Agronegócio
Sabado, 25 de Agosto 2007 - 18h36
PRODUÇÃO DE MILHO Queda prejudicial nos últimos anos
O produtor está recebendo mais pelo milho e menos pela cana-de-açúcar. Isto não é bom para a economia da região de Ribeirão Preto, onde diminuiu muito a produção de milho nos últimos anos, justamente devido à expansão da cana. Já o consumidor se beneficia com a redução no preço do álcool combustível, mas está pagando mais por ovos, leite e carne.
O preço do álcool na bomba, mesmo com o reajuste dos últimos dias, é bem inferior ao vigente no início da safra da cana-de-açúcar. Há alguns dias, chegou a custar menos de 1 real em Ribeirão Preto e foi vendido a até 85 centavos em alguns postos da região, isto porque as usinas estão recebendo 70 centavos por litro (chegou a 65 centavos). Já o produtor rural recebe R$ 31,30 por tonelada de cana, cerca de 40% menos que o preço vigente há um ano.
“Há muita reclamação por parte dos produtores, que não esperavam essa queda brusca e, agora, ficam perguntando até quando vai perdurar essa crise”, observa Fernando Zorzenon, agrônomo da Secretaria Estadual da Agricultura em Ribeirão Preto. O atual preço da cana se deve à queda do açúcar no mercado internacional e ao fato de o mercado interno estar abarrotado de álcool, com algumas usinas agora segurando o produto.
Carne
Já em relação aos produtos que dependem do milho, a situação é inversa. O preço do milho aumentou, sob influência do mercado externo, principalmente por seu uso para produção de etanol nos Estados Unidos. A produção de carne sofreu esse impacto, justamente no momento em que estão faltando animais para abate nos frigoríficos.
Conseqüência: a arroba do boi chegou a 65 reais para o pecuarista, o melhor preço dos últimos anos, após a queixa de acúmulo de 21% de perda desde 2003, face principalmente à cotação do dólar. Para garantir o fluxo de caixa no período, pecuaristas recorreram ao abate de fêmeas e, assim, nasceram menos bezerros. A recuperação vai demorar pelo menos três anos, segundo os especialistas.
Leite
O preço do leite também aumentou para o consumidor. A razão disso foi o mercado externo, com o leite em pó subindo mais de 100% nos últimos 12 meses, o que se refletiu no mercado interno em relação ao leite adquirido em supermercados e padarias. O preço para o produtor, pago por cooperativas, chegou a mais de 70 centavos o litro, mas já se especula sobre empresas de exportação oferecendo até 90 centavos.
Ovos
O aumento do milho foi determinante também no aumento do preço dos ovos. No caso específico de municípios vizinhos de Ribeirão Preto, o cultivo de milho quase não existe, enquanto ainda se mantém a produção de ovos no núcleo de Mombuca, em Guatapará. Nesse contexto, a queixa é que o frete do principal produto destinado às rações fica relativamente caro. A produção diária de ovos hoje em Mombuca é da ordem de 1.400 caixas (de 30 dúzias), mas chegou ao triplo desse volume, segundo o agrônomo Júlio Takaki, da Casa da Agricultura de Guatapará. O produtor está recebendo R$ 44,00 por caixa, preço bem melhor do que os 34 reais do início do ano, quando alguns pararam.
“Hoje são apenas 15, menos da metade do que antes”, afirma Takaki.
CARLOS ALBERTO NONINO
Especial para A CIDADE