disso. Os pecuaristas dizem que esta é apenas uma recuperação e apontam margem negativa da ordem de 40% nos últimos quatro anos.
Na mesma linha manifestam-se produtores de frangos e ovos. Um deles, Jesus Messias Piloto, de Sales Oliveira, diz que “O produtor precisa ter remuneração condizente. Caso contrário, deixa de produzir.”

As origens na safrinha que deu certo
Há 30 anos, em Ipuã, uma chuva forte em janeiro arrasou culturas de milho que haviam sido plantadas em outubro.
Diante disso, alguns produtores decidiram pelo replantio, e o resultado foi bom. Daí concluíram: se dá resultado plantando em janeiro, pode dar também se o plantio for feito em fevereiro.
É o que se conta a respeito da origem da safrinha. A metodologia que depois passou a ser adotada foi a do plantio da soja na safra de verão (outubro-fevereiro) e do milho na safra de inverno ou safrinha (fevereiro/março a julho/agosto). Assim, duas safras por ano.
A prática passou para outras regiões e até para outros Estados e, hoje, a safrinha responde por parcela considerável da produção nacional de milho, além da produção de sorgo, cultura a que parte dos agricultores recorre por ser mais resistente ante a incerteza de condições climáticas favoráveis no período de cultivo.


CARLOS ALBERTO NONINO
ESPECIAL PARA A CIDADE

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