Agronegócio
Sabado, 11 de Agosto 2007 - 18h53
PRIMEIRA CONTA O empresário Jairo Balbo guarda até hoje a primeira fatura feita para a CPFL em 87
Em junho de 1987 pela primeira vez no país, uma usina de açúcar e álcool fornecia eletricidade para a rede de uma distribuidora de energia. Hoje, corresponde a 2% de toda energia produzida no Brasil. Na região 14% da energia vêm da cana.
A pioneira na co-geração foi a usina São Francisco, em Sertãozinho (20 km de Ribeirão Preto). Na safra de 1987 foram gerados apenas 300 KW de energia para a CPFL - Companhia Paulista de Força e Luz - suficiente para o consumo de uma pequena cidade, com cerca de cinco mil habitantes.
“Neste primeiro contrato com a CPFL, nós não recebíamos pela energia fornecida. Houve uma troca com a companhia. Nós fornecíamos o excedente na safra e a companhia devolvia esta energia durante a entressafra. Foi o melhor negócio que já fizemos nesta área, lembra o usineiro.
Hoje a Bioenergia Cogeradora S/A, empresa que surgiu em 2001 e que comercializa o excedente de energia elétrica das usinas São Francisco e Santo Antonio, pertencentes ao grupo Balbo, produz 31 MW (Megawatts), energia suficiente para iluminar uma cidade com cerca de 500 mil habitantes. Deste total 13 MW são comercializados.
Produção
Até 2001, antes da crise de falta de energia, eram comercializados no país, segundo dados da Unica - União da Indústria de Cana-de-Açúcar, 120 MW, suficientes apenas para o atendimento de uma população de pouco mais de dois milhões de habitantes em todo o país.
Hoje a potência instalada e contratada para venda de energia elétrica está em 1.650 MW, o que já representa 2% das necessidades do país.
Entretanto, hoje das 147 usinas instaladas no estado de São Paulo, apenas 20 vendem excedente de energia.
Maior comprador
Atualmente a CPFL é a maior compradora de energia elétrica gerada pelas usinas de açúcar e álcool no país. Cerca de 8% de toda a energia comercializada pela companhia vêm das usinas.
No caso da CPFL Paulista que atende 262 municípios, entre eles a região de Ribeirão Preto, este índice sobe para 14%. Em agosto a CPFL Paulista comercializou 2.148,4 MW, sendo que 300 MW vieram do setor sucroalcooleiro. Energia suficiente para iluminar seis cidades do porte de Ribeirão Preto.
Segundo Roberto Castro, assessor de Gestão de Energia expectativa da empresa é continuar investindo na co-geração pelo bagaço-da-cana. “Nós vamos investir no setor, seja como compradores, parceiro ou consultor”, afirmou Castro.
Comercialização
Um levantamento feito pela Unica estima que até 2012, o setor poderá produzir 9% de toda a energia produzida no país, o que significa 9 mil MW. Este número equivale a toda a energia que está prevista para ser produzida pelo complexo do Rio Madeira.
Hoje em média o preço do MWh está sendo comercializado em leilão a R$ 142.
Para o diretor da Bioenergia, Jairo Balbo, este valor cobre o custo das usinas mais antigas, mas é baixo para as novas empresas que estão entrando no mercado. “Não cobre os investimentos”, afirma Balbo.
São Francisco vai investir mais R$ 50 milhões
A Usina São Francisco, em Sertãozinho, que foi a pioneira na co-geração de energia elétrica, vai investir R$ 50 milhões até 2009 para triplicar sua capacidade de produção de energia elétrica.
Atualmente a usina produz 7,3 MW de eletricidade, dos quais 4 MW são comercializados com a CPFL.
Com a instalação de uma nova caldeira que deverá ocorrer até 2009, a usina passará a produzir 23 MW, a mesma capacidade produzida hoje pela usina Santo Antonio, que também faz parte do grupo.
33 MW
Com a ampliação a Bioenergia, empresa responsável pela comercialização da eletricidade excedente produzida pela duas usinas, terá capacidade de venda de 33 MW de eletricidade, o suficiente para atender uma cidade como Ribeirão Preto.
Segundo Jairo Balbo, diretor da Usina São Francisco e da Bioenergia, o investimento na ampliação da capacidade da usina está sendo feito junto com um grande investidor nacional, cujo nome ele ainda prefere manter em segredo.
“Estamos na fase final de acerto de contrato e aprovação do projeto, o que me impede de divulgar o nome do grupo”, explica Jairo Balbo.