Jornal A CIDADE

José Ap da Silva

Sabado, 22 de Setembro 2007 - 21h13

A CIÊNCIA BRASILEIRA: QUANTIDADE E QUALIDADE


Duas boas notícias acenam no cenário científico brasileiro: o Brasil subiu duas posições no ranking dos 30 países com maior número de artigos científicos publicados e elevou, qualitativamente, a produção dos mesmos.
Dados divulgados pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Ensino Superior (CAPES) e pelo Ministério da Educação (MEC) mostram que a produção científica brasileira ultrapassou as da Suécia e Suíça, alcançando a 15ª posição, próxima da Rússia, que, por sua vez, apresentou queda significativa, de quase 17%, comparando-se 2006 a 2005. Em 2002, o Brasil encontrava-se em 20º lugar; em 2005, em 17º, o que representa um crescimento de 33%, salto triplo na média mundial, previsto, apenas, para 2009. Mas, quantos foram os artigos publicados em 2006? Quase 17.000 artigos, o que equivale a 2% da produção científica mundial. A Alemanha, em segundo lugar, tem apenas quatro vezes mais. A grande diferença está para o primeiro colocado, os Estados Unidos, responsável por 32,3% da produção científica do planeta. No Brasil, comparando-se os dois últimos triênios (2001-2003 e 2004-2006), as áreas de crescimento significativo foram: psicologia e psiquiatria (70%), produção animal e vegetal (23%), ciências sociais (52%), medicina (47%), farmacologia (46%), ciência agronômica (46%), imunologia (44%), computação (44%) e ecologia e meio ambiente (40%). Considerando apenas o biênio 2005 e 2006, o crescimento mais elevado ocorreu em imunologia (23%), medicina (17%), produção animal (13%), economia (12%), meio ambiente (12%) e engenharias (11%).
O impacto dos artigos científicos brasileiros, indica que a ciência brasileira, entre 1981 e 1985, publicou 10.833 artigos (0,48% da produção mundial), sendo os pesquisadores brasileiros referenciados 14.625 vezes, o que resultou num índice de impacto de 1,35. Já entre 2002 e 2005, o mesmo índice passou para 2,95, indicando que, dos 70.003 trabalhos publicados no período (1,8 % da produção científica mundial), houve 206.231 citações em periódicos indexados. O que isto significa? Significa que mais pesquisadores estão usando os trabalhos de pesquisadores brasileiros para embasar suas próprias pesquisas, o que localiza o país na 20ª posição mundial neste ranking.
A qualidade e o crescimento da pós-graduação brasileira, certamente, constituem os fatores responsáveis por esta evolução. Em março deste ano, existiam 2.437 programas de pós-graduação, com 3.637 cursos e 148 mil estudantes. Por outro lado, o sistema de avaliação implementado pela CAPES, em adição aos de outros órgãos semelhantes, usualmente, condicionam os auxílios à produtividade apresentada pelo pesquisador, aferida através da publicação, do mesmo, em revistas científicas indexadas, de diferenciado grau de qualidade.
Não obstante, a conhecida falta de integração entre os centros nacionais de produção do conhecimento, especialmente as Universidades, e o setor produtivo, em adição à irregularidade brasileira de investimento em ciência e tecnologia, geram, respectivamente, poucas patentes registradas e investimento de apenas 1,8% do Produto Interno Bruto (PIB) em ciência e tecnologia, investimento, este, três a cinco vezes menor que o praticado nos países desenvolvidos. Para continuar crescendo, o Brasil precisa investir, cada vez mais, em ciência e tecnologia. Os cientistas têm feito a sua parte. Mas, e o governo? Quando fará a sua?

* Prefeito do Campus
da USP-Ribeirão Preto

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