Jornal A CIDADE

Ciência

Sabado, 11 de Agosto 2007 - 20h55

Terapia da luz é usada em doentes do DF e SP


O Serviço Assistencial de Câncer de Pele por Terapia Fotodinâmica, projeto desenvolvido pela USP de Ribeirão Preto e que já atendeu grande número de pacientes no Hospital das Clínicas local, foi implementado no ano passado por professores da Universidade Nacional de Brasília no Hospital Asa Norte e, agora, passa a funcionar também no hospital da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
A origem desses três centros de ação com a Terapia Fotodinâmica (TFD) foi o estudo desenvolvido a partir de 1995 pelo Grupo de Pesquisa em Fotobiologia e Fotomedicina da USP-Ribeirão, sob coordenação do professor Antônio Cláudio Tedesco, que fez especialização na Universidade de Harvard (EUA).

Combinação
Tedesco explica que a TFD é uma terapia que surgiu entre as décadas de 1970 e 80 nos Estados Unidos e depois se espalhou pelo mundo. O HC de Ribeirão Preto foi um dos primeiros hospitais-escolas do Brasil a utilizá-la e, com o estudo envolvendo outras unidades do campus da USP, foram desenvolvidos novos fármacos e novos medicamentos para tratamento do câncer de pele.
A TFD combina aplicação de luz, fármacos fotossensíveis e oxigênio. Isoladamente, cada um desses componentes não produz resultado, mas, combinados, têm efeito para a cura do câncer de pele.
Substitui modalidades de tratamento usuais, como a criocirugia, que consiste na aplicação de nitrogênio líquido em áreas de mancha ou tumor que surgem na pele. Com evidentes vantagens: trata as lesões com menos dor, menos efeitos colaterais, com menor tempo de cura e não deixa sinais na pele.

Sem cicatrizes
Apresenta resultado muito melhor quando, por exemplo, é o caso de câncer de pele em regiões da face. É, principalmente, excelente opção para pacientes com lesões múltiplas, nos quais a reação inflamatória advinda de criorurgia, eletrocirurgia ou imiquimod pode levar a problemas estéticos irreversíveis, como manchas brancas e cicatrizes.
O resultado positivo da TFD pôde ser constatado em dezenas de pacientes tratados nos últimos anos no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto. Em Brasília e São Paulo, os serviços assistenciais também atendem segurados do SUS e outras faixas da população de baixa renda.
O professor Antônio Cláudio Tedesco informa que a terapia fotodinâmica já vem sendo aplicada também no tratamento de outras doenças cutâneas, como acne vulgar, granuloma anular e linfomas, além de outros tipos de câncer, graças ao advento de novos estudos e novas tecnologias, novos fármacos e novos sistemas de veiculação de drogas clássicas.
Em cada grupo de 100 mil pessoas, aparecem anualmente de 52 a 64 novos casos de câncer de pele no Brasil. É, também, o tipo de câncer mais freqüente na população branca do mundo. Em mais de 95% dos casos, não é câncer maligno.


CARLOS ALBERTO NIONINO
Especial para A Cidade

  • Imprimir
  • Enviar

É proibida a reprodução do conteúdo dessa página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso sem autorização escrita da Empresa Jornalistica Orestes Lopes de Camargo S\A
ARZ